Entenda a fase Il da Operação Penalidade Máxima

Deflagrada em 18 de abril, a fase 2 da Operação Penalidade Máxima mostrou que não apenas jogos da Série B do Campeonato Brasileiro tinham envolvimento de apostadores em manipulações, mas também partidas da elite do Brasileirão.

Diversas partidas da Série A de 2022, uma da segunda divisão e outras de campeonatos estaduais foram apontadas como manipuladas ou que houve tentativa de manipulação por apostadores.

Veja neste texto especial do Futebol na Veia tudo sobre a fase II da Operação Penalidade Máxima.

O que a fase 2 da Operação Penalidade Máxima revelou?

A investigação do Ministério Público de Goiás (MPGO) com outros órgãos mostraram que partidas do futebol brasileiro indicam a manipulação de resultados. Os jogadores envolvidos teriam recebido valores entre R$ 70 mil e R$ 100 mil por pênaltis cometidos, escanteios e cartões amarelos e vermelhos nas partidas. Nessa fase, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão.

Quais atletas tornaram-se réus nessa primeira fase?

Eduardo Bauermann (Santos) – Santos x Avaí e Botafogo x Santos

Segundo o MP, o zagueiro do Santos recebeu R$ 50 mil de forma antecipada para sofrer um cartão amarelo na partida entre o Peixe e o Avaí na 36ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2022. Porém, na ocasião, o atleta não conseguiu ser advertido.

Capturas de tela divulgados pela Veja e pelo GE mostram que Bauermann foi ameaçado de morte, pois, além de não cumprir o acordo nesse jogo com o Avaí, se comprometeu a ser expulso na partida seguinte, contra o Botafogo. Entretanto, o zagueiro só recebeu o cartão vermelho após o apito final, o que não é considerado pelas casas de apostas.

 

Paulo Miranda e Gabriel Tota (ambos à época no Juventude) – Goiás x Juventude e Palmeiras x Juventude

Com contato com os aliciadores, Tota seria o responsável por aliciar atletas do seu clube na época, o Juventude. Um desses seria Paulo Miranda, atualmente sem clube e com passagens por São Paulo e Grêmio. Na ocasião, o zagueiro do Papão foi pago em cerca de R$ 110 mil após receber cartões amarelos contra Fortaleza e Goiás, ambos duelos pelo Brasileirão do ano passado.

Gabriel Tota atualmente está no Ypiranga-RS.

Matheus Gomes e Fernando Neto (ambos à época no Operário-PR) – Sport x Operário-PR

No jogo entre Sport x OperárioPR pela Série B do ano passado, Fernando Neto recebeu a proposta de R$ 500 mil para sofrer um cartão vermelho, sendo efetivamente pago R$ 60 mil de forma antecipada. Apesar da derrota e do atleta ter sido amarelado, o volante não foi expulso no jogo. Todo esse processo contou com a participação de Matheus Gomes, atualmente jogador do Sergipe.

Neto, hoje no São Bernardo, ainda é apontado como possível aliciador de Bauermann no esquema.

Victor Ramos (à época na Portuguesa) – Guarani x Portuguesa

Atleta com grande carreira no futebol brasileiro, passando por VascoPalmeiras e VitóriaVictor Ramos aceitou, segundo o Ministério Público, R$ 100 mil para cometer um pênalti no jogo entre Portuguesa x Guarani pelo Paulistão desse ano. Porém, por não encontrar outros jogadores para manipulação, o grupo criminoso optou por não fazer apostas nessa partida e o zagueiro não recebeu o pagamento.

Igor Cárius (à época no Cuiabá) – Ceará x Cuiabá e Palmeiras x Cuiabá

Na 32ª rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado, Igor Cárius, à época no Cuiabá e hoje atleta do Sport, sofreu um cartão amarelo, fato que segundo o MP teria sido acordado antes com apostadores. Os investigadores não conseguiram apurar todo o montante, mas o lateral recebeu R$ 5 mil de forma antecipada.

Quatro rodadas depois, o atleta foi novamente aliciado para ser punido em jogo contra o Palmeiras, que renderia R$ 60 mil, mas não foi amarelado.

Quais jogadores foram citados nesta fase?

Apesar de receberam valores dos apostadores e cometerem as infrações, o lateral-esquerdo Onitlasi Moraes Rodrigues Júnior (ex-Juventude e hoje na Aparecidense-GO), o zagueiro Kevin Lomónaco (Bragantino), Nikolas Santos de Farias (Novo Hamburgo) e Emilton Pedroso Domingues, conhecido como Jarro (Inter de Santa Maria), auxiliaram o MP nas investigações.

O argentino Lomónaco, durante o jogo contra o AméricaMG no Brasileirão, foi punido com cartão amarelo e recebeu R$ 70 mil para que isso acontecesse, segundo o MP.

Também no Campeonato BrasileiroMoraes foi amarelado no jogo com o Palmeiras recebeu pagamento de R$ 30 mil.

Por fim, no GaúchãoJarro cometeu uma penalidade a pedido do grupo criminoso por R$ 70 mil. Por 10 mil a mais, Nikolas, do Novo HamburgoRS, fez um pênalti contra seu time no estadual.

Outros atletas foram citados em conversas entre os apostadores mostradas na investigação da Operação Penalidade Máxima, mas ainda não foram investigados, confira a lista abaixo:

  • Vitor Mendes (à época no Juventude, hoje no Fluminense)
  • Richard (à época no Ceará, hoje no Cruzeiro)
  • Nino Paraíba (à época no Ceará, hoje no América-MG)
  • Dadá Belmonte (à época no Goiás, hoje no América-MG)
  • Nathan (à época no Fluminense, hoje no Grêmio)
  • Pedrinho (à época no Athletico-PR, hoje sem clube)
  • Bryan García (à época no Athletico-PR, hoje sem clube)

Quais punições esses atletas sofreram?

No âmbito criminal, nenhum jogador ainda foi julgado pelas revelações da Operação Penalidade Máxima. Porém, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) definiu a pena de alguns jogadores envolvidos nesta fase da Operação Penalidade Máxima. As penas foram desde 12 jogos de suspensão para Bauermann, do Santos, até o banimento do futebol, caso de Gabriel Tota e Matheus Gomes. Veja as punições:

  • Gabriel Tota: banimento e R$ 30 mil;
  • Matheus Gomes: banimento e R$ 10 mil;
  • Paulo Miranda: 1.000 dias e R$ 70 mil;
  • Moraes: 760 dias e R$ 55 mil;
  • Jarro: 720 dias e R$ 100 mil
  • Nikolas: 720 dias e multa de R$ 80 mil;
  • Kevin Lomónaco: 380 dias e R$ 25 mil;
  • Fernando Neto: 380 dias e R$ 15 mil;
  • Eduardo Bauermann: 12 jogos;
  • Igor Cariús: absolvido.

Fase I da Operação Penalidade Máxima e próximos passos

Relembre os jogadores envolvidos e como iniciou a fase l da Operação Penalidade Máxima.

A investigação ainda terá novos desdobramentos.

Carlos Vinícius Amorim

Carlos Vinícius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Na comunicação, escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de esports no The Clutch. Como assessor de imprensa, atuou no setor público e privado.