A extinta Copa Conmebol nunca foi a competição mais atrativa para os times sul-americanos. Mas, ainda assim, a sua conquista significava um título importante na galeria de troféus internacionais de um clube. A Coluna Catimbando desta semana recorda a campanha vitoriosa do Rosário Central no torneio de 1995, e explica o porquê da taça ser considerada a mais importante da equipe canalla.

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CONTEXTO

O momento do Rosário Central não era nada bom no início da temporada de 1995. Isso porque a equipe estava passando por dificuldades financeiras e tinha perdido nomes importantes do seu elenco, tais como os ídolos José Luís Rodríguez, Marcelo Delgado, além do craque Kily González. Os Canallas ainda enfrentavam um jejum de títulos que já durava oito anos. Enquanto isso, o arquirrival Newell's Old Boys vinha de duas finais recentes na Libertadores da América, nos anos de 1992 e 1988.

Nesse sentido, o clube rosarino se via pressionado a ganhar troféus, apesar de não ter como montar um bom elenco. Dessa forma, a diretoria do time auriazul apostou na contratação de um treinador que já tinha tido passagens bem sucedidas na instituição. Tratava-se do experiente técnico Ángel Tulio Zof. Assim, acreditava-se  que o comandante poderia fazer um bom trabalho mesmo não tendo jogadores de renome à disposição.

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Desse modo, as caras novas do Rosário Central para aquela temporada vieram da base ou de times de menor expressão. Assim, o atacante Martín Cardetti foi promovido ao time profissional e o desconhecido volante Eduardo Coudet foi contratado do pequeno Platense. A única novidade que integrou aquele elenco e que já era conhecido foi o centroavante RubénPolillitaDa Silva, que pertencia ao Boca Juniors.

A participação dos Canallas na Copa Conmebol daquele ano foi por acaso. Afinal, o clube ficou em 6º lugar no campeonato da temporada anterior, posição que não classificava a equipe para o torneio. Contudo, quatro dos cinco times que ficaram na frente do Rosário Central foram convidados para disputar a Supercopa Sul-Americana. Assim, San Lorenzo, Vélez, River e Boca optaram por não jogar a Copa Conmebol, e cederam a vaga para equipe rosarina.

O INÍCIO DA CAMINHADA

OITAVAS DE FINAL – DEFENSOR 1 x 3 ROSÁRIO CENTRAL (Jogo de ida)

O começo da jornada canalla começou em Montevidéu, no Uruguai. Os rosarinos não tiveram dificuldades e aplicaram 3 x 1 no Defensor. No 1º tempo o Rosário foi melhor, mas ainda assim os uruguaios resistiram bem à pressão. Apenas na etapa final o Central conseguiu abrir o placar. Primeiramente com Cardetti, após bela jogada jogada trabalhada. Posteriormente, Coudet marcou um golaço em um chute de longe. Por fim, Polillita fechou a conta. Os Tuertos descontaram com Jorge da Silva.

ROSARIO CENTRAL 2 x 1 DEFENSOR (Jogo da volta)

Com uma vantagem de dois gols no placar agregado, o Rosario fez um jogo tranquilo em seu estádio e venceu outra vez. Nesse sentido, o primeiro gol saiu ainda no 1º tempo, quando o armador PabloVitaminaSánchez cabeceou entre as pernas do goleiro um cruzamento de Coudet. Após abrir o placar, os Canallas continuavam superiores, mas perdiam muitas chances.

Nos últimos 45 minutos, o Central ainda era melhor e criava mais oportunidades de gol. Assim, ampliaram o placar com El Polillita Da Silva, que aproveitou o rebote após chute de Cardetti. Logo depois, o Defensor cresceu no jogo, mas esbarrava nas defesas de Bonano. Perto do fim, o árbitro assinalou pênalti para os uruguaios. O centroavante Jorge da Silva converteu a cobrança e deu números finais a partida.

O DESAFIO DE JOGAR NO DESERTO

QUARTAS DE FINAL – ROSARIO CENTRAL 2 x 0 COBRELOA (Jogo de ida)

O adversário das quartas de final era o tradicional Cobreloa, do Chile. Ao contrário do confronto anterior, este foi disputado primeiro na Argentina, no estádio Gigante de Arroyito. Outra vez, o Rosario não teve dificuldades de impor seu domínio na partida. Mas, por outro lado, não conseguia converter as jogadas criadas. Assim, o gol dos argentinos só saiu no 2º tempo, quando Cardetti finalizou e o arqueiro naranja deu o rebote nos pés de Sánchez, que abriu o placar.

No último lance da partida o Central ampliou a vantagem. Em uma cobrança de falta ensaiada, o lateral Héctor Carbonari soltou uma bomba de fora da área e marcou o 2º gol dos Canallas. Ao término do jogo, o técnico do Cobreloa saiu rindo mesmo com a derrota de seu time por 2 x 0. Quando questionado, o comandante chileno disse que seria fácil reverter o placar dos argentinos, uma vez que sua equipe revertera um 4 x 1 nas oitavas de final.

COBRELOA 1 x 3 ROSARIO CENTRAL (Jogo da volta)

Dia 22 de novembro de 1995, o Rosario foi até o deserto do Atacama onde fica o Municipal de Calama, estádio do Cobreloa. Os chilenos eram fortes jogando em casa e o calor da região era uma arma a mais contra os adversários internacionais. No entanto, o Central foi quem abriu o placar do jogo decisivo. Com apenas um minuto, o meia Omar Palma chutou duas vezes para fazer o 1º gol dos rosarinos.

No fim da etapa inicial, Cristian Daniele aumentou a vantagem dos Canallas com um finalização forte dentro da grande área. No 2º tempo os Naranjas diminuíram com Carreño. Contudo, oito minutos depois o oportunista Rúben Da Silva fez o 3º gol e decretou a classificação do Rosario.

A VEZ DOS PARAGUAUIOS

SEMIFINAL – ROSARIO CENTRAL 2 x 0 ATLÉTICO COLEGIALES (Jogo de ida)

Na semifinal da competição, os Canallas enfrentaram o pequenino Atlético Colegiales, do Paraguai. Assim como foi nas quartas de final, os argentinos jogaram em casa o 1º jogo. O Rosario confirmou o favoritismo e marcou os dois gols ainda na etapa inicial. Primeiramente, Gordillo abriu o placar aproveitando um rebote depois do chute de Da Silva. Logo depois, em um contra-ataque puxado pelo jovem Cardetti, “El Chacho” Coudet concluiu no canto e marcou o 2º e último gol da partida.

ATLÉTICO COLEGIALES 1 x 3 ROSARIO CENTRAL (Jogo de volta)

Na partida que carimbava a classificação para final da competição, o Rosario não decepcionou e voltou a vencer o Colegiales. Dessa vez a equipe de Zof só abriu o placar aos 40′ do 1º tempo. O artilheiro Da Silva serviu Carbonari que tocou na saída do goleiro e fez o gol. Logo depois, Sánchez deu belo passe para Cardetti driblar o goleiro e ampliar a vantagem.

No 2º tempo, Gómez venceu Bonano e descontou para o Le Azulón. No entanto, aos 11′, Coudet aumentou a vantagem dos argentinos com um chute no canto. O meio campista que veio do Platense marcara seu 3º gol na competição.

O DRAMA DO MILAGRE

FINAL – ATLÉTICO MINEIRO 4 x 0 ROSARIO CENTRAL (Jogo de ida)

Na última jornada para a conquista do título inédito, os Canallas jogariam contra o Atlético Mineiro, do Brasil. Apesar dos argentinos estarem invictos até aquela partida, a equipe brasileira era considerada favorita. Isso porque só times do Brasil tinham ganhado o torneio até então. Além do fato de que o clube alvinegro buscava o bicampeonato e tinha jogadores conhecidos no elenco, como por exemplo o goleiro Taffarel e o atacante Euller.

Diante de mais de 40 mil pessoas o Rosario encarou o Atlético no Mineirão. Ainda no começo do 1º tempo os brasileiros comemoraram o 1º gol do jogo marcado por Ézio, que cabecou para as redes após cruzamento de Leandro. Dessa forma, o Central adotou uma postura ofensiva e finalizou bastante, mas Taffarel fazia grandes defesas.

No início da etapa final, o Galo chegou ao 2º gol com Cairo, que driblou o goleiro Bonano e concluiu sem dificuldades. O time mineiro ampliou o placar depois que o zagueiro Federico Lussenhoff falhou e permitiu que a bola chegasse para Renaldo. O atacante tocou para Paulo Roberto finalizar e aumentar a vantagem. O Atlético decretou a goleada após um contra ataque fatal, que terminou em um chute certeiro do meia Silva.

ROSARIO CENTRAL 4 (4) x 0 (3) ATLÉTICO MINEIRO

No último duelo da Copa, apesar da grande desvantagem, os torcedores do Rosário lotaram o estádio Gigante de Arroyito. Com uma postura totalmente ofensiva, o Central abriu o placar aos 23′, com Polillita Da Silva finalizando no canto após cruzamento rasteiro. O 2º gol dos rosarinos saiu depois de um chute forte de Carbonari em cobrança de falta. Ainda no 1º tempo, os Canallas marcaram o 3º. Cardetti recebeu ótimo passe e concluiu com perfeição na saída de Taffarel.

Os últimos 45 minutos começou com a torcida local entusiasmada e bastante esperançosa. Contudo, os atleticanos conseguiram controlar os nervos e esfriar a partida. Faltando menos de 10 minutos para o fim do jogo, Carbonari saltou para cabecear no cantinho e encaminhar o maior milagre da história do Rosario Central. O duelo terminou empatado e apesar de ainda haver disputa por pênaltis, os Canallas comemoravam euforicamente.

O Galo começou cobrando as penalidades. Na 1ª cobrança Doriva jogou por cima da baliza e desperdiçou. Omar Palma deslocou o goleiro brasileiro e colocou os argentinos na frente. Leandro finalizou na trave e perdeu mais um penal. Mario Pobersnik ampliou a vantagem do Central. Ronaldo Guiaro finalmente descontou para os mineiros, enquanto Carbonari manteve a distância no placar. Taffarel converteu sua cobrança e defendeu a batida de Colusso. Euller marcou e empatou, mas Polillita também concluiu com perfeição e encerrou da melhor maneira o drama dos Canallas.

Foto Destaque: Reprodução/MuseuvirtualdoFutebol.blogspot

 

Enzo Gabriel
Enzo Gabriel
Sou o Enzo, sou de Brasília e tenho 20 anos. Completamente apaixonado por futebol e totalmente focado em virar um grande jornalista esportivo. Por enquanto faço sociologia na Universidade de Brasília

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