Chegam as rodadas finais, e o Brasileirão vai afunilando. O desespero toma de conta daqueles que são perturbados pelo fantasma do rebaixamento. Botafogo e Coritiba parecem ter o destino sacramentado. O Goiás ensaia uma reação tímida quase no apagar das luzes. Bahia, Fortaleza, Vasco e Sport Recife brigam para não ocupar a 17ª colocação. Aqui vai um panorama do caminho trilhado por essas equipes e do que elas precisam para fugir da degola.

O drama do Botafogo. 3º rebaixamento?!

Na lanterna, o Glorioso pode ter sua queda ratificada na próxima rodada. Enfim, “um facho de luz”. Beirando 100% de chance de rebaixamento – segundo o Chance de Gol – o clube carioca teme o mesmo destino do Cruzeiro: uma queda melancólica que pode levar à permanência na Série B. Enfim, o sprint negativo de seis derrotas não é o pior. Antes, o Botafogo perdeu sete partidas consecutivas. No 1º turno, frequentemente empatava. No 2º, coleciona resultados negativos.

A constante troca de técnicos pesa contra o Fogão. Em 32 jogos, o clube foi treinado por Paulo Autuori, Bruno Lazaroni, Ramón Díaz e Eduardo Barroca (descontando as rodadas sob o comando do técnico interino Flávio Tenius). Precisando vencer a todo custo, o Botafogo encara equipes do G6 (Palmeiras, Grêmio e São Paulo) e faz confrontos diretos com Sport e Goiás. Fecha a sua participação contra o Ceará.

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Coxa Branca e o medo do bate-volta

3º colocado da Série B 2019, o Coritiba caminha a passos largos para a degola. Conforme o Chance de Gol, o Coxa tem 99,1% de chance de queda. O clube paranaense faz os jogos teoricamente mais difíceis em casa (Grêmio, Palmeiras e Ceará). Longe do Couto Pereira, enfrentará Fortaleza, Santos e Atlético-GO. Todavia, o retrospecto não ajuda. O Coxa Branca só venceu uma partida no 2º turno. Assim como o Fogão, abusou da troca de comando.

Eduardo Barroca, Jorginho, Rodrigo Santana e Gustavo Morínigo (além dos interinos Pachequinho e Júlio Sérgio) dirigiram o time na Série A. Atolado na zona de rebaixamento, o Coritiba entra na reta final sem muitas perspectivas. Contudo, não entrega os pontos de bandeja. Sobretudo, o 3 x 3 épico contra o Fluminense é o recibo de quem decidiu brigar com a matemática. Como resultado é o que importa, precisa da sequência perfeita.

A luta do Goiás contra o rebaixamento

Se reveza com Coritiba e Botafogo na última posição desde o 1º turno. O Goiás cresceu – ainda que a passos de tartaruga – nas últimas rodadas. Verde é a cor da esperança de quem venceu três dos sete jogos passados (embora tenha sido goleado em casa duas vezes nesse intervalo de tempo). 92,3% assusta, mas é um dano reversível. A razão? Os duelos com Bahia (F), Botafogo (C) e Vasco da Gama (F).

Eventualmente esses nove pontos farão diferença, mas serão inúteis se o Esmeraldino perder para Fluminense (F), Atlético-MG (C) e Bragantino (C). Também segue a famigerada dança das cadeiras. Portanto, Ney Franco, Thiago Larghi, Enderson Moreira e Augusto César – além do interino Glauber Ramos – são os que sentaram no banco do Goiás nessa temporada. Acima de tudo é preciso reagir e não vacilar mais. Rafael Moura, o He-Man, é o talismã dos goianos.

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Fortaleza sem Rogério Ceni 

Atualmente há um consenso entre os jornalistas esportivos de que Fortaleza e Rogério Ceni se tornaram forças codependentes. Juntos são fortes, separados nem tanto. O treinador acumula percalços na sua passagem pelo Flamengo, enquanto o Tricolor do Pici degringolou no 2º turno. A campanha confortável virou um calvário. Marcelo Chamusca não conseguiu segurar o rojão, e hoje Enderson Moreira é o responsável pela tarefa de manter o clube cearense na elite.

Para o alívio da sua apaixonada e fiel torcida, o Leão possui o menor risco de rebaixamento entre os sete candidatos à queda: 13,4%. A tabela de jogos justifica esse dado, apesar da equipe se encontrar na zona de rebaixamento. O Tricolor de Aço pega Coritiba, Vasco da Gama e Bahia no Castelão. Nesse sentido, três vitórias devem eliminar o perigo. De antemão encara pedreiras fora de casa: Atlético-MG, Palmeiras e Fluminense.

Bahia descendo a ladeira?

A princípio, o Tricolor da Boa Terra não era candidato ao rebaixamento. Entretanto, seu desempenho fraco e a regularidade negativa o levaram à luta contra a degola. Adepto do troca-troca, o vice-campeão nordestino Bahia não manteve o planejamento. Roger Machado, Mano Menezes e Dado Cavalcanti comandaram o time até o momento – Cláudio Prates fez o tapa buraco na 8ª e 9ª rodada. De acordo com o Chance de Gol, o Bahia tem 24% de chance de queda.

A falta de uma identidade de jogo bem definida após a saída de Roger afetou bastante um time acostumado ao DNA ofensivo das triangulações rápidas. Todavia, hoje corre o risco de fazer companhia ao arquirrival Vitória na próxima temporada. As partidas finais serão contra Vasco da Gama (F), Fluminense (C), Goiás (C), Atlético-MG (F), Fortaleza (F) e Santos (C). Em suma, uma trilha estreita. Todavia, menos áspera que a estrada do Sport.

Sport Recife: contra o VAR e a degola

A nossa análise do campeonato que faz o Sport destoa um pouco das demais. Figurando nas primeiras posições – à época do início da competição –, o clube pernambucano sucumbiu nas suas pretensões de buscar uma vaga na Copa Sul-Americana. Hoje a chance de atingir esse objetivo é de 0,3%. Por outro lado, a probabilidade de rebaixamento é de 49,3%. A princípio vai disputar cada pedaço de grama com o Bahia até o final.

Ao contrário dos  seus concorrentes, o Sport Recife só trocou de técnico uma vez. Daniel Paulista cedeu o lugar a Jair Ventura. Ao longo do Brasileirão, o Leão da Ilha do Retiro reclamou de uma série de decisões da arbitragem de vídeo. Já nos manifestamos a respeito. Por fim, o caminho é muito complicado: jogos com Flamengo (C), Internacional (F) e Atlético-MG (C) – candidatos ao título. Enfrenta também Botafogo (F), Bragantino (C) e Athletico-PR (F).

Rebaixamento: o velho inimigo do Vasco da Gama

É deprimente para os amantes do futebol falar do Vasco após seu segundo rebaixamento. Em outras palavras, o tetracampeão brasileiro é familiarizado com a briga para não cair. Todavia, o presidente Jorge Salgado assumiu com a promessa de recuperar o Cruzmaltino entre três e seis anos. Na minha opinião, os projetos de longo prazo são imprescindíveis. Ramon Menezes e Ricardo Sá Pinto não fizeram o escrete vascaíno render.

Definitivamente, Luxemburgo colocou ordem na casa. Afinal, o Vascão saiu da zona e agora busca se manter fora dela. Entretanto, nas próximas partidas fará dois confrontos diretos e um clássico: Bahia (C), Flamengo (F) e Fortaleza (F). Encerra a sua participação na Série A 2020 diante de Internacional (C), Corinthians (F) e Goiás (C). Contudo, de acordo com o Chance de Gol, o risco do Vasco da Gama ser rebaixado só não é menor que o do Fortaleza: 21,9%.

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Foto destaque: Divulgação/Torcedores

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.

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