Nesta semana, a coluna Catimbando traz a história de Francisco Varallo. Certamente, foi um camisa 9 de sucesso. Pancho é um dos maiores artilheiros do Boca Juniors e que, mesmo com uma carreira curta, deixou sua marca no futebol argentino.

INÍCIO NO FUTEBOL: GIMNASIA Y ESGRIMA LA PLATA

Francisco Varallo nasceu na cidade de La Plata, em 5 de fevereiro de 1910. Cañoncito, como era conhecido, começou a jogar no 12 de Octubre e passou pelas divisões de base do Estudiantes. Entretanto, foi no rival Gimnasia y Esgrima La Plata, onde iniciou sua trajetória no futebol. Aos 18 anos, fez sua estreia pelo Tripero contra o Nuevo Mundo, por 8 x 1, e Pancho converteu sete gols.

Assim, o jovem Varallo sonhava que seu nome ficasse marcado na história do futebol. No entanto, isso não demorou para acontecer. No ano seguinte, Pancho foi campeão argentino ao vencer o Boca Juniors, por 2 x 1. Logo, o atacante passou a chamar a atenção dos clubes argentinos.

SELEÇÃO ARGENTINA

Em contrapartida, após se destacar no Gimnasia, Francisco Varallo foi convocado para a primeira Copa do Mundo em 1930. O atacante foi titular em quatro dos cinco jogos da Argentina no Mundial do Uruguai. Seu gol foi assinalado na vitória, por 6 x 3, sobre o México, ainda na fase de grupos. A única ausência aconteceu na semifinal, contra os Estados Unidos, devido a uma lesão. Enquanto Pancho comemorava um dos gols na vitória sobre o Chile, Guillermo Subiabre acertou covardemente seu joelho.

Apesar de sentir fortes dores, Varallo forçou seu retorno ao time para a final. Sentiu na pele a derrota por 4 x 2 para o Uruguai, diante de 93 mil olhares no Estádio Centenário. Aquele vice-campeonato foi a maior mágoa da carreira de Pancho. A “vingança” veio apenas em 1933, em um amistoso em Montevidéu, contra os donos da casa. A Albiceleste venceu por 1 x 0 com gol de Cañoncito.

Sua única conquista com a camisa da Seleção Argentina foi o Campeonato Sul-Americano de 1937. Varallo guardou três gols na campanha da Albiceleste, assim sendo dois contra o Chile e um contra o Uruguai.

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BOCA JUNIORS 

Em 1931, com início da era do futebol profissional, Varallo chegou ao Boca Juniors. Porém, antes de ir para o clube, teve que ser convencido por seus familiares, pois não queria sair do Gimnasia. Pancho era muito grato ao Tripero, pois o time o livrou do serviço militar. Entretanto, após a insistência de sua família, o atacante aceitou a proposta.

Com a camisa azul e ouro estreou contra o Chacarita, mas passou em branco. Foi no terceiro jogo, contra o Ferro, que o atacante balançou as redes pela primeira vez. Poucas rodadas depois, Cañoncito enfrentou seu time de coração e não teve conhecimento do adversário. Naquela partida, fez nada menos que quatro gols em sua querida Gimnasia.

Com um chute potente e baixa estatura, Cañoncito balançou a rede muitas vezes. Em nove edições do Campeonato Argentino foram 181 gols. Dessa forma, sua média mais incrível foi em 1933, pois Varallo terminou como artilheiro da liga nacional com 34 gols em 34 jogos. Por muito tempo foi o maior artilheiro da história do Boca, mas somente em 2008 Martín Palermo superou essa marca.

No Boca JuniorsPancho fez parte de um dos maiores trios da história do clube nos anos 30. Ao lado de Roberto Cherro e do paraguaio Delfín Benítez Cáceres, o ataque dos Xeneizes marcou 499 gols. Assim, formaram o tridente mais temido da época.

Definitivamente, o número de troféus em sua carreira foi bem abaixo da sua intensidade dentro dos campos. Varallo conquistou apenas três títulos com o Boca Juniors. Logo, o primeiro veio em 1931, e o outro bicampeonato em 1934 e 1935.

APOSENTADORIA PRECOCE

O auge de Francisco Varallo durou relativamente pouco. Entrou em má fase e em 1938 só pôde jogar apenas uma vez, enquanto em 1939 já não conseguiu marcar duas vezes em uma única partida. Para o nível que sempre apresentou, isso era considerado um verdadeiro fracasso. Assim, devido as lesões no joelho, decidiu encerrar sua carreira em 1940, quando tinha apenas 30 anos.

O ADEUS DE PANCHO VARALLO

No dia 30 de agosto de 2010, aos 100 anos, Francisco Varallo faleceu. Apesar de sua longevidade, Pancho morreu lúcido e rodeado de respeito por sua história no futebol argentino.

Foto Destaque: Arquivo/Trivela

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Jaqueline Braga
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