O Brasil é recheado de ótimas histórias. Como país do futebol, é natural que tenhamos, além de muitos craques com a bola no pé, outros tantos com o lápis e papel, microfone, celular, computador, gravador ou sei lá, na mão. Fato é que essa riqueza do nosso futebol foi muito graças as narradores, comentaristas, repórteres, cronistas, enfim, jornalistas esportivos dedicados a levar ao pública a emoção e a informação da melhor maneira possível.

O jornalismo esportivo não se prende apenas a televisão. O futebol surgiu no século XIX e, naquela época, o jornalismo impresso é o que reinava. Portanto, cada um ao seu estilo, fizeram história no jornalismo brasileiro. Uns com a voz, do mesmo modo outros deram voz aos livros e crônicas. Da mesma forma como há os que criaram um legado no jornalismo, bem como os que transformaram a narração esportiva. E, por fim, os que são sinônimos de jornalismo esportivo. Sem mais delongas, confira o nosso top 10.

Top 10 jornalistas esportivos mais importantes do Brasil

10 – Nicolau Tuma

Provavelmente desconhecido dos mais jovens, Nicolau Tuma foi certamente um importante jornalista e radialista nos primórdios do rádio. Ficou famoso quando, com apenas 20 anos, transformou a narração esportiva brasileira. Antes de tudo, o Brasil foi campeão sul-americano em 1919 e os torcedores começaram a ter pressa para receber notícias sobre o andamento dos jogos, ainda mais em dia de decisão.

As narrações eram de forma pausadas, até então, não representando os padrões de locução conhecidos nos rádios atualmente. O pioneiro da transformação da forma de narrar, lance a lance, jogada após jogada, foi Nicolau Tuma, isto é, o primeiro narrador a irradiar uma partida de futebol continuamente durante 90 minutos de jogo. Assim nasceu a narração esportiva, no dia 19 de julho de 1931.

Naquele tempo não havia repórter de campo. Então, Tuma precisou se desdobrar para conseguir passar todas as informações do jogo. Nessa época, os jogadores ainda não tinham números em suas camisas. Assim, antes de começar o jogo, o locutor foi até o vestiário, decorou os nomes e os rostos do elenco dos dois times.

Também se preocupou em explicar as regras do esporte, pois futebol ainda não era tão popular quanto nos dias atuais. Tuma narrava com tantos detalhes e tão rápido que ganhou o apelido de Speaker Metralhadora. Em conclusão, a primeira transmissão foi do jogo entre as seleções de São Paulo e Paraná, que terminou com vitória dos paulistas por 6 x 4.

9 – Walter Abrahão

Considerado um dos mais importantes nomes da narração esportiva da televisão brasileira, Walter Abrahão começou como radialista nas Emissoras Associados de São Paulo. Logo depois, fez sucesso na TV Tupi, como locutor esportivo nas décadas de 1960 e 1970. Apresentou também programas esportivos junto a outros nomes da profissão.

Na década de 1980 trabalhou na TVS (atual SBT) e na Manchete, participando de seis Copas do Mundo neste período. Mas, além da ampla contribuição para o jornalismo esportivo, um dos seus principais feitos é que foi considerado o inventor do “replay” esportivo quando utilizou este artifício pela primeira vez em 1963, chamando-o de “bi-lance”. A invenção consistia em repetir algumas jogadas da partida durante a transmissão. Já imaginou assistir a um jogo na TV hoje sem bi-lance?

Três anos depois, na Copa da Inglaterra, foi mostrado ao mundo, pela TV inglesa, o famoso “replay”, que nada mais era do que o “bi-lance” de Abrahão. Foi o criador da “escolha do melhor em campo” com premiação, do sistema de jogo de vôlei sem vantagem, com contagem direta. Ainda no vôlei, ele diz que inventou o tie-break.

Walter Abrahão foi o primeiro locutor a transmitir esporte via satélite para o Brasil, além de narrar a última partida de Pelé, realizada entre Cosmos e Santos, em New Jersey-EUA. Em suma, foi um dos narradores mais premiados do país com Troféus Imprensa, Roquette Pinto, Gandula e Rio de Janeiro. Narrou todos os esporte, inclusive a vitoriosa carreira de Éder Jofre.

8 – Armando Nogueira

Acriano, botafoguense e dono do melhor texto esportivo do Brasil, segundo os próprios jornalistas: este foi Armando Nogueira. Foram 15 Copas do Mundo, sete Jogos Olímpicos e 10 livros sobre esportes. Passou pelos mais importantes jornais e revistas do país. Seu estilo poético e romântico fez parte da história da imprensa.

Foi pioneiro na televisão brasileira, ao trabalhar, a partir de 1959, na primeira produtora independente do país, onde escrevia textos para os locutores Cid Moreira e Heron Domingues lerem na antiga TV Rio. Foi para a Globo em 1966, sendo um dos responsáveis por implementar o telejornalismo da emissora. Assim, o telejornalismo, que antes era visto como uma coisa menor, passou a atrair o interesse dos profissionais e do grande público.

Nos 25 anos que passou na Globo foi responsável ainda pela implantação do jornalismo em rede nacional e pela criação dos noticiosos Jornal Nacional e Globo Repórter. Mas sua paixão sempre foi o esporte, em especial o futebol. A partir de 1954, esteve presente na cobertura todas as Copas do Mundo e, desde 1980, de todos os Jogos Olímpicos.

7 – Orlando Duarte

Um dos mais completos jornalistas esportivos do Brasil ainda está vivo. Orlando Duarte Figueiredo faz parte do jornalismo raiz brasileiro, digamos assim. Dezenas de jornais brasileiro publicavam sua coluna “O Informal”. Apresentou o “Câmara Esporte Clube”, na TV Câmara, e tem extensa experiência em Copas, Jogos Olímpicos e Pan-Americanos.

Orlando cobriu oito Olimpíadas, todas as Copas do Mundo desde 1950 até 2006, totalizando 15. Sua larga vivência em Pans o tornou referência. Escreveu 32 livros sobre a história e as regras de diversos esportes, conhece 50% do mundo e preencheu 17 passaportes. Passou pelos mais importantes jornais impressos, rádios e emissoras de televisão do país.

Durante os anos 60 era o jornalista responsável por cobrir, sempre de perto, o eterno Santos, e acabou se tornando amigo pessoal de Pelé. Mais tarde, escreveu a biografia oficial do jogador. É um dos narradores no documentário Pelé Eterno e o único narrador escolhido para o documentário Fifa Fever (DVD em comemoração aos 100 anos da entidade máxima do futebol).

6 – Pedro Luiz Paoliello

Narrador, comentarista, radialista, diretor enfim, um jornalista completo. Pedro Luiz é considerado um dos mais técnicos e completos narradores esportivos da história do rádio brasileiro. Segundo o livro Os Mestres do Espetáculo, feito através de opinião de jornalistas que conviveram com os personagens, Pedro é o terceiro maior deles. Participou de 12 Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Com ampla determinação profissional, fez inovações ao longo da cobertura esportiva e se tornou referência com um jeito único de narrar e agir. Extremamente preciso, narrava os lances em cima das jogadas. Seu amplo poder de improvisação e técnica nunca vista antes, alinhadas a um vocabulário excelente e sem repetições, Paoliello fez escola na narração esportiva brasileira.

“Pedro era brilhante. Deve ser considerado o melhor de sua época”, afirmou Teixeira Heizer. “Um cara genial que valorizou a profissão do jornalismo esportivo. Carregou gerações. Valorizou a profissão e criou uma escola”, contou Flávio Prado.

“Sempre improvisou. Nunca escrevia um texto. Era capaz de transmitir qualquer esporte por uma ou duas horas sem parar”, assim definiu Fernando Solera. “Descrição correta, em cima do lance… Um profissional de rádio e televisão completo. Absurdamente um gênio da comunicação”, exaltou Luis Roberto de Múcio.

5 – Galvão Bueno

Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno é, disparado, o mais famoso de todos da lista. Impecável jornalista, Galvão é capaz de transmitir com muita técnica e emoção qualquer esporte que se ponha a fazer. E não somente narra, como domina a maioria deles com amplo conhecimento. Narrou os momentos mais importantes do esporte nacional, como o tetra e o pentacampeonato da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo.

Também narrou a trágica morte de seu amigo pessoal, o herói nacional e piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna em 1994. Dono de inúmeros bordões, costuma enfatizar o Brasil e os brasileiros em todas as transmissões internacionais. Mas, dada sua popularidade, vive de amores e ódios dos torcedores, mas são incontáveis seus momentos no jornalismo esportivo, sendo um símbolo da comunicação brasileira.

De fato é um dos melhores e maiores narradores esportivos que a televisão já produziu. A junção de paixão e conhecimento, envolvimento e técnica, opinião própria e o dever da imparcialidade, o óbvio e a surpresa. Assim, Galvão mescla tudo o que pode e o que não pode numa mesma transmissão e sai perfeito. Amado ou odiado, é um dos jornalistas mais respeitados não só no Brasil, como no mundo.

4 – Luciano do Valle

Narrador esportivo, radialista, apresentador de TV e um jornalista completo. Luciano do Valle foi um ícone do jornalismo esportivo. Narrou inúmeras Copas do Mundo e era protagonista em todas as emissoras, como Globo, Record e Bandeirantes. Foi o responsável por introduzir “outros esportes” no Brasil nas décadas e 1980 e 1990, quando somente o futebol era “famoso”.

Narrava futebol no rádio, como tantos outros, mas começou a fazer também vôlei e basquete, sendo seu diferencial. Transmitiu a Copa de 1970 no tricampeonato do Brasil. Na Globo, sua primeira transmissão foi de basquete masculino. Narrou Fórmula 1 no segundo título de Emerson Fittipaldi.

Momentos marcantes

Entre tantos momentos marcantes, narrou a vitória do piloto brasileiro José Carlos Pace no GP do Brasil de 1975 e também o acidente de Niki Lauda no GP da Alemanha de 1976. Seu primeiro grande feito foi a organização, em julho de 1983, do Grande Desafio de Vôlei entre as seleções masculinas do Brasil e da União Soviética, no Estádio do Maracanã, com transmissão ao vivo da Record.

Com um público de mais de 95 mil pessoas, a partida é considerada como um divisor de águas no esporte brasileiro e detém, até hoje, o recorde de público numa partida de vôlei. Além disso, ajudou a tornar ídolos nacionais jogadores como Bernard, William, Montanaro e Renan, que depois ficaram conhecidos como a “Geração de Prata” do vôlei brasileiro.

Na Band, com o slogan o “Canal do Esporte”, criou o programa de longa duração Show do Esporte, que levava para a TV mais de 10 horas de programação esportiva aos domingos, que apresentava diversos tipos de eventos esportivos, desde jogos de sinuca, boxe, automobilismo, vôlei, basquete e demais esportes olímpicos. Foi também o precursor nas transmissões da Fórmula Indy, a partir de 1985, da NBA e do futebol americano no Brasil. Assim, na televisão, não teve maior.

3 – Osmar Santos

“Pai da Matéria”, como ficou conhecido, é, segundo o livro “Os Mestres do Espetáculo” maior narradores esportivo da história do rádio brasileiro. Icônico na Jovem Pan, Record e Globo, Osmar nunca quis “fazer apenas o seu trabalho”, de fato esta fadado a mudar a história do jornalismo esportivo no Brasil.

Extremamente criativo, comunicativo, o narrador, radialista e apresentador se importava com o seu arredor também. Assim, teve um importante momento na política nacional quando foi o locutor das Diretas Já. Transmitiu as Copas de 74, 78, 82, 86, 90 e o título de 1994. Com uma linguagem jovem, bom humor e, principalmente, pelos bordões que eram facilmente aceitos pelo povo e caiam na boca da galera, ecoando pelos estádios.

“O maior gênio da narração esportiva. Tinha uma verdadeira usina, fábrica de bordões”, contou Quartarollo. Divisor de águas na narração esportiva. Grande artista do microfone. Mudou a linguagem da narração esportiva do Brasil, afirmou Nilson César“Revolucionou! Aliou velocidade, sem perder a técnica, com uma linguagem nova e expressões não usuais. Virou febre!”, comentou Cláudio Zaidan.

Osmar por Pedro Luiz Paoliello

“O Osmar transforma o futebol de hoje num espetáculo romântico, alegre, descontraído. Ele faz o show. Na minha época, o próprio futebol é que era romântico, alegre, era um show. A melhor maneira de definir o trabalho que este garoto está fazendo é usar o automobilismo. Osmar narra em ritmo de Fórmula 1. Na minha época se transmitia futebol na velocidade de um Simca Tufão. É um Oswald de Andrade das transmissões esportivas“.

2 – Nelson Rodrigues

Nelson Rodrigues ajudou a fazer do Brasil o país do futebol. O esporte que move sonhos e paixões, muito se tem dos dedos dele nisso. Era capaz de transmitir sentimentos em palavras como ninguém. Maior dramaturgo e um dos maiores cronistas esportivos do país, suas frases e expressões se eternizaram na boca dos torcedores. Este é um dos homens que transformou o jornalismo esportivo em espetáculo.

Porém, seu estilo de escrita ia na contramão do jornalismo praticado na época. Sempre apostou em textos com grande elaboração literária e uma estética repleta de exageros, que surpreendia o leitor pelo inusitado, sempre adjetivando e detalhando o que para muitos nada era. Criou no imaginário de todos que o liam que o futebol praticado pelos brasileiro era algo genial, mágico, fabuloso e único.

Gostava de entrar na alma de um jogo, como se fosse possível, mas para ele realmente era. Seu poder de interpretação de uma partida era tamanho que poderia transformar uma tragédia numa aula de esperança por dias melhores. Tratava com emoções humanas e dizia: “o pior cego é aquele que só vê a bola”. Gostava de apelidar jogadores em seus textos, tornando Pelé um rei.

Sua contribuição no jornalismo esportivo vai muito além de por onde passou, como veículos, é algo enraizado na memória e no coração de quem o leu. Além da ampla contribuição esportiva, foi um dos maiores dramaturgos da língua portuguesa ao lado de Fernando Pessoa.

Assim, com um olhar observador com incrível peculiaridade, espirituoso, genial, frasista incomparável. Fez  história na imprensa, no teatro e arriscou-se na TV, participando da famosa e pioneira mesa Redonda “Grande Resenha Facit”. Sua maior contribuição foi com a paixão do torcedor.

1 – Mário Filho

O maior jornalista esportivo do Brasil é o Maracanã. Ou pelo menos quem o nomeia: Mário Filho. Teve seu nome dado ao maior estádio do mundo devido ao reconhecimento pelo seu apoio à construção do palco máximo do futebol. Também nomeou o “Fla-Flu”, clássico entre Flamengo e Fluminense. Foi responsável por organizar o primeiro desfile competitivo de escolas de samba do Carnaval do Rio de Janeiro através do seu jornal, Mundo Sportivo.

Revolucionou o modo como a imprensa mostrava os jogadores e descrevia as partidas, adotando uma abordagem mais direta e livre de rebuscamentos, inspirado no linguajar dos torcedores. Fundou aquele que é considerado o primeiro jornal totalmente esportivo do Brasil: o Mundo Sportivo.

No jornal “O Globo” manteve a linha de linguagem popular e assim ajudou a transformar o futebol, então um atividade da elite, em um esporte das massas. Em 1936 comprou de Roberto Marinho o Jornal dos Sports. Lá, criou diversos jogos locais e o Torneio Rio-São Paulo, que cresceu e se tornou o atual Campeonato Brasileiro. Os outros esportes, como as regatas e o turfe, também mereciam de Mário uma cobertura apaixonada.

No final da década de 1940, lutou pela imprensa esportiva contra o então vereador Carlos Lacerda que desejava criar um estádio para a Copa do Mundo de 1950 em Jacarepaguá. Mas Mário convenceu a opinião pública carioca de que o melhor lugar era no bairro do Maracanã e que deveria ser o maior do mundo, com capacidade para mais de 150 mil pessoas. Decerto, não podia estar mais certo.

Nelson Rodrigues x Mário Filho

Autor de seis livros sobre futebol, sua obra se tornou referência nacional. Seu irmão, top 2 deste texto, Nelson Rodrigues, o definiu como “o criador de multidões”, pela sua importância na popularização do futebol no Rio de Janeiro e no Brasil. Mário anteviu a importância que o futebol teria nas décadas seguintes para a cultura de massa.

Quem não se preocupava com futebol descobriu, de um momento para outro, uma vocação irresistível de torcedor. Pioneiro, um inovador da abordagem do futebol. Se Nelson Rodrigues contribuiu para a paixão do torcedor, Mário era a paixão. Enquanto Nelson buscava o épico, Mário cultivava o humano.

Nada disso aparece no irmão mais velho. Mário Filho fala do capitão de time que não tem tostão para pegar o bonde, do jogador honesto demais para fazer falta em um companheiro de trabalho, do perneta que jogava futebol. Assim, mostrando tipos muito próximos dos torcedores.

Portanto, dando a sensação que os protagonistas de suas crônicas poderiam ser seus vizinhos, amigos ou até eles mesmos. Mas, seu senso de humanidade, de entender as dores do torcedor, é o maior legado deixado no jornalismo esportivo.

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Eric Filardi
Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, criado em Taboão da Serra, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.
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