Argentina Copas 1942 e 1946

Antes de tudo, o século XX foi palco de muito conflitos políticos, sociais, econômicos e bélicos. Dentre os mais “famosos” e que causaram as piores destruições, com grandes números de mortos, estão a 1ª e a 2ª Guerra Mundial. Uma aconteceu entre os anos 1914 e 1918, enquanto a outra ocorreu de 1939 a 1945. Conforme as suas dimensões, ambas paralisaram diversos eventos ao redor do planeta. Inclusive as Copas do Mundo de 1942 e 1946, que teve sua primeira edição em 1930, no Uruguai, e que acontece de quatro em quatro anos.

2ª Guerra Mundial
Soldados desembarcando na costa francesa da Normandia durante a 2ª Guerra Mundial – Foto: Reprodução/UOL

Dessa forma, a FIFA cancelou a realização dos torneios que estavam marcados para esses anos. Posto que, alguns dos países mais tradicionais no esporte estavam envolvidos naquele poderoso conflito. Aliás, algumas seleções perderam muitos jogadores que foram participar das batalhas. Mas uma questão que assola o universo esportivo há bastante tempo levanta uma curiosidade. Afinal, o que teria acontecido nas Copas de 1942 e 1946 caso elas tivessem sido realizadas?

De acordo com alguns estudos e uma análise do jornal Folha de São Paulo (9 nov. 1997), a Argentina, Los Hermanos, teria conquistado os dois campeonatos. Ou seja, hoje a equipe de Messi poderia ser tetracampeã do mundo. Então, o Futebol na Veia, por meio da coluna Catimbando desta semana, esclarece essa possibilidade interessantíssima sobre a história – como diz o filósofo Charles Renouvier – “não tal como ela foi, mas como teria podido ser.”

A Argentina teria ganho as copas de 1942 e 1946

Copa de 1942

A princípio, para chegar a esta conclusão, é necessário levar alguns fatores em consideração. Antes de mais nada, em 42, a própria Argentina seria o provável país sede do torneio mundial. Afinal, a Europa era um completo cenário de destruição na época. Então, o evento deveria acontecer em outro lugar, e a América do Sul seria o ideal.

Além disso, o Uruguai já tinha sediado a edição de 1930 e o Brasil não tinha estrutura econômica e nem relevância esportiva àquela altura. Portanto, sobrava o país da seleção Albiceleste. Já que tinha cacife financeiro e uma equipe muito forte.

Outro fator determinante para chegar nesta conclusão é a força e capacidade competitiva daquela seleção. Uma vez que conquistaram o torneio Sul-Americano em 1941. Sem contar que o elenco estava mais entrosado do que os dos seus principais adversários. Posto que, o time argentino disputou mais jogos do que os rivais. Em suma, a equipe jogou 43 partidas entre 1941 e 1945, contra 31 do Uruguai, 17 do Brasil, 19 da Alemanha e da Suécia, 16 da Suíça, oito da Espanha e apenas três da Itália (até então, a atual campeã mundial).

Seleção Argentina
Seleção Argentina na década de 1940 – Foto: Reprodução/Imortais do Futebol

Por fim, a Argentina não ter participado da guerra favoreceu muito a seleção. Visto que, outros países, principalmente europeus, sofreram muito nos confrontos armados. Só para ilustrar, as batalhas provocaram a morte de pelo menos 75 jogadores britânicos. De acordo com o famoso Stanley Matthews – o mago do drible e primeiro jogador de futebol profissional nomeado Cavaleiro do Império Britânico – “a Inglaterra foi prejudicada pela guerra, porque depois nunca tivemos um time tão bom”.

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Outras possibilidades

Decerto, esta é apenas uma projeção. Contudo, é bastante plausível. Mas deve-se acrescentar também outras três possibilidades. Afinal, a Itália também era uma forte concorrente ao título. Pois era a atual bicampeã, em 1934 e 1938, e poderia chegar em 1942 com boas chances de ganhar novamente. Além disso, o técnico das edições anteriores, Vittorio Pozzo, permaneceu no comando da equipe até 1948, e existia uma grande colônia italiana na Argentina, que poderia criar uma clima favorável para a Azzurra.

Em seguida, Uruguai e Brasil aparecem como possíveis candidatos a ter conquistado aquele torneio. A Celesete com toda a certeza seria uma forte concorrente ao título, por já ter ganho em 1930, possuir grande tradição, rivalidade e por estar localizada próximo ao país sede. Enquanto isso, a Canarinho também tinha boas chances. De tal forma que o país ficou em 3º lugar na Copa anterior e o seus principais jogadores, como Domingos da Guia e Leônidas, chegariam no auge da maturidade para a edição de 1942.

Copa de 1946

Para a Copa de Mundo de 1946, Portugal e Suécia eram as principais possibilidades para sediar a competição. No entanto, o país do norte da Europa tinha mais chances. Uma vez que ficou neutro durante a Guerra, sem sofrer grandes problemas e tinha maior tradição no futebol. Contudo, mesmo nessa edição, a Argentina também seria favorita para levar o caneco.

Ainda mais porque o extraordinário River Plate, conhecido pelo apelido de La Máquina, era a base daquela seleção. Em síntese, a linha de ataque do time era formada por Muñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Loustau. Além disso, a equipe conquistou a Copa América daquele ano e do ano anterior. Só para exemplificar, tempos depois, um dos jogadores do time, Rinaldo Martino, disse que a geração dos anos 1940 da Argentina era melhor do que a vencedora das Copas de 1978 e 1986.

La Máquina
La Máquina do River Plate na década de 1940 – Foto: Reprodução/Mauro Beting/UOL

Porém, assim como na edição anterior, a Itália também seria, mais uma vez, candidata ao título. Até porque, a base da Azzurra naquela época era o vitorioso time do Torino, que na temporada 1947/48 marcou 125 gols. Da mesma forma o Uruguai. Pois, praticamente aquele mesmo elenco foi campeão em 1950, no Brasil. Embora, os protagonistas do Maracanaço, Ghiggia e Schiaffino, fossem ainda muito jovens.

A Guerra afetou a história da Argentina

Por fim, diante de todas estas análises, é muito provável que a Argentina ganharia as Copas de 1942 e 1946. Dessa forma, hoje o país seria tetracampeão mundial de futebol. Anos depois o atacante Juan Carlos Muñoz lamentou a infelicidade e tentou explicar a relevância do mundial: “Estávamos melhor que os outros, mas sem a Copa perdemos grandeza. Se a guerra ocorresse duas décadas depois, a geração de Pelé e Garrincha não teria significado tanto“.

Foto destaque: Divulgação/Folha de São Paulo

Carlos Soares
Carlos Soares
Além da enorme paixão pelo esporte, eu sempre tive facilidade com a comunicação no geral. É uma habilidade que me destaca em qualquer ambiente que esteja. O desejo de fazer jornalismo surgiu devido a vontade de fazer com que essa aptidão possa me proporcionar grandes desafios em minha carreira profissional, principalmente na área esportiva. Ao ingressar na faculdade e estagiar na área, descobri diversas abordagens diferentes que o jornalismo pode ter e a quantidade de histórias que estão esperando para serem contatadas. O que fez eu me interessar ainda mais pela profissão e querer desempenhar um fazer jornalístico objetivo e de qualidade.

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