Por que é tão difícil fazer a Série C em pontos corridos?

O Conselho dos 20 clubes participantes do Brasileirão Série C vai solicitar à CBF que o torneio siga os moldes das Séries A e B, com 38 rodadas em pontos corridos.

Entretanto, uma mudança desse calibre é inviável. A terceira divisão não possui uma cota de TV repassada pela organização do certame aos clubes.

Ou seja, os valores destinados às equipes são apenas para custos de deslocamento. Diante desse cenário, o campeonato é regionalizado.

Atualmente, dois grupos de 10 clubes separados por regiões do país se enfrentam em ida e volta, com os quatro melhores de cada grupo indo para a segunda fase de grupos, que define os quatro times que sobem de divisão.

Para que ocorram as 38 rodadas em jogos de ida e volta e pontos corridos, a CBF precisa repassar no mínimo R$ 4 milhões aos clubes. O valor é metade do que foi repassado a cada participante da Série B 2021.

Contudo, não há nenhuma TV que pague perto do que é pago pelas Séries A e B. E se tem um órgão que odeia coçar o bolso é a CBF.

Diante disso, considero quase impossível essa mudança no formato da Série C. É possível que seja alterada a fórmula para turno único com 19 rodadas.

Assim, todos os clubes se cruzam. 11 dos 20 clubes defendem a ideia. Os clubes do Nordeste são contra a mudança, mas a favor das 38 rodadas ou de deixar como está.

Isso se dá porque os clubes das regiões Sul e Sudeste, as mais ricas do país, consideram injusto que eles se matem apenas entre si no início.

Finalmente, considero que um campeonato com 38 jogos fortaleceria a Série C, além de aplicar uma justiça maior que a fórmula atual. Se faz necessária essa mudança.

Foto destaque:  Lucas Figueiredo/CBF

Paulo Henrique Araújo
Apaixonado por futebol desde antes do que possa lembrar. Comentarista esportivo por amor e constante aprendiz do maior esporte do mundo.

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