Estudiantes campeão em 1967

Nesta semana, a , ficou marcado eternamente como um dos mais vencedores do futebol latino.

Hoje, qualquer pessoa que conheça o futebol sul-americano sabe que o Estudiantes é uma equipe de muita história. Apesar de não ser considerado um dos cinco grandes da Argentina, as quatro conquistas da não deixam dúvida sobre o tamanho do clube de La Plata. No entanto, nem sempre foi assim. Historicamente concentrados em Buenos Aires, os principais times do país colecionavam conquistas e dominavam o espaço na mídia. Até que em 1967 uma outra camiseta vermelha e branca começou a atrair os holofotes.

Craque, o Estudiantes faz em casa

Uma das principais características daquela histórica equipe era a alta porcentagem de jogadores formados nas canchas do próprio clube. Após quase terem sido rebaixados em 1963, os diretores do Estudiantes decidiram que era tempo para uma reestruturação. Assim, o Pincha passou a apostar mais nas categorias inferiores e promoveu alguns jogadores ao time principal. E, por acaso, um desses atletas era nada mais nada menos que Juan Ramón Verón. O sobrenome hoje é conhecido por muitos brasileiros devido ao absoluto destaque de Juan Sebástian Verón na Copa Libertadores de 2009. Porém, antes de La Brujita, houve, no mesmo clube, seu pai: La Bruja.

Em 1962, o então jovem Verón estreou pelo Estudiantes, mas acabou sendo deixado de lado. Até que, com a chegada de Osvaldo Zubeldía, em 1965, o jogador voltou a ter chances. É óbvio que, naquela época, ninguém poderia imaginar o que o destino reservava para o Pincharrata após a afirmação do atacante na equipe. Porém, hoje é possível afirmar que, sem o ressurgimento de La Bruja em La Plata, talvez a trajetória do clube não fosse a mesma. Juan Ramón Verón se tornou, simplesmente, o principal símbolo da fase mais vitoriosa de todos os tempos na história do Pincha.

O revolucionário Osvaldo Zubeldía

Em uma época onde o futebol era invariavelmente ofensivo, Osvaldo Zubeldía ousou pensar o jogo de uma maneira diferente. O Estudiantes era uma equipe que buscava, prioritariamente, se defender, e seus jogadores se comportavam como verdadeiros leões dentro de campo. Eles literalmente possuíam um detalhado estudo sobre maneiras de desestabilizar mentalmente os adversários. Assim, Zubeldía começava a forjar o significado da hoje tão praticada catimba e do que é ser uma equipe raçuda. O modo de jogar do Pincha atraía inúmeras críticas, sempre rebatidas com afinco por seu comandante.

“Dizem que nosso futebol é uma vergonha, que não deixamos o jogo acontecer, que perdíamos tempo; talvez tenham alguma razão, porém é preciso esclarecer as coisas. Isto é um negócio e a única coisa que importa é ganhar” disse o treinador.

No entanto, algumas inovações propostas pelo treinador foram tão revolucionárias que podem ser vistas até mesmo no atual mundo do futebol. O cuidado em ensaiar jogadas em bolas paradas, a armadilha da linha de impedimento e a criação de um meio-campista de contenção foram algumas das ideias de Zubeldía que, ainda hoje, são usadas por diversas equipes ao redor do globo. E assim o inesquecível técnico moldou um dos esquadrões mais dominantes da história. Nem mesmo o Manchester United, de Bobby Charlton, foi capaz de parar a máquina Pincharrata.

Debaixo de muita chuva, Estudiantes e Platense peleavam por uma vaga na final

Depois de uma ótima primeira fase, com 11 vitórias, o Pincha chegava nas semis com alguma expectativa. No entanto, para o resto da Argentina, o confronto entre Racing e Independiente era visto como uma “final antecipada”. Assim, as atrações estavam todas voltadas para o Clássico de Avellaneda. Bom, azar de quem perdeu uma das partidas mais emocionantes da história do futebol argentino. Em uma La Bombonera chuvosa e sob risco de suspensão da partida, Estudiantes e Platense protagonizaram uma verdadeira batalha dentro da cancha do Boca Juniors.

Logo nos primeiros minutos de jogo, o Estudiantes abriu o placar com Conigliaro, de cabeça, aproveitando o cruzamento de Madero. Assim, a partida parecia se desenrolar em favor dos Pincharratas. Porém, o Platense, comandado por Vicente López, também era uma boa equipe. O Calamar foi valente e virou a partida com gols de Lavezzi e Bulla, ainda antes do fim da primeira etapa. O cenário agora era muito ruim para o Pincha, mas ficaria ainda pior durante o segundo tempo.

Após a retomada do jogo, o zagueiro Barale se machuca. Naquela época, porém, as substituições eram permitidas apenas entre os goleiros, deixando, assim, o Estudiantes com um jogador a menos em campo. E para piorar, a equipe de Osvaldo Zubeldía acabou sofrendo o terceiro gol. Com o placar desfavorável, em um jogo muito brigado e debaixo de muita chuva, somente um milagre poderia levar os Pincharratas para a final daquele campeonato. E, bom, se hoje você lê esse texto, é porque ele realmente aconteceu.

O início da reação se deu após Pachamé salvar, em cima da linha, o que seria o quarto gol do Calamar. Isso inflamou a equipe vermelha e branca, que diminuiu poucos minutos depois com Verón. Também dos pés de La Bruja saiu a jogada que terminaria com um belo chute de Bilardo para empatar o jogo. Então, após uma cobrança de escanteio, Hurt, o goleiro do Platense, comete pênalti. Madero vai para a bola e converte, virando a partida e decretando a ida do Estudiantes para a final do campeonato nacional.

Racing, um adversário conhecido para a final

La Academia venceu os Rojos do Independiente e avançou para disputar a final. No entanto, o Racing teria, em poucos dias, a final da Copa Libertadores. Decidiram priorizar o torneio continental, visto que seus rivais vermelhos já possuíam duas dessas conquistas àquela época. Sendo assim, o conjunto racinguista para a partida contra o Estudiantes não foi o titular. Porém, vale lembrar que o Pincha já havia derrotado o time completo dos alvicelestes em duas oportunidades naquele mesmo campeonato.

Em campo, o que se viu foi um verdadeiro baile dos Pincharratas. Facilmente, abriram 3 x 0 no marcador com gols de Madero, Verón e Ribaudo. Assim, com amplo domínio da partida, o Estudiantes manteve o placar até o final e quebrou o monopólio de conquistas dos cinco grandes da Argentina. Então, ali, naquele 6 de agosto de 1967 e pelas mãos de Osvaldo Zubeldía, nascia a equipe que colocaria a América aos seus pés pelos próximos três anos.

https://twitter.com/EdelpOficial/status/1158733357599068163

Foto destaque: Divulgação/Twitter/Estudiantes de La Plata

Odilon Santiago
Tenho 19 anos de sonho e de sangue e de América do Sul. Apaixonado pela escrita e pelo futebol, sobretudo naquele que é praticado em canchas latinas, com muito papel picado, catimba e cachorro invadindo o gramado. Um tango argentino me vai bem melhor que um Blues. Jornalista em formação pela Universidade São Judas Tadeu.

Artigos Relacionados