El Apache: A vida de Carlos Tevez

- Da infância em Fuerte Apache ao Boca Juniors, série da Netflix conta história do atacante
El Apache

Sem pai, quem nunca conheceu, pois, assim como muitos ao seu redor, foi morto. A mãe, que de acordo com suas próprias palavras, “ficou louca. Criado, juntamente com os primos, pelos tios, os únicos que lhe restaram. Marcado por cicatrizes que carregam recordações inesquecível da árdua vida no bairro mais violento de Buenos Aires, Fuerte Apache. Até se consagrar nos gramados mundo afora, Carlos Tevez necessitou – e esse é o termo mais adequado – superar a marcação do pior adversário que um ser humano pode ter: A sociedade na qual está inserido. Sua trajetória é contada na série “El Apache: A vida de Carlos Tevez”.

Todos os oito episódios, que vão desde o acidente doméstico que sofreu ainda com dez menos de vida até sua estreia na equipe profissional do Boca Juniors, foram produzidos ainda no ano retrasado pela Torneos y Competencias, e mais tarde comprados pela Netflix da Argentina. A ideia do projeto, contudo, foi originada em 2015, quando Tevez retornou ao Boca da Juventus.

Israel Adrián Caetano, diretor da série, foi escolhido a dedo. Isso porque o uruguaio também teve uma criação difícil no bairro de Cerro, um dos mais humildes de Montevidéu.

“Quando eu era criança, meu bairro tinha um monte de garotos como Tevez. Logo, eu sei do que estamos falando na série”, contou ao jornal argentino La Nación

Eu me preocupei em contar um pedaço da vida de Carlos que nem todos conhecem. Não falo da vida difícil de uma família humilde. Essas generalidades vocês podem imaginar sozinhos. Eu me refiro a um olhar um pouco mais antropológico, que vá além da superfície do que pode ser entendido como uma vida dura de alguém que nasce na pobreza”, completou Caetano.

EM EL APACHE, UMA VIDA A PARTE

A série conta toda a verdade. Está claro que a história de Carlos vai muito além do futebol. É uma história de superação, disciplina, protagonizada por alguém que consegue sair de um lugar complicado e se destacar. Esse entorno difícil está muito presente na série”, comentou uma pessoa da produção. 

Tevez foi uma exceção em um mundo muito rude, onde há uma aceitação das complicações cotidianas porque a vida é vista como algo difícil. Tevez se rebelou, foi um em um milhão”, pontuou diretor.

Dessa maneira, Caetano vislumbrou Fuerte Apache com sendo um mundo anárquico onde as duas únicas leis vigentes são a do cão e da selva. 

A princípio, Tevez rechaçou alguns pilotos de roteiro sob a justificativa de que “esta não é minha vida, não me vejo aqui”.

“Quando nos juntamos com a produção, dissemos que contaríamos minha história do jeito que ela foi. Não faltará nada: do dia em que ganhei minha cicatriz à estreia no Boca depois de passar pelo All Boys”, disse Carlitos ao La Nación.

Assim, com o auxílio do atacante, o projeto foi concretizado. O próprio Carlitos introduz cada um dos capítulos. Além do recurso narrativo, isso simbolou o aval do jogador para a série. 

Sua participação foi muito importante. Teria sido uma falta de respeito contar a história sem sua participação”, explicou Adrián Caetano.

A VERDADE NUA E CRUA

Uma dos poucos pontos de ficção está no melhor amigo de Tevez, que em “El Apache” atende pelo nome de Danilo Sánchez, ou “El Uruguayo”. Entretanto, na realidade, Danilo era Dário Coronel, mais conhecido como “Cabañas”, por sua semelhança com o paraguaio Roberto Cabañas, ex-centroavante do Boca Juniors. Aliás, não era uruguaio, e sim paraguaio. O tema será abordado na próxima semana pela Catimbando.

“Carlos estava muito interessado que também contássemos a história dos que não chegam lá. Não se trata unicamente de celebrar o herói. Não quisemos filmar uma idealização da pobreza”, comentou Caetano.

As conquistas pelo Corinthians e na Europa não farão parte da história. 

“Será a parte mais difícil da vida de Tevez. Depois, teve outra vida, com outras problemáticas, as de um homem rico e famoso. Mas antes disso, passou por várias situações muito fodidas”, explicou Caetano.

O elenco conta com o Balthazar Murillo, como Tévez, que está sempre acompanhado de Danilo, interpretado por Matías Recalt. Sofía Gala está no papel da mãe biológica de Carlitos. Enquanto Alberto Ajaka e Vanesa González fazem os pais adotivos. Além disso, Patricio Contreras atua como avô da jovem promessa do Boca Juniors. Nessa reta final de final de férias, a série é uma excelente indicação, já que, por hora, tanto na Argentina quanto no Brasil, a bola ainda não está rolando.

Pedro Ferri

Sobre Pedro Ferri

Pedro Rodrigues Nigro Ferri já escreveu 414 posts nesse site..

Pedro Rodrigues Nigro Ferri, 19, nascido em Assis-SP. Jornalista em formação pela Faculdade da Cásper Líbero e um fiel devoto. Católico? Protestante? Não, corinthiano. Sou mais um integrante do bando de loucos e nunca me conheci sem essa doença. Frequentador de arquibancada, sou apaixonado por torcidas. Sabe aquela música do seu time? É, eu canto ela no chuveiro. Supersticioso ao extremo e disseminador da política "NÃO GRITA GOL ANTES DA BOLA ENTRAR!".

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