Nesta semana, a Coluna Catimbando nos contará sobre o Quilmes Atlético Club. Nascido no ano de 1887,   é o clube mais antigo em atividade no futebol argentino. Embora poucos conheçam e falam  sobre esta equipe, possui uma história interessante para ser contada aos amantes do futebol. Assim, devido a sua vasta trajetória, iremos falar para todos a importância desse time, que tem como apelido os Cervejeiros.

HISTÓRIA

Como falado antes, seu início ocorreu no dia 27 de novembro de 1887. Apesar de que o Gimnásia Y Esgrima de La Plata nasceu antes, os Cervejeiros iniciaram suas atividades no futebol primeiro. Em virtude disto, é o plantel mais velho dos Hermanos. Cita-se que os ingleses foram os que fundaram o Quilmes. Na década de 1880, uma comunidade formada por ingleses, irlandeses e escoceses se instalaram na cidade de Quilmes. Alí, criaram o Quilmes Athletic e Polo Club, visando o futebol. Contudo, sete anos depois, o presbítero J.T. Stevenson foi responsável por juntar os dois nomes, fazendo um único clube somente.

De início, o time se vestiu com as cores das seleções inglesa e escocesa. Ademais, dominou o campeonato argentino nas duas primeiras décadas do torneio, com títulos entre 1891 e 1912, ano no qual foi o último  conquistado na era dos britânicos. Na época, muitos atletas que compunham o time eram britânicos.

No ano de 1931, o futebol foi dividido entre profissional e amador. Também, o próprio Quilmes deu início ao futebol profissional. Porém,  em 1937, ao lado do Argentinos Juniors, foi rebaixado para a Segunda Divisão. E, nesse meio tempo, a equipe foi subindo e caindo no torneio.

Equipe campeã em 1912.

Foto:asmilcamisas.wordpress.com

MOMENTOS

Foi somente em 1949 que o clube argentino voltou à primeira divisão. Neste ano, conquistou o título da categoria da Primeira B, nome imposto ao campeonato. No ano seguinte, alterou seu nome para o mesmo que o atual, mas em 1951, caiu novamente no torneio. Após isso, só voltou a disputar a primeira divisão em 1962, após novamente ter obtido a taça da segundona no ano anterior.

Já em 1965, jogando um torneio em maratona, subiu  ao lado do Colón, campeão nesta temporada.  Todavia, mais um rebaixamento não demorou. Em 1970, passou por uma grave crise, onde jogadores fizeram greves. Com isso, mais uma vez acabou caindo. Dez anos mais tarde, em 1975, realiza uma campanha histórica e novamente ganha chance de jogar na elite do futebol argentino.

Equipe que conquistou título em 1949

Foto: asmilcamisas.wordpress.com

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1978

Apesar de ser um marco para o Quilmes, o título conquistado nesta temporada não chamou muita atenção do público. Por conta da Copa do Mundo realizada no solo argentino, o torneio foi paralisado.  Com isso, a média de ingressos foi a mais baixa, visto que todos queriam mesmo era ver os craques atuando na seleção. River Plate, Independiente e Huracán cederam vários atletas, e por conta disso, ficaram longes da liderança. Boca Juniors e Unión de Santa Fé não perderam ninguém, entretanto, viram o Quilmes levar a taça.

Um ponto importante foi que o plantel estava cinco pontos atrás do Boca. Mesmo assim, isso não impediu de acontecer uma reversão histórica na tabela. Antes, a vitória valia somente dois pontos, e não três como hoje. Ainda que o gigante da Bombonera perdeu o título,  à equipe estava em uma fase gigante. Em 1977, trouxe a Libertadores consigo pela primeira vez. Além disso, venceu o Intercontinental em  1978 e ainda conquistou o bi da Liberta.

Nesse meio tempo, os Auriazusi estavam focados no torneio Continental. Com isso, acabou perdendo o foco no argentino. Logo após a classificação à final contra o rival River, começou uma queda de rendimento.  A primeira partida da final foi jogada no dia 23 de novembro. Além disto, venceu o Atlanta por 3 x 2, cinco dias após sua ida para decisão. No entanto, na penúltima rodada, o empate contra o Estudiantes começou a mudar o rumo da história, já que os Cervejeros venceram o Chacarita por 2 x 1.

MISSÃO

Mas, para que o título fosse confirmado, era importante vencer o Rosário Central. E claro, torcer por uma derrota do Boca diante do Newell's Old Boys, em casa. Segundo Índio Gomes, grande ídolo da agremiação, não foi tão complicado quanto parecia a missão.

“Nós éramos  uma equipe combativa, estávamos certos de que poderíamos lograr algo importante com essa camiseta”, disse o ex-jogador.

Além do que, Gomez afirmou que o time estava pronto e descansado para o jogo, este feito em um domingo. Como preparação, toda delegação viajou numa quinta-feira. Por fim, completou que atrás do ônibus foram carros com muitos torcedores. Estes assistiram o jogo em Rosário. A partida foi intensa e muito emocionante. No gigante de Arroyito, 20 mil visitantes foram prestigiar esse histórico confronto. Segundo Gomez, os torcedores ajudaram muito nesta conquistada, pois o Rosário ficou duas vezes à frente do placar. Em devido razão de lesões, o ídolo iniciou no banco de reservas.

Ainda que isso foi mais um fator, outros heróis entraram em ação. Luis Andreuchi, artlheiro do time, marcou duas vezes em cobranças de pênalti. Ademais, o zagueiro-artilheiro  Horacio Milozzi e o volante Jorge Gáspari entraram em ação para decidir. Gáspari veio de outro Quilmes, o Mar del Plata, este dedicado ao basquete e marcou o gol do título.

Outrossim, o técnico José Yidica se destacou na conquista do torneio. Foi o único campeão argentino em três clubes não-grandes. Ganhou com o Argentinos Juniors em 1985 (também à Libertadores), e com o Newell's em 1988 (vice na Liberta). Além disso, com o Quilmes foi o primeiro triunfo como técnico.

CONTINUAÇÃO

Ainda que o título foi importante, o clube continuou alternando entre divisões no campeonato. Dessa forma, voltou a cair em 1980. Ainda, sofreu em 2006/07, 2011/2012 e na temporada 2016/2017. Ou seja, o time teve dificuldades de se manter por muito tempo na elite do campeonato argentino. Conquanto, ainda deixou sua marca no meio de tantos grandes. E, embora poucos conheçam essa história, os amantes do futebol argentino têm o Quilmes como um exemplo de superação.

Foto destaque: Reprodução/Twitter/Quilmes A.C

Lucas de Lima Barão
Lucas de Lima Barão
Atualmente, estou no 6º semestre de jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Tenho vontade de trabalhar com jornalismo esportivo, entretanto, não descarto abrir portas para outros caminhos. Ganhei um prêmio de melhor trabalho jornalístico no 5 semestre, onde meu grupo e eu produzimos um site. Estou em busca de encontrar oportunidades no mercado de trabalho.

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