Boca Juniors

Quando se fala em Libertadores, a primeira imagem que vem à cabeça de muitos é uma Bombonera pulsante, com sinalizadores e milhares de torcedores vestidos com uma certa camisa azul e amarela. Porém, como toda boa história tem um início, em 1977, a mística boquense no torneio começou a ser construída. Assim, a Coluna Catimbando desta semana conta como, há 43 anos, o Boca Juniors conquistava sua primeira taça da Copa Libertadores.

Esse título ficou marcado para sempre. Juan Carlos Lorenzo, comandante do Boca Juniors nas duas primeiras conquistas da Libertadores, virou estátua no Museo de la Pasión Boquense. Do mesmo modo, Carlos Veglio, o herói da final, escolheu eternizar este triunfo no nome de sua filha. Hoje, a garota Luciana Libertad (em referência ao torneio), é uma fanática torcedora xeneize que costuma alentar o clube direto das arquibancadas.

Na primeira fase, o Boca Juniors encara adversário pesados

Após duas conquistas nacionais, o Boca Juniors chegava à Libertadores com alguma confiança. No entanto, logo de cara, já teve que encarar grandes desafios. Os adversários na primeira fase foram os uruguaios de Peñarol e Defensor Sporting, além do rival de toda uma vida, River Plate. Os Xeneizes não tinham um futebol lá muito vistoso, mas eram especialistas em construir o resultado dentro de seus domínios e, quando fora de casa, sabiam defender sua vantagem.

Assim, a trajetória começou frente aos arquirrivais em La Bombonera. A partida era muito equilibrada, até que, já nos últimos minutos de partida, o juiz assinalou penalidade para o Boca Juniors. Mouzo foi para a cobrança e Filol defendeu. Porém, o árbitro mandou voltar e, dessa vez, os Xeneizes colocaram a bola na rede após o rebote. Depois, quando viajou ao Uruguai, empatou em 0 x 0 com o Defensor e bateu o Peñarol por 1 x 0. Quando foi a vez dos charrúas visitarem a Argentina, vitória do Boca por 2 x 0 contra a Viola e 1 x 0 contra os Carboneros. Ainda deu tempo de um último superclássico contra o River Plate, terminado em 0 x 0. Assim, com os bons resultados, a classificação veio, numa época em que apenas o primeiro colocado se classificava.

O intenso triangular-semifinal

Deixando para trás seu maior rival, o Boca Juniors chegou para o triangular-semifinal com moral. Pela frente, os paraguaios do Libertad e os colombianos do Deportivo Cali. A primeira partida contra o Gumarelo foi uma verdadeira batalha, com três jogadores expulsos e o gol da vitória vindo somente a dez minutos do fim, com o reserva Pavón. Da mesma forma, a revanche no Defensores del Chaco foi igualmente disputada, mas, desta vez, o triunfo xeneize veio onze minutos antes do jogo se encerrar, pelos pés de Mastrángelo.

O Deportivo Cali foi a única equipe que não foi derrotada pelo poderoso esquadrão do Boca. Na primeira partida frente aos Azucareros, na Colômbia, os donos da casa abriram o placar com Scotta, artilheiro da competição, aos 25 minutos. Porém, ainda no primeiro tempo, os Xeneizes empataram com o zagueiro e ficou por isso mesmo, 1 x 1 no marcador. Da mesma forma, na volta, em La Bombonera, mais um empate. No entanto, aquele jogo não valia muito para o Boca Juniors, que já havia garantindo a sua classificação e pensava no adversário da final: o Cruzeiro, último campeão da Libertadores.

Cruzeiro, o obstáculo do Boca Juniors rumo ao título

Se o Boca Juniors quisesse conquistar sua primeira taça da Libertadores, precisaria vencer uma equipe histórica. O Cruzeiro, que um ano antes havia batido o River Plate na final, era o atual campeão do torneio e contava com grandes jogadores. Por exemplo, a Raposa tinha Nelinho, um dos maiores batedores de falta de todos os tempos. Embora não fosse uma equipe tão brilhante como a de 1976, os mineiros haviam passado por cima do marcante Internacional da década de 70.

Se no ano anterior o principal destaque dos cruzeirenses era o ataque, em 1977, a defesa celeste era praticamente impenetrável. Sob o comando de Iustrich, o Cruzeiro sofrera apenas cinco gols em 15 jogos. Além disso, o meio de campo com Zé Carlos e Eduardo era firme. O problema era no ataque, já que Palhinha, um dos maiores atacantes do futebol brasileiro, havia trocado a Raposa pelo Corinthians, enfraquecendo, assim, o setor ofensivo da equipe.

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A batalha final pela Copa Libertadores

O primeiro capítulo da final foi com o Boca Juniors em seus domínios. La Bombonera lotada, vibrando, com muito papel picado, neblina e cânticos durante cada segundo da partida. Um ambiente extremamente hostil para o adversário, do jeito que os Xeneizes gostam. Assim, empurrados por mais de 60 mil bosteros, o time da casa conseguiu uma importante vitória por 1 x 0. O gol foi típico de campeão, onde, num bate-rebate confuso, a bola cai nos pés de Veglio, que trata de empurrá-la para o fundo das redes.

Na volta, numa Belo Horizonte igualmente hostil, o resultado não foi bom para o Azul y oro. Numa partida que até então era bem equilibrada, o Cruzeiro conseguiu a vantagem com uma de suas maiores armas: a bola parada de Nelinho. Sendo assim, a decisão ficou para a neutra Montevidéu. Lorenzo, comandante xeneize, era tão supersticioso que não repetiu a cor de uniforme usada na derrota (amarelo) e o Boca Juniors entrou em campo vestido de branco para a final. A camiseta branca, completamente suja de barro no fim, mostra o quão disputado foi aquele jogo.

A primeira conquista da Libertadores não poderia vir de maneira fácil. Por isso, o roteiro para os xeneizes teria que ser o mais dramático possível. Assim, após 120 minutos sem nenhum gol, a partida foi para os pênaltis. As primeiras cobranças foram convertidas, mas Mouzo perdeu a segunda para o Boca Juniors. Porém, numa decisão que até hoje é contestada pelos cruzeirenses, o juiz mandou voltar pois o goleiro Raul havia se adiantado. Na segunda oportunidade, o argentino não desperdiçou. A partir disso, todos converteram. Todos menos Wanderley, que parou no voo de Gatti, goleiro xeneize. Assim, pela primeira vez na história, a América era pintada de azul e amarelo.

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Foto destaque: Reprodução/Archivo Gráfico

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Odilon Santiago
Tenho 19 anos de sonho e de sangue e de América do Sul. Apaixonado pela escrita e pelo futebol, sobretudo naquele que é praticado em canchas latinas, com muito papel picado, catimba e cachorro invadindo o gramado. Um tango argentino me vai bem melhor que um Blues. Jornalista em formação pela Universidade São Judas Tadeu.

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