As histórias dos Mundiais

- Hoje fazem 65 anos do polêmico mundial de clubes do Palmeiras. É mundial? Não? Defina por si mesmo com os detalhes abaixo.

O Mundial de Clubes é uma das competições mais tradicionais do mundo e uma das mais desejadas pelos clubes, principalmente os sul-americanos. Você vai conhecer agora todas as histórias dos mundiais de clubes, desde o seu início até a temporada atual, passando por dúvidas e polêmicas.

A Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, foi teoricamente um sucesso. Pelo menos em infraestrutura, instalações e público, sem comentários, um verdadeiro exemplo. No futebol jogado, a Seleção até que foi muito bem, chegou a final contra o Uruguai, mas perdeu por 2 x 1, em um Maracanã com aproximadamente 200 mil pessoas, precisamente 199.854 pessoas.

Como para o povo brasileiro o segundo lugar não vale nada, a Copa teria sido um fracasso futebolístico conhecido como “Maracanazo”. Entretanto, a paixão da torcida brasileira pelo esporte só ganhava mais fãs.

Eis que então, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos, atual CBF) decidiu por organizar no Brasil, o primeiro mundial interclubes do mundo.

O PRIMEIRO MUNDIAL

Copa Rio Intercontinental de 1951, também conhecida como Torneio Internacional de Clubes CampeõesCampeonato Mundial de FutebolTorneio Mundial de Campeões ou Torneio Internacional de Campeões, e chamado de Torneio dos Campeões na Itália, na Espanha e em Portugal, foi uma competição intercontinental de clubes disputada por 8 equipes da Europa e América do Sul, entre 30 de junho e 22 de julho de 1951, em São Paulo e no Rio de Janeiro, nos estádios do Pacaembu e Maracanã, respectivamente. Foi denominada Copa Rio Intercontinental pelo fato da competição ser patrocinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, assim como todo evento tem patrocinador, como o mundial já teve a Toyota, a Libertadores tem a Bridgestone e a Champions tem a Heineken.

Foi a primeira competição futebolística interclubes com abrangência mundial, tendo sido criada antes mesmo da Copa Intercontinental. A competição organizada pela CBD, teve auxílio e autorização da FIFA, que inclusive a declarou, em junho de 2014, como a primeira competição mundial interclubes da história.

A ideia do torneio era conseguir o mesmo sucesso da Copa do Mundo de 1950, no Brasil, mas com clubes. Pensando nisso, a CBD convidou clubes campeões dos países participantes da última Copa do Mundo de Seleções. Porém, por motivos financeiros e de calendário, alguns não puderam vir ao Brasil para a competição, visto que naquela época não era tão fácil quanto hoje.

A competição então contou com Palmeiras (campeão paulista de 1950)Vasco da Gama (campeão carioca de 1950)Áustria Viena (campeão austríaco de 1950)Nacional (campeão uruguaio de 1950)Sporting (campeão português de 1950)Juventus (campeão italiano de 1950), Estrela Vermelha (campeão iugoslavo/sérvio de 1950) e Nice (campeão francês de 1951) e foi dividida em dois grupos, o grupo Rio de Janeiro, encabeçado por Vasco da Gama e que também tinha Áustria Viena, Nacional e Sporting; e o grupo São Paulo, encabeçado por Palmeiras e que também tinha Juventus, Nice e Estrela Vermelha. Todos se enfrentavam no grupo em turno único, onde os dois primeiros avançavam às semifinais e o primeiro colocado de cada grupo enfrentava o segundo colocado do outro grupo. Vasco e Áustria Viena foram 1º e 2º colocados do grupo Rio e Juventus e Palmeiras 1º e 2º colocados do grupo São Paulo, ambos respectivamente.

Vasco e Palmeiras se enfrentaram, assim como Juventus e Áustria Viena, com os representantes do grupo de São Paulo avançando a final, onde o Palmeiras e Juventus repetiram o jogo da primeira fase, que foi vencido pelo time italiano em uma goleada de 4 x 0, mas desta vez o time paulista venceu o primeiro jogo por 1 x 0 e empatou o segundo jogo por 2 x 2, sagrando-se campeão o primeiro campeão mundial de clubes.

Aos que se perguntam se foi mais um time a ser campeão mundial sem Libertadores, a resposta é sim. Porém, a competição sul-americana só foi criada em 1960 e a Liga dos Campeões em 1955.

A competição de 1952 da Copa Rio Intercontinental teve o mesmo formato e participaram os campeões ou líderes dos campeonatos que não haviam terminado na época, que foram Fluminense (campeão carioca de 1951)Peñarol (campeão uruguaio de 1951)Grasshopper (campeão suíço de 1951/52) e Sporting (campeão português de 1951/52), grupo do Rio; e Corinthians (campeão paulista de 1951)Libertad (liderava o campeonato paraguaio de 1952)Áustria Viena (liderava o campeonato austríaco de 1952) e Saarbrücken (finalista do campeonato alemão de 1952). Corinthians e Fluminense chegaram a final, vencida pelo Fluminense após um 2 x 0 no primeiro jogo e um empate de 2 x 2 no segundo jogo.

Em 1953, o torneio trocou de nome e se tornou Torneio Octagonal Rivadavia Corrêa Meyer, em homenagem ao então presidente da CBD. O torneio em si não mudou em nada, apenas o nome. O campeão desta vez foi o Vasco da Gama.

O FIM DO MUNDIAL E A MUDANÇA

No ano de 1954, por ser ano de Copa do Mundo, não houve disputa. E em 1955, devido a criação da Taça dos Campeões da UEFA (atual Liga dos Campeões da UEFA), o torneio interclubes foi extinto, pois as equipes europeias focaram-se totalmente na competição continental, não aceitando mais participar da competição no Brasil.

O torneio mundial interclubes só voltou a ser disputado em 1960, após a criação da Taça Libertadores da América, em que o campeão daquele torneio enfrentaria o campeão da Liga dos Campeões.

COPA INTERCONTINENTAL

Copa Intercontinental foi um torneio criado em conjunto pelas confederações CONMEBOL e UEFA, no ano de 1960, em que o campeão da Taça Libertadores da América enfrentaria o campeão da Liga dos Campeões em jogos de ida e volta, nos países dos respectivos campeões continentais. O regulamento utilizado levava em conta apenas os pontos conquistados, sem levar em conta o saldo de gols. Em caso de empate em número de pontos, uma terceira acontecia em campo neutro ou a escolha das confederações. Esse sistema ida e volta permaneceu até 1980 quando mudou o sistema e o nome.

COPA EUROPEIA/SUL-AMERICANA

Copa Europeia/Sul-Americana foi a continuação da Copa Intercontinental, que mudou de nome porque houve mudança no sistema de disputa, para facilitar para ambos os times. A competição começou a ser disputada em partida única, onde o empate levaria a prorrogação e persistindo, pênaltis. Este novo sistema permaneceu até 2004, quando a FIFA decidiu organizar o torneio.

Juntando todos os Mundial de clubes sem envolvimento da FIFA, os times campeões seriam:

3 TÍTULOS

Milan-ITA (1969, 1989 e 1990) , Real Madrid-ESP (1960, 1998 e 2002), Peñarol-URU (1961, 1966 e 1982), Boca Juniors-ARG (1977, 2000 e 2003) e Nacional-URU (1971, 1980 e 1988).

2 TÍTULOS

Independiente-ARG (1973 e 1984), Juventus-ITA (1985 e 1996), Porto-POR (1987 e 2004), Bayern de Munique-ALE (1976 e 2001), São Paulo-BRA (1992 e 1993), Santos-BRA (1962 e 1963), Ajax-HOL (1972 e 1995) e Internazionale-ITA (1964 e 1965).

1 TÍTULO

Palmeiras-BRA (1951), Fluminense-BRA (1952), Vasco da Gama-BRA (1953), Estudiantes-ARG (1968), Olímpia-PAR (1979), Grêmio-BRA (1983), Manchester United-ING (1999), River Plate-ARG (1986), Vélez Sarsfield-ARG (1994), Flamengo-BRA (1981), Atlético de Madrid-ESP (1974), Borussia Dortmund-ALE (1997), Feyenoord-HOL (1970), Estrela Vermelha-SRB (1991) e Racing-ARG (1967).

O CURIOSO E CONFUSO MUNDIAL DE 2000

Os corintianos se orgulham de seres bicampeões mundiais de clubes da FIFA, feito acontecido em 2000 e 2012. Entretanto, para conquistar a vaga para o mundial de clubes e se tornar campeão mundial, o time precisa vencer a Taça Libertadores da América (competição continental sul-americana), Liga dos Campeões da CONCACAF (competição continental da América do Norte, Central e Caribe), Liga dos Campeões da ACF (competição continental asiática), Liga dos Campeões da CAF (competição continental africana), Liga dos Campeões da UEFA (competição continental europeia) ou a Liga dos Campeões da OFC (competição continental da Oceania) ou ser país-sede da competição (neste caso, o representante é o campeão nacional no país-sede), para disputar o torneio.

No caso do Corinthians, teria de ter vencido a Libertadores de 2000 (vencida pelo Club Atlético Boca Juniors) ou então, ter sido campeão nacional de 2000 (que foi o Vasco da Gama), para entrar como país-sede.

O título mundial de clubes de 2000 foi uma lambança feita pela FIFA, em janeiro de 2000. Pois até 1999, a competição não era organizada pela FIFA, eram as confederações continentais UEFA e CONMEBOL que combinavam entre si o duelo entre os campeões da Libertadores e da Liga dos Campeões da Europa (principais torneios de clubes da época).

Até que em 1999, a entidade máxima do futebol decidiu por organizar o evento e então faria isso convocando clubes representantes de todas as federações continentais filiadas à ela, mesmo que nem todos os times tenham sido campeões de suas competições continentais, caso do Corinthians, Vasco da Gama e Real Madrid. O único campeão continental convidado foi o Necaxa, do México (campeão da Liga dos Campeões da CONCACAF, 1999).

O campeão da Liga dos Campeões da UEFA de 1999 foi o Manchester United-ING e da Libertadores de 1999 foi o Palmeiras-BRA, ambos se enfrentaram na final do Mundial de Clubes de 1999 (sem organização da FIFA), tendo o time inglês como campeão. Ambos não foram convidados por já terem participado deste mundial e não poderiam, teoricamente, participar deste outro mundial no mês seguinte, para não correr o risco de ter o mesmo campeão.

Então, o “mundial” foi vencido pelo Corinthians, convidado por ser campeão nacional de 1999, entrando como país-sede (lembrando que segundo a FIFA, a vaga do time representante do país-sede é dada ao campeão nacional do ano da competição, mas a FIFA fez erroneamente o evento em janeiro, sem esperar o término do campeonato nacional brasileiro, chamando assim, o campeão do ano anterior, Corinthians), o vice foi o Vasco da Gama, que entrou por ter vencido a Libertadores de 1998, pois o Palmeiras já havia participado do mundial um mês antes, o mesmo aconteceu com o Manchester. O único convidado por méritos, Necaxa, ficou em terceiro e o Real Madrid, convidado como representante europeu por ter vencido a Liga dos Campeões da Europa em 1997-1998, amargou o quarto lugar.

Lembrando que a Libertadores de 2000 foi vencida pelo Boca Juniors-ARG, que ainda no sistema Sul-Americano-Europeu, disputou o Mundial de Clubes (chamada de Copa Intercontinental ou Copa Européia/Sul-Americana) no final de novembro, com o Real Madrid-ESP, campeão da Liga dos Campeões da UEFA de 1999-2000, tendo o time argentino como campeão daquele ano, por 2 x 1.

A lambança da FIFA foi tanta, que após o contestado mundial de 2000, o torneio só aconteceu outra vez em 2005. Desta vez foi realmente organizado, com os 6 campeões continentais, onde por sorteio, jogam os campeões da AFC, CAF, OFC e CONCACAF, chaveados em partida única, onde os dois vencedores enfrentam em uma semifinal, os campeões continentais da Europa e América do Sul.

Em 2005, o Al-Ittihad-SAU (campeão asiático ou da AFC) venceu o Al-Ahly-EGY (campeão africano ou da CAF) por 1 a 0 e foi para a semifinal enfrentar o São Paulo-BRA (campeão sul-americano ou da CONMEBOL). O Deportivo Saprissa-CRI (campeão norte, centro-americano e caribenho ou da CONCACAF) venceu o Sydney-AUS (campeão oceânico ou da OFC) também por 1 x 0 e se classificou para enfrentar o Liverpool-ING (campeão europeu ou da UEFA). São Paulo venceu o Al-Ittihad por 3 x 2 e o Liverpool venceu o Saprissa por 3 x 0. Na final, o São Paulo venceu o Liverpool por 1 x 0 e se tornou o primeiro campeão mundial reconhecido pela da FIFA, tendo vencido um torneio continental, no caso a Libertadores da América.

CURIOSIDADES:

Se a FIFA reconhece os mundiais anteriores, unificando assim os títulos, as mudanças seriam:

Palmeiras-BRA teria 1 título, único no primeiro formato (1951);
Fluminense-BRA teria 1 título, único no primeiro formato (1952);
Vasco da Gama-BRA teria 1 título, único no primeiro formato (1953);
São Paulo-BRA teria 3 títulos, um no formato atual (2005);
Milan-ITA teria 4 títulos, um no formato atual (2007);
Manchester United-ING teria 2 títulos, um no formato atual (2008);
Barcelona-ESP teria 3 títulos e todos no formato atual (2009, 2011 e 2015);
Internazionale-ITA teria 3 títulos, um no formato atual (2010);
Bayern de Munique-ALE teria 3 títulos, um no formato atual (2013);
Real Madrid-ESP teria 4 títulos, um no formato atual (2014).

Os outros times campeões da Copa Intercontinental não teriam seus títulos alterados, apenas reconhecidos.

Não teve mundial

Não houve disputa para campeão do mundo de clubes nos anos de 1975 e 1978, entre Bayern de Munique-ALE e Independiente-ARG e Liverpool-ING e Boca Juniors-ARG, respectivamente. Em ambos os casos, os clubes não conseguiram acertar seus calendários para marcar os jogos, cancelando assim a final daqueles anos.

Campeão mundial sem título continental

A grande maioria sabe que o Corinthians foi campeão mundial pela primeira vez sem ter um título continental. Mas pouco sabem que o Timão não é o único. Apesar de nunca ter vencido a Liga dos Campeões da UEFA, o Atlético de Madrid é campeão mundial. O time colchonero foi derrotado pelo Bayern de Munique na final da Champions League de 1974, mas foram ao mundial porque a equipe alemã não teve data disponível para enfrentar o Independiente-ARG, vencedor da Libertadores daquele ano. A UEFA para não perder a competição e furar no acordo com a CONMEBOL, mandou o vice-campeão do continental europeu, Atlético de Madrid. O espanhóis perderem por 1 a 0 na Argentina e vencerem por 2 a 0 na Espanha, levando assim o título mundial de 1974 e se juntando a Vasco da Gama*, Fluminense e Palmeiras*, que também foram campeões mundiais sem título continental.

*Vasco da Gama e Palmeiras têm uma Libertadores cada, em 1998 e 1999, respectivamente, mas seus mundiais foram em 1951 e 1953, quando ainda não existia a Taça Libertadores da América.

Todos os campeões mundiais

País Títulos
 Milan 4 (1969, 1989, 1990 e 2007)
 Real Madrid 4 (1960, 1998, 2002 e 2014)
 Peñarol 3 (1961, 1966 e 1982)
 Boca Juniors 3 (1977, 2000² e 2003)
 Barcelona 3 (2009, 2011 e 2015)
 Bayern de Munique 3 (1976, 2001 e 2013)
 Internazionale 3 (1964, 1965 e 2010)
 Nacional 3 (1971, 1980 e 1988)
 São Paulo 3 (1992, 1993 e 2005)
 Independiente 2 (1973 e 1984)
 Juventus 2 (1985 e 1996)
 Manchester United 2 (1999 e 2008)
 Santos 2 (1962 e 1963)
 Ajax 2 (1972 e 1995)
 Porto 2 (1987 e 2004)
 Corinthians 2 (2000¹ e 2012)
 Palmeiras 1 (1951)
 Fluminense 1 (1952)
 Vasco da Gama 1 (1953)
 Estudiantes 1 (1968)
 Olimpia 1 (1979)
 River Plate 1 (1986)
 Grêmio 1 (1983)
 Internacional 1 (2006)
 Atlético de Madrid 1 (1974)
 Borussia Dortmund 1 (1997)
 Estrela Vermelha 1 (1991)
 Feyenoord 1 (1970)
 Flamengo 1 (1981)
 Racing 1 (1967)
 Vélez Sársfield 1 (1994)
Eric Filardi
Eric Filardi
Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, criado em Taboão da Serra, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.
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