Sport Club do Recife – Um pouco sobre Pedro Henryque

O time do Sport se reformulou bastante para a temporada de 2019. Para este ano a equipe conta com alguns jogadores da base do Leão, que subiu para o profissional, e entre eles está Pedro Henryque, camisa 21, de 19 anos que veio de Bacabal, no Maranhão, e já foi campeão pernambucano pela base.

O meia, bastante extrovertido e bem ” pé no chão”, contou com exclusividade para o Futebol Na Veia como chegou ao clube, a expectativa para o pernambucano, e se jogaria nos rivais do estado. Confira abaixo:

VOCÊ JOGAVA DESDE PEQUENO?

Pedro – Sim, eu acho que comecei a jogar desde quando eu aprendi a andar (risos). É, não, tô brincando, tô brincando (risos). Acho que desde os cinco anos já chutava a bola, mas realmente em escolinha, desde os oito, dez anos. Já queria ser jogador, meu pai também já foi. No Brasil ele jogou no Criciúma e no Sampaio Correia.

COMO VOCÊ CHEGOU ATÉ O SPORT?

Pedro – Foi através do meu vizinho, ele jogou futebol, e é amigo do olheiro daqui. Conversou com ele e pediu pra eu vir fazer o teste no Sport. Aí eu vim, passei uma semana, fiz o teste de avaliação e passei, cheguei aqui dia 7 de fevereiro de 2015.

QUAL SACRIFÍCIO VOCÊ TEVE QUE FAZER PARA VIM JOGAR NO SPORT? QUAL O SENTIMENTO DE FICAR LONGE DA FAMÍLIA?

Pedro – Sacrifícios … Não … O pior sacrifício foi deixar minha família. Largar tudo pra correr atrás do meu sonho. Apesar de eu estar acostumado, mas assim, às vezes, num momento triste, às vezes quando a gente tá ali deitado, a gente sente falta da nossa família e quer tá perto, às vezes quando tinha um tempinho de folga … A gente ficava pedindo folga para ir em casa porque sentia saudades, mas isso faz parte e se Deus quiser, em breve a gente vai tá morando juntos.

NA SUA CAMISA, TEM O NOME ‘PEDRO HENRYQUE', MAS MUITOS CONHECEM VOCÊ POR ‘PEDRO MARANHÃO', POR QUAL NOME VOCÊ PREFERE SER CHAMADO?

Pedro – Na verdade, ‘Pedro Maranhão' foi meu treinador, Júnior Câmara, que colocou, na época do sub-17. Aí tinha dois ”Pedros” no grupo, então ele colocou meu nome como ‘ Pedro Maranhão’, e a galera começou a me chamar assim. Todo mundo me conheceu assim, só que eu gosto do meu nome, acho meu nome bonito, como o pessoal lá em cima no profissional queriam trocar, mas só depois do jogo-treino que teve, meu nome saiu nas redes sociais e tudo, aí todo mundo me conhece como Pedro Maranhão. Então, na camisa eu deixo Pedro Henryque da minha família, e Pedro Maranhão deixo só para jogador de futebol mesmo.

QUAL FOI A SENSAÇÃO FAZENDO SUA ESTREIA PELO SPORT?

Pedro – Pra falar a verdade, muitos estavam perguntando “tá nervoso?”; não, eu fiquei tranquilo, apesar de já tá acostumado jogar, assim, com a torcida do Sport, muitos jogos eu já joguei e a torcida compareceu em bom número, então eu já tava bem acostumado. Mas é que o profissional é outro nível, é outra coisa, outro jogo, velocidade do jogo é outra e as pessoas são outras, como Magrão. A gente olhava ele ali da arquibancada, ídolo do Sport, agora posso tá ali jogando com ele hoje, fazendo parte do grupo que ele tá jogando. Então, é outra sensação, e outro nível de felicidade por tá realizando um sonho.

E A PRESSÃO DE ESTAR NO PROFISSIONAL ? COMO É PARA VOCÊ?

Pedro- Não … Até o momento que eu subi não teve pressão nenhuma. A gente tá … O grupo tá fechado. Lá em cima, o clima tá muito bom, e em nenhum momento eu tive pressão, eu tive ajuda dos meus companheiros o tempo todo. Dentro do jogo tem aquela pressão, eu quero dizer, você erra, aí brigam, mas em nenhum momento tive pressão.

Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

QUAL A DIFERENÇA DE ENTRAR EM CAMPO PELA BASE E PELO PROFISSIONAL?

Pedro- Rapaz … Ah diferença é grande (risos). Porque na base, às vezes ainda há cobranças, só que não tanto quanto no profissional e a visibilidade é muito diferente. Até torcedores na base não vem tanto, mas no profissional já é o estádio todo. Todos os lugares tem torcedor, então a cobrança já é muito maior.

COMO FOI JOGAR A COPA SÃO PAULO DE FUTEBOL JÚNIOR PELO SPORT?

Pedro – É um sonho de qualquer atleta jogar a copinha, mesmo a gente ter saído na segunda fase pelo Corinthians, mas já de tá ali na Copinha, já é outra sensação também. É como se fosse uma estreia no profissional. Então, todo atleta quer jogar a Copinha e eu me senti realizado.

VOCÊ TEM LIMITAÇÕES? CONTE UM POUCO SOBRE O PEDRO HENRYQUE EM CAMPO.

Pedro – Não tenho. Olha, dentro de campo sou um cara bem estressado, que, às vezes, é principalmente com o juiz. Falo muito. Mas sou um cara que corre muito, corre o jogo todo, que se dedica, dá a vida ali pelo time dentro de campo e, se esforça muito, tanto pra atacar como pra defender. Um cara que se doa ao máximo pelo time.

FALA UM POUCO SOBRE O SPORT. O QUE VOCÊ ACHA DO TIME PARA O CAMPEONATO PERNAMBUCANO?

Pedro – Na verdade o clima tá muito bom, e ainda tá na formação de elenco, e eu acho que dá pra chegar, dá pra ser campeão, o elenco tá bom, as peças que tão chegando são peças ótimas, então só falta se encaixar e se Deus quiser vai dá tudo certo.

SE POR ACASO SURGIR ALGUMA PROPOSTA DOS TIMES DE PERNAMBUCO? COMO VOCÊ AVALIARIA?

Pedro – Pra falar a verdade, no momento, se surgisse, pra mim, eu não ia, pelo fato do Sport ser o maior do nordeste. Eu tô no maior time do nordeste, de Pernambuco, sem dúvidas nenhuma, e se eu sair daqui, quero ir para clubes maiores. Todo mundo quer jogar na Europa e eu gostaria de jogar no Real Madrid.

NAS REDES SOCIAIS, A TORCIDA DO SPORT, ESTÁ COTANDO VOCÊ COMO ARTILHEIRO DO PERNAMBUCANO, O QUE VOCÊ PENSA SOBRE ISSO?

Pedro – Ah, com certeza a gente acha bom a torcida gostar da pessoa, mas eu vejo que há muita expectativa. Entendeu ? Não é impossível, mas é muita expectativa por causa de um jogo-treino. Tipo, treino é treino, jogo é jogo, então a gente tem que ver no jogo, mas se for da vontade de Deus ser artilheiro, que venha né ? Eu recebo (risos).

A TORCIDA TAMBÉM FAZ BRINCADEIRAS PELA SEMELHANÇA QUE HÁ ENTRE VOCÊ E O EZEQUIEL, O QUE ACHAM DISSO ?

Pedro – Eu acho uma brincadeira saudável, tranquila, a gente rir muito lá no vestiário e é tranquilo, apesar de não parecer tanto (risos). É mais pelo cabelo, mas pelo tamanho já dá pra diferenciar. Um cara veio falar comigo no Instagram, dizendo que no jogo não sabia quem era quem, aí eu disse ‘’ é só tu olhar o tamanho, a chuteira e o número, que já vai saber quem é’’.

QUAL O SEU RELACIONAMENTO COM A EQUIPE?

Pedro – Ah, tranquilo, me dou bem com todo mundo. Com os jogadores que chegaram agora eu já peguei intimidade com alguns, tiro uma brincadeira, mas com os meninos da base já tô acostumado.

PARA O 2019 DO SPORT, O QUE VOCÊ ESPERA?

Pedro – Sempre a gente vem esperando o melhor pro time. Espera o acesso, e ser campeão da serie B e do pernambucano. Se Deus quiser a gente volta à elite do campeonato brasileiro ano que vem.

O QUE VOCÊ TEM A DIZER PARA ATLETAS QUE TAMBÉM TEM O SONHO DE SER JOGADOR DE FUTEBOL?

Pedro – Muita gente já me perguntou isso, e digo que é para nunca desistir, que sempre a oportunidade vem. Às vezes a oportunidade vem de onde você menos espera. Quando a minha veio eu não esperava. Tipo, eu tava em casa, normal, eu tinha voltado de um clube em agosto de 2014. Aí fiquei 4 meses em casa, terminei meu ensino fundamental lá, e quando deu fevereiro, meu vizinho chegou pedindo o telefone da minha mãe, que tava na rua conversando com a vizinha e eu tava na área lá de casa brincando com a bola que eu tinha. Aí ele ficou falando no telefone, e eu brincando só ouvindo, aí ele disse ‘tem um menino aqui, quer que eu leve ele aí amanhã ?’’ , e eu fiquei só olhando pra ele. Fui um dia depois por conta de documentos mas é isso. É isso o que eu digo, nunca desista. Mesmo se for que nem a minha cidade que não tem muito olheiro e oportunidade, mas que nunca desista, que vai ter oportunidade, se for da vontade de Deus vai ter. Deus sabe de tudo e tem os planos pra vida de cada um, então … Outro exemplo que eu dou é de Gabriel que tava aqui, que tava no Bahia. Ele não teve base, ele foi pego jogando na várzea e ele foi levado pro Bahia. Quando Deus dá a oportunidade ninguém tira não.

Vitória Queiroz
Vitória Queiroz, 19 anos, estudante de jornalismo. Admiradora do futebol. Futebol é arte.

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