Cercado de desconfianças após uma espiral negativa, o Criciúma soube dar a volta por cima com Paulo Baier na Série C 2021. A sequência incômoda soma o rebaixamento na Série B 2019, o quase rebaixamento na Série C 2020 e o rebaixamento no Campeonato Catarinense 2021. Indo de mal a pior, o Tigre apostou em uma fórmula que parece dar resultado pelos lados do Heriberto Hülse. Trouxe outro ídolo para o comando técnico. Desse modo, Paulo Baier busca resgatar o Criciúma. A missão? Retornar para a Série B o mais rápido possível.

O comandante

Paulo Baier tem identificação com o Criciúma. Afinal, foi decisivo ao marcar três gols na final da Série B 2002 contra o Fortaleza. Além disso, o técnico do Tigre Carvoeiro tem um estilo peculiar. Apesar das suas doses de bom humor, é bastante rigoroso quanto ao desempenho dos seus atletas. Pensa o futebol de modo organizado e objetivo. Contudo, o Criciúma não deixa de ser um time agressivo que faz questão de controlar a partida. É o novo conceito de jogo móvel que torna-se cada vez mais comum. Em síntese, saber a hora de atacar e quando é preciso defender.

A ideia

A filosofia de jogo do Criciúma é estratégica e basicamente funciona com dois estilos: proativo objetivo e reativo analítico. O primeiro funciona para as partidas em casa. Já o segundo é o padrão de visitante. Paulo Baier traz uma marcação intensa. O jogo propositivo é construído a partir das transições velozes que começam no campo de defesa. Trabalhar a bola com segurança para otimizar os chutes. Se possível sufocando a saída de bola. A sistemática reativa do Tigre se baseia em eliminar riscos através da leitura de jogo. Entretanto, o preparo físico precisa estar em dia.

A sequência

O Criciúma iniciou bem o campeonato. Com a proposta de fazer do Heriberto Hülse um alçapão, Paulo Baier acumulou vitórias contra Ituano (1 x 0), Ypiranga (2 x 1), Novorizontino (1 x 0) e Paraná (2 x 0). Por outro lado, a postura defensiva atuando fora de Santa Catarina rendeu pontos importantes diante de São José (0 x 0) e Oeste (0 x 0). Além disso, a classificação na Copa do Brasil (0 x 0; 2 x 2 / p. 3 x 2) sobre o América Mineiro deu ao Criciúma oito partidas de invencibilidade. Nesse sentido, o futebol da equipe cresceu com o treinador.

Os tropeços

O futebol reflete a inconstância da vida. Ninguém pode vencer sempre e alguma hora o Criciúma iria perder. O plantel de Paulo Baier caiu diante dos organizados Botafogo de Ribeirão Preto (3 x 1) e Mirassol (2 x 0). Em contrapartida, atuou longe dos seus domínios. Desse modo, as derrotas mostraram ao Criciúma que a concorrência da Série C exige cautela. Passar de fase é difícil. Inclusive, alguns dias depois a equipe catarinense perderia para o Ituano (3 x 0) jogando novamente no interior paulista. Precisa melhorar sua performance fora de casa.

A reabilitação

A recuperação do Criciúma veio em um clássico. A vitória sobre o rival Figueirense (1 x 0) deu confiança para as oitavas de final da Copa do Brasil. O Tigre aprontou e até venceu o Fluminense (2 x 1) no jogo de ida. Já na volta, o grupo de Paulo Baier amargou uma derrota por 3 x 0 no Maracanã. Dessa forma, deu adeus ao sonho do bicampeonato. Resta o returno da Série C. O tradicional Criciúma tem tudo para confirmar a sua vaga no G4 do Grupo B. Já venceu a competição em 2006. Era outro formato. Que suba. É grande demais para a Terceira Divisão.

Foto destaque: Divulgação / Criciúma Esporte Clube

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.