O rebaixamento da Chapecoense

Há cerca de três meses, escrevi um texto ressaltando o caráter inoperante da Chapecoense na atual temporada. É interessante rememorar que, naquela época, a equipe catarinense sequer havia vencido na Série A. Contudo, o ato da contratação de Pintado parecia ser a última tentativa de recuperar o time. Bem, não funcionou.

Com a vitória do Santos sobre o Bragantino (2 x 0), a Chape amarga o seu segundo rebaixamento à Série B. Antes havia caído em 2019. Nesse sentido, a nossa ideia é expor algumas razões para o fracasso da Chapecoense em 2021.

O planejamento ruim da Chapecoense

A princípio, a Chapecoense sofreu com o calendário. Em 2021, tivemos um fator extra: a necessidade de ajustar as datas em função da pandemia de coronavírus que nos acomete desde 2020. Com o avanço da vacinação, felizmente há sinais de que logo ela será superada. Todavia, as rixas internas no departamento de futebol também afetaram o ambiente do clube – e consequentemente o planejamento da Chape. Ademais, a própria manutenção do elenco campeão da Série B também foi um erro. Afinal, quem sobe tem que se reforçar. Não somente manter a base.

A falta de convicção da diretoria

O futebol sempre puniu os times que privilegiam a famosa dança das cadeiras. Só nessa temporada cinco treinadores estiveram à frente da Chape. No que se refere apenas à Série A, foram três comandantes (Jair Ventura, Pintado e Felipe Endres). Quando falta sequência sobra inconsistência. Além disso, a variedade de estilos impossibilitou que o plantel assimilasse uma filosofia de jogo que desse identidade à Chapecoense. Dessa forma, o time de Santa Catarina foi prejudicado pela tradicional cultura de demitir os técnicos no Brasil.

Descompasso entre os setores do campo

De antemão, é importante falar que a Chapecoense levou o dobro de gols que marcou até agora. Essa estatística é óbvia e torna inviável a permanência de qualquer equipe na primeira divisão. Historicamente, a Chape tem o trunfo de se defender muito bem. Entretanto, essa solidez não prevaleceu nessa temporada. É verdade que os catarinenses fizeram jogo duro em muitas partidas. Por outro lado, isso foi insuficiente para conseguir as vitórias que o time tanto precisava. Enfim, faltou caprichar mais lá na frente e dar uma segurada atrás.

Chapecoense: o pior mandante de todos

Já que adentramos a seara da estatística, exponho aqui o maior crime da Chapecoense: não ganhou um único jogo dentro de casa. Sua única vitória veio na 20ª rodada, quando a equipe atuou em Bragança Paulista. Hoje, a briga da Chape é para não quebrar o recorde negativo do América de Natal em 2007. Naquela ocasião, o clube potiguar venceu quatro jogos: dois em casa (Atlético Paranaense* e Paraná) e dois fora (Paraná e Santos). O Mequinha terminou com 17 pontos. Atualmente, a Chapecoense tem 15. Ou seja, outra vitória ou três empates bastam.

  • * Em 2007, a grafia era “Atlético”. Hoje em dia, o clube adota o termo “Athletico” para diferenciá-lo dos demais.

Foto destaque: Divulgação / Dinho Zanotto – AGIF

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.