Antes de mais nada, quero parabenizar o trabalho de Renato Gaúcho à frente do Flamengo. Afinal, o treinador resgatou o futebol arte do Mengão. Nesse sentido, uma consequência positiva dessa parceria foi a classificação para a final da Libertadores da América.

O clube carioca vai enfrentar o Palmeiras na decisão continental. Em síntese, é possível que o Flamengo se torne tricampeão da América? O objetivo do nosso texto é elencar as principais razões que nos levam a crer no título do Urubu.

Aproveitamento e experiência

Inicialmente, recordamos o desempenho impecável do Flamengo em decisões continentais. Desse modo, venceu as duas finais de Libertadores que disputou (1981 e 2019) e conquistou a Recopa Sul-Americana uma vez (2020). Em tese, o retrospecto do Mengão é visto com bons olhos.

O próprio técnico já disputou a final da Libertadores em três oportunidades. Foi campeão pelo Grêmio como jogador (1983) e técnico (2017). Contudo, perdeu nos pênaltis quando comandava o Fluminense (2008). A experiência de Renato pode pesar a favor do Flamengo.

A longa freguesia do Palmeiras

A princípio, o histórico recente de confrontos contra o time paulista é favorável ao Mengão. A última derrota foi pelo Brasileirão, em 2017 (2 x 0). De lá para cá, uma freguesia do Palmeiras. Além disso, o Verdão perdeu a final da Supercopa do Brasil (2021) para o próprio Flamengo.

Em 2019 e 2021, o Palmeiras perdeu ambos os jogos pelo Brasileirão. No entanto, é a segunda decisão consecutiva do Porco. A meu ver, é agora que a cobra vai fumar. Desse modo, se mantiver o histórico favorável, é bem provável que o Flamengo seja campeão.

A veia copeira de um time letal

Na atual temporada, o Flamengo venceu todos os jogos do mata-mata da Libertadores. Nas oitavas enfrentou o enjoado Defensa y Justicia. Ganhou na Argentina (0 x 1) e liquidou a fatura no Maracanã (4 x 1). Nas quartas de final, o Flamengo atropelou na ida e na volta.

Humilhou o Olimpia (1 x 4) em pleno Defensores del Chaco e passou o carro no Rio (5 x 1). Um placar agregado de 9 x 2 contra uma equipe tricampeã da América e campeã mundial. Nas semifinais o Mengão venceu os dois jogos contra o Barcelona de Guayaquil pelo mesmo escore (2 x 0; 0 x 2).

O estilo de jogo do Flamengo

É fato que desde a chegada de Renato Gaúcho o Flamengo passou a jogar um futebol mais arrojado. O conhecido futebol arte é uma característica marcante da escola brasileira e o técnico preza por esse elemento na sua cultura de trabalho.

No entanto, o Flamengo sofre com alguns apagões da defesa – como na eliminação para o Athletico Paranaense (0 x 3), pela Copa do Brasil. Nesse sentido, acredito que se a equipe conseguir equilibrar os setores em uma partida tática (semelhante a um xadrez) tem boas chances de título.

Qualidade do material humano

A princípio, as exibições iniciais repletas de goleadas subiram o sarrafo e elevaram muito as expectativas da torcida em torno de uma equipe que detém um plantel invejável. Para citar alguns nomes: Arrascaeta, GabigolBruno Henrique e Michael no que tange o setor criativo.

Continuando, uma meia-cancha refinada com Diego, Éverton Ribeiro e Andreas Pereira. Além disso, uma dupla de zaga quase intransponível (David Luiz e Rodrigo Caio) e um goleiro muito competente (Diego Alves). Enfim, todas peças de alto nível.

As superstições do Flamengo

Para fins de honestidade intelectual, adianto que o calendário da Libertadores sofreu alterações em incontáveis momentos da sua história sexagenária. Contudo, é verdade que o Flamengo sempre levantou a taça quando jogou a final em novembro. Primeiro, contra o Cobreloa em 1981.

Por último, diante do River Plate de Gallardo em 2019. Concluindo, trago a informação de que o Mengão já foi campeão em Montevidéu (palco da decisão contra o Palmeiras). Em 1981, a partida de desempate da série com os chilenos terminou em 2 x 0 para o Flamengo.

Foto destaque: Divulgação / Alexandre Vidal – Flamengo

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.