Libertadores .

Em fevereiro, tem início a fase preliminar da Taça Libertadores da América, trazendo possibilidade de dois grandes clássicos brasileiros já na fase de grupos. Isso porque, caso passe pelo Guarani-PAR e pelo vencedor de Cerro Largo e Palestino, o Corinthians cairá na chave do Palmeiras, que ainda conta com Bolívar e Tigre. Além disso, no caso do Internacional se classificar ao superar a Universidad de Chile e o vencedor de Macará e Tolima, encontrará o Grêmio. Isso mesmo, podemos ter o primeiro GreNal em uma Libertadores! Tendo em vista os confrontos, a possibilidade é real e bastante crível.

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Assim, como antigamente a fórmula da Libertadores previa que os representantes nacionais caíssem na mesma chave na primeira fase, muitos foram os confrontos entre times do mesmo país. Dessa forma, o Futebol na Veia fez um levantamento e apresenta algumas das vezes em que rivais se enfrentaram em disputas nacionais pela competição internacional na fase de grupos.

CLÁSSICOS NA LIBERTADORES

SÃO PAULO x PALMEIRAS (1974)

Assim, o Choque-Rei paulista é o clássico brasileiro que mais se repetiu na Libertadores com oito partidas. Dessa forma, o retrospecto aponta seis vitórias tricolores e dois empates. Na série histórica, apenas dois confrontos foram realizados na fase de grupos, ambos em 1974. Naquela edição, além dos dois representantes brasileiros, a chave contava com Jorge Wilsterman e Deportivo Municipal, ambos da Bolívia. Logo, apenas um clube avançaria à fase seguinte, que já era as semifinais do torneio sul-americano.

Nos jogos, o São Paulo levou a melhor. No primeiro confronto, venceu por 2 x 0 com gols do atacante Terto, ainda na etapa inicial. Já no segundo encontro, novo triunfo, dessa vez, por 2 x 1. O Palmeiras saiu na frente com Ronaldo, mas Mauro Madureira e Chicão viraram para o Mais Querido. O resultado garantiu o Tricolor do Morumbi na semifinal do torneio. Mais na frente, o time paulista viria a ser vice-campeão da Libertadores, perdendo a final em três jogos para o Independiente, da Argentina.

ROSÁRIO CENTRAL x NEWELL'S OLD BOYS (1975)

Foi em apenas uma edição que Rosário Central e Newell's Old Boys se enfrentaram naquela que é uma das maiores rivalidades da Argentina e do futebol sul-americano. Em 1975, La Lepra e San Lorenzo seriam os legítimos representantes argentinos na competição. No entanto, a AFA insistiu para as equipes realizarem um triangular com os Canallas, vice-campeões dos torneios classificatórios. Dito e feito, com isso, o Club do Papa ficou de fora do campeonato internacional.

Dessa forma, na Libertadores, as equipes se encontraram na fase de grupos, juntamente com Olimpia e Cerro Porteño. Assim, nos dois jogos, saíram empatados pelo mesmo placar de 1 x 1 e dividiram a liderança com o mesmo número de pontos, forçando um terceiro jogo. Na partida de desempate, no Gigante de Arroyito, Mario Kempes fez um gol de falta e decretou a classificação canalla no certame sul-americano. No entanto, na fase seguinte, ficou na vice-liderança do triangular semifinal e foi eliminado. Na final, o Independiente seria, novamente, campeão continental.

FLUMINENSE x VASCO (1985)

Em 1985, a Libertadores da América reservou o Clássico dos Gigantes para fase de grupos. Assim, Fluminense e Vasco abriram suas campanhas com um dos jogos mais memoráveis da série histórica. No entanto, também marcado negativamente. Isso porque, em um Maracanã lotado, Roberto Dinamite abriu o placar para a Cruz de Malta. Mas, ainda na etapa inicial, Romerito virou e, logo após, Nenê empatou. Na reta final, Leomir para os Vascaínos e Nenê, novamente, para os Tricolores, definiram o placar de 3 x 3.

Todavia, o Vasco foi punido pela escalação irregular do meia Gersinho e os pontos do jogo foram passados para o Fluminense. Apesar disso, o empate em 0 x 0 no segundo encontro contribuiu para que as equipes terminassem a fase nas últimas posições. Por consequência, foram eliminadas ainda na primeira fase do torneio sul-americano que teria o Argentinos Juniors como campeão, nos pênaltis, contra o América de Cali.

PEÑAROL x NACIONAL-URU (1983)

O clássico dos dois gigantes do Uruguai é o que mais aconteceu pela Libertadores, ao todo foram realizadas 38 partidas. Além disso, é o confronto das duas equipes que mais disputaram a competição. Assim, a série histórica aponta 13 vitórias do Peñarol contra 10 triunfos do Nacional-URU. Por consequência, houve outros 15 empates. Dessa forma, as equipes já se encontraram inúmeras vezes na fase de grupos, na época em que iam para as chaves dois representantes de cada país.

Logo, em 1983, quando a segunda fase do torneio era decidida no formato de grupos, Peñarol e Nacional-URU caíram na mesma chave que também tinha o San Cristóbal, da Venezuela, que terminou na lanterna do grupo. Assim, nos dois jogos, os Carboneros venceram. No primeiro duelo, Diogo e Silva fizeram os gols do 2 x 0. Já no confronto decisivo, a equipe ganhou, de virada, por 2 x 1 através dos tentos de Salazar e Aguirregaray. No final, os Aurinegros perderiam o título na emblemática final contra o Grêmio.

ALIANZA LIMA x UNIVERSITARIO (1988)

Sendo assim, o clássico mais tradicional do Peru também aconteceu pela Libertadores, e na fase de grupos. Foi em 1988, onde o grupo ainda contava com Guarani e Sport. Dessa forma, Alianza Lima e Universitario fizeram um dos jogos mais marcantes de sua história. Logo, a partida aconteceu na primeira rodada do torneio com o mando de campo do Garrita. Assim, não tiveram trabalhos para abrir 2 x 0 logo de cara. No segundo tempo, Los Grones perderam a cabeça e apelaram para faltas violentas que lhes renderam três jogadores expulsos.

Sem muitas forças para seguir competitivo na partida, a goleada era o caminho óbvio. No entanto, dois jogadores caíram no gramado alegando lesões. Já tendo feito todas as substituições e sem poder prosseguir com o duelo com apenas seis atletas em campo, o árbitro deu por encerrado o confronto. Dessa forma, o episódio ficou conhecido como o Clássico do Abandono e até hoje é assunto nas rodas de conversa peruanas. Apesar disso, o Universitario classificou no grupo, juntamente com o Guarani, mas ambos caíram na segunda fase. Na final, o Nacional-URU foi campeão diante do Newell's Old Boys.

BOLÍVAR x ORIENTE PETROLERO (1997)

Novamente, devido a regra dos representantes nacionais caírem no mesmo grupo na primeira fase, o clássico boliviano entre Bolívar e Oriente Petrolero aconteceu por 10 vezes. A vantagem pertence aos Azuis de La Paz com cinco vitórias contra apenas dois triunfos dos Albiverdes. Por consequência, também houve três empates. Assim, destaque para o duelo na Libertadores de 1997. No grupo, que contava ainda com Guarani e Olimpia, o Papagaio havia sido goleado no primeiro duelo por 4 x 0.

Dessa forma, no jogo da volta, o Bolívar era o favorito, até para uma nova goleada. No entanto, a tônica do confronto foi de equilíbrio em jogo que terminou empatado em 3 x 3. Assim, o saldo final acabou sendo favorável para as duas equipes que se classificaram na chave. No entanto, nas oitavas de final, apenas os Azuis de La Paz seguiram vivos até as quartas de final, quando foram eliminados pelo Sporting Cristal, do Peru. Na final, os algozes perderam o título para o Cruzeiro.

Foto Destaque: Reprodução / Thiago Machado / Jornal do Comercio 

Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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