Times argentinos - Boca Juniors

Copa Libertadores da América, o sonho de consumo de todos os times sul-americanos. Além disso, um torneio de enorme prestígio ao redor do mundo. Tem como seu maior conquistador um argentino, o Independiente. Tal qual, chamado Rei de Copas. O país com mais títulos na competição? Curiosamente, ou não, também a Argentina.

Aliás, como é difícil dissociar a imagem dos hermanos da competição mais cobiçada no continente. No entanto, a supremacia do país Albiceleste, de fato, não colheu bons frutos nas últimas edições. Ao contrário, clubes brasileiros tem batido de frente com gigantes, quase sem medo algum. Afinal, será que acabou a mística dos times argentinos? Confira na edição desta semana da coluna Rasgando o Verbo.

Times argentinos na Libertadores

Criada em 1960, ainda com o nome de Copa Campeões da América, a competição continental começou com domínio uruguaio e brasileiro. Mas, em 1965, quando passou a se chamar Libertadores, em homenagem aos líderes dos movimentos de libertação da América hispânica e do Brasil, atuantes nos séculos XVIII e XIX, o torneio já tinha o seu primeiro grande hermano fazendo história, o Independiente. Aliás, o clube de Avellaneda foi campeão sete vezes e hoje detém o título de maior vencedor do campeonato.

Ao passar dos anos, outros times argentinos começaram a tomar gosto pela competição. Clubes como Boca Juniors, River Plate e Estudiantes se tornaram praticamente sinônimos do nome do torneio. Afinal, como esquecer equipes em que todos os anos chegam nas finais e dificultam a vida de seus adversários ao máximo, muitas vezes saindo com o título? Impossível.

Palmeiras x Boca Juniors 2000
Foto: Reprodução/LANCE!

Dentre os casos mais famosos, tem os Xeneizes, que venceram Cruzeiro, Palmeiras, Santos e Grêmio em finais, jogando no Brasil. Além disso, os triunfos do River Plate sobre o Corinthians em 2003 e 2006, e quando superou o Cruzeiro em 2015 e 2019. O time mineiro também, vítima do Estudiantes de La Plata na final de 2008, dentro do Mineirão.

De fato, edição após edição, argentinos construíram dentro da Libertadores resultados incríveis, muitas vezes inesperados. É como se a garra, a vontade de vencer, o espírito de luta se tornassem mais fortes quando se encontravam em uma situação desfavorável.

No entanto, o cenário já não é mais o mesmo. Pelos menos não nos últimos confrontos. A maioria das disputas recentes entre brasileiros e argentinos tem terminado com sorrisos verde e amarelo.

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O jogo mudou?

Decerto, o primeiro grande caso é a final de 2019. Quando o Flamengo enfrentou um River Plate considerado favorito e venceu de virada nos últimos minutos. Aliás, que virada! Já na edição seguinte, de 2020, a decisão do torneio foi entre dois brasileiros. Além disso, ambos eliminaram times argentinos na semifinal. Palmeiras se classificou após vencer o próprio River, jogando fora de casa, por 3 x 0 e suportar a pressão no jogo da volta. Enquanto isso, o Santos aplicou o mesmo placar sobre o poderoso Boca Juniors, na Vila Belmiro.

Flamengo x River Plate 2019
Foto: Reprodução/Cassio Zirpoli

Mais recentemente, já em 2021, dois outros grandes golpes no ego Albiceleste. Pelas oitavas de final da competição, o Racing recebeu um São Paulo sob desconfiança, desfalcado e com o título de zebra no confronto. Mas, mesmo assim, perdeu por 3 x 1, dentro do El Cilindro. Ao passo que, os Xeneizes enfrentaram o Atlético-MG e, após dois empates por 0 x 0, o time de Miguel Ángel Russo perdeu a classificação nos pênaltis. Curiosamente, o Boca nunca havia perdido disputas por pênaltis para um time do Brasil na história do torneio.

Mas será que os times argentinos perderam a sua mística?

Certamente, alguns fatores podem ajudar a explicar os últimos eventos. É provável que um deles seja a arbitragem? Talvez. Afinal, o Boca Juniors reclamou muito das decisões dos árbitros, e do VAR, nos dois jogos do confronto. Em ambos os duelos, o time teve gol anulado sob marcação de infração do ataque na jogada. Lances que não foram percebidos pela arbitragem de campo e contaram com a intervenção digital para serem marcados. O que fez o apelido “VARsil” voltar à boca dos hermanos.

Mas outros dois pontos são mais relevantes para esta reflexão. O primeiro deles, a falta de público nos estádios. Já que, devido à pandemia de Covid-19, que assola o mundo, clubes de futebol no Brasil e na Argentina tem de jogar sem a presença de suas torcidas. Sendo assim, Boca, Racing, River, Estudiantes e outros, não podem contar com a massa, que durante décadas faz a diferença com pressões absurdas a favor dos seus times. Dessa forma, muitas vezes se sobressai aquele que tem mais poder técnico.

Torcida do River Plate
Foto: Reprodução/LANCE!

E aí surge o segundo ponto, o investimento. Afinal, é notória a vantagem da capacidade financeira de brasileiros sobre os seus rivais sul-americanos. Vide os supertimes montados por Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG, nesta temporada. A qualidade dos jogadores é discutível. Entretanto, não se pode negar que são elencos com muio mais opções.

Por fim, é improvável que a tradição e peso dos times argentinos na América do Sul tenha acabado de repente. Contudo, fatores importantes devem ser levados em conta para tentar entender o atual cenário. É preciso reconhecer que brasileiros estão, finalmente, aprendendo a jogar a Libertadores, principalmente contra aqueles se consideram os donos dela.

Foto destaque: Reprodução/

Carlos Soares
Além da enorme paixão pelo esporte, eu sempre tive facilidade com a comunicação no geral. É uma habilidade que me destaca em qualquer ambiente que esteja. O desejo de fazer jornalismo surgiu devido a vontade de fazer com que essa aptidão possa me proporcionar grandes desafios em minha carreira profissional, principalmente na área esportiva. Ao ingressar na faculdade e estagiar na área, descobri diversas abordagens diferentes que o jornalismo pode ter e a quantidade de histórias que estão esperando para serem contatadas. O que fez eu me interessar ainda mais pela profissão e querer desempenhar um fazer jornalístico objetivo e de qualidade.