Retrospectiva 2021: Sport viveu vexames, perda de título e rebaixamento

2021 foi dos anos atípicos o mais típico para o Sport Club do Recife. Pois, quando se projetava que não ia, foi, e quando se imaginava que ia, não foi. Sendo assim, de Jair Ventura à Gustavo Florentín, passando por Umberto Louzer no comando técnico, de Milton Bivar à Yuri Romão, o Leão conviveu com várias trocas na presidência executiva. Logo, não tinha como dar certo em um ambiente turbulento político e tecnicamente. Portanto, o saldo final foi de campanhas vexatórias no primeiro semestre e mais um rebaixamento à nível nacional, o terceiro nos últimos 10 anos.

UMA PERMANÊNCIA VENTUROSA

A bem da verdade, 2021 começou ainda resolvendo a temporada 2020, após a suspensão das partidas por conta da pandemia da Covid-19. Dessa forma, o Brasileirão, que terminaria em dezembro, teve seu fim em fevereiro. Sendo assim, sob o comando de Jair Ventura, o Sport realizou ainda 11 confrontos, com quatro vitórias, um empate e seis derrotas. Logo, patinou, mas se segurou na 15ª posição com vitórias importantes diante do Fortaleza, Bahia e Botafogo, rivais diretos. No entanto, a mais emblemática foi em Porto Alegre, onde o Internacional defendia a liderança e a busca pelo título brasileiro.

Isso porque, no melhor estilo Jair Ventura, o Sport jogou reativamente e sofreu pressão de um Internacional que podia abrir vantagem e consolidar as chances de voltar a ser campeão, após 41 anos. Todavia, a expulsão de Uendel, ainda no primeiro tempo, e o drible desconcertante de Marcão, que resultou no primeiro gol, colocaram o Rubro-Negro na frente. Tão pouco o empate de Patrick, ex-jogador leonino, desanimou o time que ainda comemoraria o tento da vitória nos acréscimos da etapa inicial com Dalberto. Apesar disso, a permanência foi selada duas rodadas à frente, mesmo na derrota para o Atlético-MG, com uma partida de antecedência.

FALTA DE PLANEJAMENTO EM 2021 CONDENA SPORT NA COPA DO BRASIL E DO NORDESTE

Inicialmente, sem férias, 2021 começou quando 2020 nem tinha terminado, já que o Sport estreou no Campeonato Pernambucano na véspera da última rodada do Brasileirão. Portanto, a indefinição da permanência adiou o planejamento para este ano. Logo, algo que fez com que o Leão renovasse com praticamente todo o elenco que quase rebaixou o clube na Série A. E que foi bastante criticado durante toda a campanha. Dessa forma, para dar um mínimo descanso aos remanescentes, o Rubro-Negro mandou à campo um time alternativo para a largada na Copa do Brasil.

No entanto, sem padrão de jogo e entrosamento, o que se viu diante da Juazeirense-BA foi um time apático e que pagou o preço de um planejamento às pressas e em crise financeira. Pois, se a defesa foi o pilar da permanência na elite, sofrer três gols ainda na primeira fase da Copa do Brasil não estava nos planos leoninos. Logo, a partida foi marcada por paralisações por discussões entre comissão técnica, sumiço de bolas e apagões, que fizeram o jogo acabar antes do fim.

Ainda mais, na edição 2021 da Copa do Nordeste, o Sport realizou a sua pior campanha da história com a vexatória lanterna do Grupo A. A saber, com apenas uma vitória em oito jogos, diante do Santa Cruz. Além disso, somou derrotas históricas para Bahia e Ceará, ambas por 4 x 0, nos únicos duelos contra times da Série A antes do início do Brasileirão 2021. Portanto, resultados que condenavam a temporada e resultaram na demissão do técnico Jair Ventura, pouco menos de dois meses após a heroica permanência na elite. Logo, para seu lugar, chegou Umberto Louzer, então campeão da Série B com a Chapecoense.

LOUZER: UM VENTURISMO SEM GOL

Logo, a aposta em um campeão renovou as esperanças, ainda mais com um melhor futebol na reta final do Campeonato Pernambucano, que levou até a decisão contra o Náutico. No entanto, com erros individuais, o Sport voltou a ser vice estadual para seu rival, após 53 anos. Sendo assim, de diferente de Jair Ventura, Louzer tinha a marca de um time melhor na transição e no aproveitamento ofensivo, mas que ainda jogava reativamente. Todavia, quando o Leão iniciou o Brasileirão as carências de elenco e a falta de planejamento ficaram escancaradas.

Isso porque, mesmo tendo sido o setor onde o clube mais contratou, o ataque penou para marcar um gol, tendo ficado oito rodadas sem balançar as redes. Como consequência, fechou a campanha como o pior do Brasileirão, com 24 tentos. Apesar de Umberto Louzer ter convivido com lesões de jogadores e a dificuldade para repetir escalações, não conseguiu resolver o problema que se tornou crônico ao passar das rodadas e a estadia no Z4. Sem soluções, deixou o comando técnico ao final do primeiro turno da competição com o clube afundado na zona de rebaixamento.

CINCO PRESIDENTES EM 2021, NENHUM COMANDO NO SPORT

Para piorar, desde outubro de 2020, o Sport teve cinco presidentes executivos. Assim, em comum, erros políticos e administrativos que afundaram o clube ainda mais na crise financeira. Isso porque, marcadas para dezembro de 2020, as eleições leoninas somente aconteceram em abril de 2021, com a reeleição de Milton Bivar, que renunciou ao cargo, após dois meses. Em seguida, pouco tempo depois, o presidente em exercício, Carlos Frederico, também renunciou, gerando revolta nos bastidores e a ascensão do presidente do Conselho Deliberativo, Pedro Leonardo Lacerda, ao cargo para convocar novas eleições.

Dessa forma, o cenário de turbulência política entrou em campo com protestos públicos de jogadores, como André e Thiago Neves, por salários atrasados e o desempenho nas quatro linhas como reflexo do futuro incerto. Após novo pleito, Leonardo Lopes foi eleito prometendo uma renovação e um choque de gestão nas finanças. No entanto, erros nas inscrições de jogadores recém-contratados e o Caso Pedro Henrique, que poderia gerar perda de pontos, derrubaram a diretoria de futebol, comandada por Nelo Campos. então cabeça de chapa de Leonardo Lopes. No fim, mais um presidente se afastou, por licença temporária, e seu vice, Yuri Romão, assumiu a presidência executiva.

A APOSTA NO PARAGUAIO

Sendo assim, já padecendo na zona de rebaixamento, a nova gestão do Sport apostou em um técnico estrangeiro: o paraguaio Gustavo Florentín. Logo, sem poder contratar, o treinador teve que resolver as deficiências com o elenco que tinha em mãos e demorou encaixar uma formação. Dessa forma, somente conquistou sua primeira vitória após quatro rodadas. Nesse ínterim, o Leão teve as baixas de duas lideranças técnicas, André e Thiago Neves, que se despediram do clube. Apesar disso, o meia Hernanes já havia chegado com a promessa de melhorar o setor de criação do time.

Nessa época, o Sport emendou três vitórias seguidas diante do Grêmio, Juventude e Corinthians, que lhe trouxe de volta a luta contra o rebaixamento. Curiosamente, a melhora na campanha se deu com o retorno da torcida aos estádios, com a Arena de Pernambuco em sua lotação máxima permitida, e na aposta nos atletas da base, Gustavo e Mikael. No entanto, após, o Leão somou apenas mais duas vitórias, a mais emblemática contra o Atlético-GO, mas que não foram suficientes para evitar a queda à Segunda Divisão com três rodadas de antecedência.

Apesar do rebaixamento, os bons números técnicos e a identificação de Gustavo Florentín com o clube e torcida asseguraram a renovação do treinador para a próxima temporada. Agora, resta ao Sport um melhor planejamento, mesmo com um receita menor que 2021, para retornar à elite em 2022 e se fazer grande outra vez à nível estadual e regional.

Foto destaque: Divulgação/Rafael Vieira/Esp. DP Foto

Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 29 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."