As próximas semanas marcam no calendário a disputa das quartas de final da Copa Libertadores da América. Nesse sentido, é natural que comecem a despontar os favoritos à medida que a competição vai afunilando. Certo mesmo é que não vai faltar emoção nessa fase do torneio. Seja pelo Choque Rei ou pelo próprio contexto romântico e melodramático que acompanha as decisões do certame continental. Nosso país chega forte mais uma vez e já tem ao menos um semifinalista garantido. Para qual dos oito sobreviventes a taça vai sorrir no apagar das luzes?

Flamengo x Olimpia

Para os desavisados, essa partida pode até parecer moleza para o time de Renato Gaúcho. Contudo, o histórico de confrontos aponta um equilíbrio. São 5 vitórias do Flamengo contra 4 do Olimpia – além dos 5 empates. O tabu é que o Urubu nunca conseguiu vencer o Rey de Copas pela Libertadores (apenas pelas extintas Copa Mercosul e Supercopa Sul-Americana). Duas camisas tradicionais que somam 5 troféus do torneio em questão. Dois clubes de massa que possuem a maior torcida nos seus respectivos países (Brasil e Paraguai). Definitivamente um jogaço.

Ainda que o Olimpia não disponha do poderio aquisitivo milionário de seu adversário, é até possível equilibrar essa discrepância técnica no tocante ao Flamengo se tiver aplicação tática. No mano a mano os paraguaios estão levando desvantagem. É necessário redobrar a marcação. O Mengão é favorito mesmo. Deve partir para cima e sufocar os rivais com base na qualidade do seu material humano. Provavelmente ele estará na final em Montevidéu. Contudo, precisa eliminar o Olimpia primeiro. O Internacional subiu o salto e sucumbiu em casa. Todo cuidado é pouco.

Barcelona de Guayaquil x Fluminense

Talvez o jogo mais equilibrado dessa fase. Será a primeira vez que se enfrentarão em uma partida oficial. Entretanto, o Fluminense leva uma vantagem histórica. Afinal, ganhou os 3 amistosos que já disputou com o Barcelona de Guayaquil e perdeu apenas um confronto pela Florida Cup em 2018. Nesse sentido, é compreensível que a tônica do jogo leve a um nervosismo compartilhado. Sobretudo se considerarmos que ambos nunca conquistaram o troféu da Libertadores. Embora até tenham passado perto. Os equatorianos em 1990 e 1998, já o Fluzão em 2008.

Desse modo, também é importante colocar as campanhas na fase de grupos. Os dois lideraram seus grupos. O time do Equador pegou uma chave complicada com Boca Juniors e Santos. Enquanto isso os comandados de Roger Machado terminavam à frente do temido River Plate de Marcelo Gallardo. Fizeram jogo duro inclusive. Há esperança para o Fluminense? Com certeza. É uma equipe bem ajustada nas suas limitações. Contudo, a queda de rendimento no Brasileirão preocupa. Vejo o Flu com condições de passar, todavia não será nada fácil…

Atlético Mineiro x River Plate

A título de curiosidade, eis a partida que eu mais quero assistir nessa fase da Libertadores. O bilionário Galo (seja em investimento ou em dívidas) enfrenta Los Millonarios de Gallardo. Conhecidos pelos rivais como “gallinas”, os torcedores do River Plate precisam abrir o olho. Afinal, o próprio Boca Juniors ficou pelo caminho (apesar de reclamar muito da arbitragem) após beber o veneno da arrogância. Trocadilhos à parte, o teste de fogo do Atlético Mineiro está próximo. Enfrentará um esquadrão que dispensa apresentações – embora esteja em final de ciclo.

No histórico é equilíbrio absoluto. Uma vitória simples para cada lado em duas partidas válidas pela Libertadores de 1978. Esperamos um jogo aberto entre dois times que prezam pela excelência no toque de bola. Nesse duelo de aves, o galináceo brasileiro precisa ter sangue frio para superar a catimba argentina. Por outro lado, o River Plate sente a necessidade de corrigir alguns desarranjos táticos que prejudicam seu desempenho dentro das quatro linhas. Em síntese, Gallardo sabe que sua equipe perdeu o favoritismo natural. Vai morrer atirando.

Palmeiras x São Paulo

Os deuses do futebol reservaram um clássico de renome para esse instante da Copa Libertadores. O Choque Rei mais importante da história vai opor o Palmeiras de Abel Ferreira ao São Paulo de Hernán Crespo. Afinal, o máximo que o duelo chegou até então na competição continental foi a fase de oitavas de final. Vale ressaltar que o Porco nunca derrotou o Tricolor jogando pela Libertadores. São 6 vitórias do São Paulo e 2 empates. É verdade que o retrospecto não favorece, porém esta é a oportunidade de ouro para reescrever a história.

Por outro lado, se nós tomamos o histórico completo do confronto, o equilíbrio prevalece e a vantagem são-paulina encurta bastante. São 111 vitórias do Soberano contra 109 triunfos do Palmeiras. Ademais, em outras 109 ocasiões o jogo terminou empatado. Em suma, o momento da equipe de Abel é infinitamente mais confortável. É vice-líder do Brasileirão, com 32 pontos, enquanto o São Paulo amarga a zona de rebaixamento. Enfim, sei que no campo tudo se iguala: 11 contra 11. O futebol é uma caixinha de surpresas. Por ora, aposto minhas fichas no Palmeiras.

Foto destaque: Divulgação / Washington Alves

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.