Cafu levantando a taça da Copa do Mundo em 2002.

A aproximadamente 1 ano e 6 meses do início da Copa do Mundo do Catar e chegando na metade das Eliminatórias para ir à competição, começam a surgir questionamentos sobre a seleção brasileira. Assim, o principal deles é: o Brasil está preparado para a briga pela Copa do Mundo? Certamente, várias pessoas sonham em ver o Brasil campeão do mundo, e a cada quatro anos esse desejo é renovado por alguns aspectos. Por outro lado, alguns pontos negativos fazem com que o sonho vá por água abaixo, mas seria no Catar que a espera acabaria? Assim, mostraremos fatores a favor e contra a seleção.

Tite é realmente o ideal para o Brasil? A geração é boa?

Para ambas perguntas teremos a mesma reposta: sim. Para chegar em tal conclusão, vamos aos números de Tite pela Seleção em jogos oficiais: 28 jogos, 22 vitórias, cinco empates e apenas uma derrota (para a Bélgica, na Copa do Mundo de 2018). São 65 gols marcados (2,32 por jogo) e apenas nove sofridos (0,32 por jogo), além de 21 jogos sem sofrer gols e um título. Uma defesa sólida e um ataque eficiente é tudo o que o treinador sempre pregou e, nos seus trabalhos com mais resultados, conseguiu. Além disso, o comandante conta com uma forte variação tática de se impor contra equipes mais fracas e saber se retrair contra times com maior poderio. Com isso, o técnico se consolida como a melhor opção, levando em consideração os profissionais disponíveis no mercado.

Após isso, a geração que Tite tem em mãos é riquíssima. Repleta de jovens – como Vinicius Junior, Rodrygo, Richarlison, Gabriel e Gabriel Jesus, entre vários outros -, com pitadas de jogadores experientes – como Thiago Silva, Daniel Alves, Everton Ribeiro, Neymar e Marquinhos -, o que mostra uma miscigenação com grandes nomes, que fizeram sucesso no Brasil ou no mundo. Assim, mostra-se que a geração tem um grande potencial de crescimento se bem aproveitada.

Mas, é bem aproveitada?

Sim, o Brasil está sobrando nas Eliminatórias, tendo, em cinco partidas, 14 gols marcados e apenas dois sofridos. Claro que são equipes mais fracas e é isso que mostra o bom aproveitamento da geração brasileira.

Quando o Brasil joga contra a Venezuela e vence por “apenas” 1 x 0, é sinônimo de chacota e tristeza, pois pensam que é um completo demérito e incompetência de Tite, mas não pensam que a Venezuela teve toda uma preparação para aquele duelo em específico. Estuda o Brasil. Estuda maneiras de parar o ataque brasileiro e vencer no contra-ataque. Ou seja, se retrai e tenta segurar a seleção ao máximo e consegue, sofrendo apenas um gol. Deve-se dar, também, o devido reconhecimento ao trabalho venezuelano. Mas quando o Brasil joga contra a Bolívia e goleia por 5 x 0, justificam por ter uma seleção bem mais forte. E é exatamente isso que times mais fortes devem fazer. Se impor e vazar o máximo possível a defesa adversária.

Seleções mais fortes

Porém, nem tudo são flores. O Brasil não tem a melhor seleção do mundo, por mais que conte com craques. A atual campeã, França, figura mais uma vez como a principal favorita ao título, mantendo a mesma base do elenco campeão e com um grande reforço para a Eurocopa, e que certamente estará no Mundial ano que vem, o atacante do Real Madrid, Karim Benzema. Além dela, outras seleções também aparecem como fortes para a Copa, como a Bélgica, algoz do Brasil no Mundial na Rússia, Portugal, com uma geração de jovens muito fortes junta ao fenômeno Cristiano Ronaldo. A Inglaterra também conta com jovens que se destacam em seus clubes, como Sancho (Borussia Dortmund) e Mount (Chelsea), que se juntam à estrelas, como Harry Kane (Tottenham) e Sterling (Manchester City).

Mas, se tratando de Futebol Copa do Mundo, tudo pode acontecer, até mesmo candidatas ao título sequer passarem da primeira fase, caso da Alemanha, em 2018.

Brasil ainda depende do Neymar

A dependência de Neymar é algo notório e inegável na Seleção. Por mais que com Tite essa submissão tenha diminuído, ainda é assustadora a diferença entre o Brasil com e sem Neymar. Em competições oficiais, o atacante conta com 23 gols e 17 assistências em 38 jogos, o que dá, em média, participação em um gol por jogo. Além disso, considerando o início da dependência do craque, por volta de 2013 (Copa das Confederações, seleção campeã com sobras), o Brasil só perdeu quando o craque não esteve em campo (em quatro oportunidades, uma delas, tirando o Brasil da disputa da Copa América Centenário, em 2016) com exceção de dois jogos: Colômbia, na Copa América de 2015, e Bélgica, na Copa do Mundo de 2018. Além das dificuldades que a Seleção encontra sem o jogador.

Por outro lado, o Brasil foi campeão da Copa América em 2019 sem o craque. Ou seja, o Brasil pode se virar sem Neymar, mas não em Copa do Mundo. Visto que, nas quatro derrotas quando não teve o craque, duas foram na competição.

Em suma, a Seleção não chega como grande favorita para a Copa, levando em consideração os jogadores de outras seleção. Porém, a equipe brasileira certamente figurará como coadjuvante da competição, o que pode fazer com que a seleção belisque uma semifinal, ou até mesmo a finalíssima. Por outro lado, caso Neymar não esteja 100% fisicamente, dificilmente o Brasil chegará de fato longe no campeonato.

Cafu, campeão pelo Brasil, levantando a taça da Copa do Mundo em 2002.
Cafu, campeão pelo Brasil, levantando a taça da Copa do Mundo em 2002. Foto: CBF

Foto Destaque: Reprodução/FolhaPress

Avatar
Processo Seletivo

Deixe uma resposta