Títulos importantes, passagens em Portugal, Arábia Saudita e várias outras façanhas no currículo. Esse é Geninho, um dos mais importantes técnicos brasileiros. Com passagem recente no Vitória. Dessa forma o Futebol na Veia em entrevista exclusiva, abordou diversos temas de relevância. Vale a pena conferir.

Bate papo exclusivo com Geninho

Na temporada passada você chegou ao com o time sendo um concorrente direto ao rebaixamento. Contudo, você conseguiu contornar a situação. Geninho, na sua visão, o que faltou ao clube e o que vocês mudaram para essa.

“A princípio, quando eu cheguei no Vitória o ano passado, o time tava passando por uma situação bastante difícil, correndo o risco seríssimo de rebaixamento. Senão me engano tinha 83% de chance de que isso acontecesse. Assim, pegamos um time meio conturbado, um grupo abatido, tentamos da moral ao grupo, tentamos motivar esse grupo. Logo, implementamos um estilo de jogo um pouco mais agressivo, buscando mais o resultado do que um espetáculo e as coisas acabaram acontecendo. Logo, o  grupo assimilou muito bem o que nos queríamos que somente nos poderíamos contornar aquela situação e graças a Deus conseguimos atingir o objetivo”.

Divulgação/Vitória
 Divulgação/Vitória

No início da temporada passou por uma cirurgia no olho. Geninho, Como foi o período preparatório e se pensou em encerrar a carreira ou viu que não era algo grave?

“Não, início da temporada realmente eu fiz uma cirurgia no olho. Contudo, não era nada complicado era uma coisa que já tava agendado a algum tempo. Era apenas uma correção de um princípio de catarata, mas nada que não houvesse uma recuperação rápida. Assim, Cheguei a tempo de pegar o início do campeonato, então não me atrapalhou em nada foi uma cirurgia simples.”

Brasileiro de 2001

Um de seus principais títulos foi o Campeonato Brasileiro de 2001, com o Athletico Paranaense, fale um pouco dos bastidores daquela campanha Geninho e do que se recorda

“A princípio, o trabalho de 2001 no Athletico Paranaense teve um início um pouco conturbado. Logo, eu peguei um grupo que havia sido formado pelo Mário Sérgio, um grupo de excelente qualidade, mas que não tava conseguindo os resultados dentro de campo. Isso trazia a esse grupo uma cobrança muito grande pelos resultados pelo seu comportamento tinha uma cobrança muito grande em relação aquele grupo ao seu comportamento extra campo. Então, a princípio não foi bom mas como sempre com muita conversa com um trabalho bastante forte pra que se mudasse a atitude.”

“Dessa forma, acho que é fundamental atitude dentro de um trabalho. Logo, esse grupo assimilou a qualidade que poderia colocar pra fora que poderiam dá mais do que tava dando que o seu comportamento deveria ser um comportamento mais profissional. E isso acabou se refletindo dentro de campo”.

 “Porém, a partir do momento que esse grupo encaixou era um grupo de qualidade como já havia dito.. as cobranças se transformaram em apoio e a torcida começou a vir junto a própria imprensa reconhecendo os resultados e aí tudo ficou mais fácil de conseguir.”

“Empecilho” para as equipes menores

Geninho o Athletico de 2001, foi a última equipe a conquistar o Campeonato fora do eixo. No seu entendimento quais os fatores que tem dificultado a presença de times fora do “eixo” como Campeões?

“Eu acredito que a própria mudança do regulamento dificultou muito uma daquelas equipes ditas menores ou fora do “eixo” como vocês dizem de brigar pelo título”.

“O ponto corrido, posteriormente, turno e returno direto acabou dificultando um pouco aquelas equipes que tem um pouco menos de condição de investimento, de montar uma equipe com jogadores equivalentes. Se você pudesse administrar melhor contusões, suspensões.., Contudo, na época que o Athletico foi campeão nós tínhamos uma fase classificatória, onde oito chegavam com chances de disputar o título”.

“Logo, você ia pro mata-mata, dentro da eliminatória acho que as coisas se equilibram um pouco mais do que num Campeonato de pontos corridos. Dessa forma, eu acho que talvez o maior motivo de um time menor perder a  chances  de disputa de título foi a mudança do regulamento”.

Técnicos incomodados com Jorge Jesus

Ano passado, o Flamengo foi campeão com um técnico estrangeiro, o Jorge Jesus. Geninho na sua visão, porque os treinadores brasileiros se “incomodaram” tanto com ele ? E qual sua visão sobre os técnicos de fora no Brasil?

Olha, eu acho que o incomodo de alguns treinadores é algo natural. Vem um profissional de fora e então pouco tempo consegue o sucesso que o JJ conseguiu aqui. Contudo, vários fatos contribuíram para isso, a qualidade dele como treinador, acostumado a trabalhar em equipes grandes, sempre trabalhou nas maiores equipes de Portugal conseguindo títulos”.

“Um treinador que tinha uma visão de futebol um pouco parecida com a do futebol brasileiro de alguns tempos atrás, um futebol voltado mais a ofensividade, voltado mais ao ataque. Assim, ele encontrou uma equipe em condição de implantar sua filosofia de trabalho, pegando um time muito bem montado. Trouxe alguns reforços, melhorou ainda mais a qualidade desse elenco e implantou a sua filosofia de trabalho”.

“É só acompanhar a campanha final do Flamengo um time que jogava praticamente o tempo todo no ataque. Então ele conseguiu achar o ambiente e o material ideal para ele implantar sua filosofia e isso acabou provocando ciúmes em alguns profissionais. Mas, acho que é uma coisa passageira, acho que deve aprender lições, procurar copiar coisas boas. Assim, como nós quando saímos daqui pra algum lugar de repente implantamos alguma coisa diferente e é natural que venha alguém de fora e implante aqui dentro do nosso país também”.

Experiências de Geninho fora do país

Tendo treinado equipes de fora e de diferentes centros. Conte um pouco da sua experiência fora do país e as principais dificuldades enfrentadas.

“As dificuldades que você enfrenta em alguns países, são a mesma que o Jorge Jesus enfrentou aqui. Se você vai em país e começa a conseguir resultado positivo, nada mais natural que os profissionais daquele país se sintam um pouco enciumados”.

” A princípio, minha primeira saída foi muito cedo tinha muito pouco tempo de carreira como treinador então pra mim foi um grande aprendizado eu praticamente não fui ensinar, fui aprender. Logo, fui a Portugal numa época que o brasileiro trabalhava muito em Portugal da maneira que os Portugueses tão vindo agora pro Brasil, os brasileiros ia muito pra lá. Dessa forma, tive a felicidade de disputar Campeonatos europeus de conviver com outras escolas.. aprendi bastante então a minha primeira saída foi um aprendizado”.

“Trabalhando na Arábia Saudita ali você realmente não soma muita coisa em termo de conhecimento, apesar de trabalhar também contra muitos treinadores estrangeiros. Porém é sempre uma experiência, ou de aprendizado ou de você passar alguma coisa de ensinamento pro lugar que você vai se é que isso as vezes é possível”.

Futebol volta ou não ?

Geninho, no meio da pandemia temos visto a discussão sobre a volta ou não do futebol. O que pensa a respeito? E quando acredita que deva voltar

“Acho que a volta ao futebol é um assunto bastante complexo. Porque nós estamos vivendo um grande ponto de interrogação. Nós não sabemos a nossa realidade em relação a essa pandemia a esse vírus. Ele as vezes tem um pequeno decréscimo depois atende um pico”.

“E eu acho que enquanto a gente puder se resguardar, enquanto a gente puder tomar alguns cuidados com eu acho que é melhor. Acho que deve voltar com segurança. Tá claro que nos nunca de repente num curto espaço de tempo vamos ter a segurança total mas você tem que ter segurança. Porque são vidas que tão em jogo. Então eu acho que é uma interrogação”.

“Alguns estados do Brasil são muito grandes, outros tem números melhores que outros, uns tem mais facilidade na retomada das atividades outros não. Eu acho que o grande problema vai ser uma retomada em termo de Campeonato nacional onde tem que englobar o país todo. Em termo de regionalização eu acho que acho que alguns Campeonatos regionais vão acabar terminando outros não. Mas em termos de Campeonato Brasileiro a gente tem que tomar muito cuidado na retomada”.

E os estaduais ?

Além disso, tem voltado as discussões a respeito do calendário brasileiro e principalmente sobre o fim dos estaduais. O que pensa a respeito?

Acredito que depois dessa pandemia alguma coisa vai ter que ser mudada. Porque nos perdemos muita coisa dentro daquilo que nos tínhamos como calendário do futebol brasileiro. Então não acredito que com a retomada nos não podemos manter o mesmo modelo. Se quisermos manter, nós vamos ter que se adaptar a outra temporada, tipo de uma temporada européia. Ou se muda a maneira de disputar os Campeonatos a fórmula ou nos vamos ter que adaptar o período de trabalho.

Assim, com certeza, mudanças terão que acontecer e acontecerão. Porque nos perdemos muito tempo, esperávamos uma paralisação menor e já estamos atropelando aí três meses e acho que ainda vamos um pouco mais. E isso vai englobar regional, os regionais que em muitos lugares era contestados por muitas pessoas acho que vão voltar a pauta. 

É um assunto, que nessa readaptação aos calendários essa manutenção ou não dos regionais é será bastante discutida, mudança de fórmula, datas , extinção, eu sou favorável a manutenção dos estaduais eu joguei muitos regionais. É uma rivalidade local que mexe muito com a torcida, mexe com aquela rivalidade local não aquela rivalidade global, acho que deveria se achar uma fórmula para que esse tipo de Campeonato fosse mantido.

Divulgação/Vitória
Divulgação/Vitória

Geninho não comandará mais o Esporte Clube Vitória. A decisão foi tomada na tarde dessa sexta feira (19), de forma amigável entre clube e treinador, a diretoria alegou questões financeiras.

Créditos: Letícia martins/EC Vitoria

 

 

Gilvan Rodrigues
Gilvan Junior, 20 anos, natural de Feira de Santana, estudante de jornalismo pela FAT. Desde pequeno, meu principal assunto era o esporte. Sempre acompanhado programas, sites, etc. Decidir, partir pra área que me dará a oportunidade de viver daquilo que mais amo. O futebol.

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