Numa entrevista ao Mundo Boca Rádio, o ex-jogador Baiano, elogiou bastante o estádio La Bombonera. O brasileiro defendeu o clube argentino em 2005, no lugar do ídolo Hugo Ibarra, que tinha ido para Europa. Entretanto, o lateral ficou apenas um semestre no Boca Juniors e entrou em campo 16 vezes. Mas segundo o próprio, tem boas lembranças da Argentina. Na conversa com à imprensa argentina, também contou sobre a sua saída do clube.
Começou falando sobre a felicidade de ter atuado pelo Xeneizes e que no começo foi difícil acreditar que, Mauricio Macri, ex-presidente do Boca Juniors, ligou para o ele. Na primeira vez, o brasileiro desligou pensando que fosse uma piada. Mas depois o ex-mandante do Azul y Oro, ligou novamente para o jogador com a intenção de convencê-lo a jogar num dos maiores clubes da América do Sul.
“Tocar no Boca é um sonho, mais para um brasileiro. As pessoas me aceitaram com muito carinho, fiz muitos amigos. Quando Macri me ligou, eu não podia acreditar. Naquela época eu vim de Las Palmas na Espanha e estava em um nível muito bom. Não acreditei, pensei que fosse uma piada. Ele teve que me ligar de volta porque eu o cortei. Quando ele me ligou, tive que me desculpar com Mauricio Macri porque ele não tinha acreditado”
Além disso, Baiano também rasgou elogios ao estádio La Bombonera. De acordo com o jogador, o templo sagrado é “único”. E que nenhum outro campo do mundo, se compara ao Alberto José Armando. Completou dizendo também, que todo brasileiro deveria sentir o gostinho de vestir a camisa do Boca Juniors e que se arrepende muito de ter jogado apenas um semestre no Xeneizes.
“Joguei no Morumbí , no Bernabéu , no Camp Nou , mas nenhum se compara à La Bombonera, é único. Para qualquer jogador brasileiro eu recomendaria vir ao Boca, não hesite… Hoje me arrependo de sair, para não suportar esse mês difícil ” conta o jogador à imprensa argentina.
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Fim da era Baiano no Boca
Na entrevista, o ex-jogador contou sobre o motivo da sua saída do time argentino. De acordo com ele, aconteceu depois do episódio entre Leandro Desábato, na época defendia o Quilmes-ARG, com Grafite, que jogava no São Paulo. Para quem não se lembra, o caso aconteceu na Libertadores de 2005, quando ainda no primeiro tempo, o zagueiro argentino dividiu uma bola com o brasileiro e chamou o Grafite de “negro de merda”, de acordo com o atacante do Tricolor Paulista. Por conta disso, Baiano contou que ficou muito triste e foi difícil seguir depois dessa confusão, porque todo mundo o perseguia para falar sobre.
“Essa situação de Desábato com Grafite jogou contra mim. Foi um mês muito difícil para mim, eles estavam me procurando de todos os lados para falar sobre esse assunto. Em uma sala de imprensa, um dia havia jornalistas de todo o mundo. Quando entrei nos jogos, as pessoas pensaram que quem entrou foi Grafite, essa situação me superou, tive que colocar dinheiro para deixar o clube. Os líderes não queriam que eu fosse embora, mas a situação me dominou, fiquei muito nervoso, por isso eu pedi para sair” disse o ex-jogador ao portal.
"Aquella situación de Desabato con Grafite me jugó en contra , fue un mes muy complicado para mí , me buscaban de todos lados para hablar de ese tema , de Árgentina y Brasil para hablar de eso , en una sala de prensa un día había períodistas de todo el mundo"#Baiano pic.twitter.com/Hi1xcKP6xV
— Mundo Boca Radio/TV (@mundobocaradio) May 29, 2020
Além desse triste caso de racismo, o ex-jogador lembrou de uma coisa boa que aconteceu com ele na Argentina. De acordo com o próprio: “Roberto Abbondanzieri foi o melhor goleiro que eu vi na quadra e, olha, eu era parceiro de muitos”. Por fim, lembro dos primeiros treinos que fez com a camisa do Boca, dizendo que não parava quieto.
“Nos primeiros treinos, eu andava de um lado para o outro. Cascini , Cagna e Barros Schelotto olharam para mim até que Guillermo me agarrou e disse: ‘ Baiano, você é uma figura no meio da quadra de trás para frente , não para a frente” disse com risadas.
Carreira
Em conclusão, o ex-jogador tem dupla nacionalidade brasileira e portuguesa. O lateral direito iniciou a carreira no Santos. Do clube paulista foi parar no Vitória e depois Atlético-MG. Assim, com boas atuações no Brasil foi defender a equipe espanhola Las Palmas. Ficou algumas temporadas e voltou para o solo brasileiro, defender outro clube paulista. Desta vez o Palmeiras. Se destacou no Palestra e foi contratado pelo Boca Juniors. Jogou meio semestre lá e voltou para o Brasil.
Assim, quando chegou defendeu outros clubes brasileiros como: Náutico, Vasco, Paulista, Guarani, Gama, Brasiliense, Red Bull entre outros. Baiano se despediu dos gramados em 2017 e sua última equipe foi Luziânia de Brasília. Vale lembrar que o lateral disputou 418 jogos oficiais e balançou as redes em 52 ocasiões.
Foto destaque: Ali Burafi / Getty Images





