Flamula Progreso

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QUEM É PROGRESO?

Idealizado por mineradores do bairro de La Teja, situado em Montevidéu, o Club Atlético Progreso nasceu no ano de 1914 em Balaro, um cortiço onde os fundadores residiam. A cor escolhida para a camisa de jogo foi o preto, em alusão ao anarquismo, ideologia defendida pelos fundadores. Posteriormente, o tradicional vermelho e amarelo foi adotado, as cores vigoram até os dias de hoje.

Todavia, apenas no dia 30 de abril de 1917 a equipe foi oficialmente registrada. Um ano depois o clube se filiou a Associação Uruguaia de Futebol (AUF), e consequentemente garantiu o direito de participar de torneios homologados pela entidade. Desde o ingresso em competições oficiais, La Teja conquistou apenas títulos da Divisional Intermedia e a Liga Metropolitana Amateur, equivalentes a segunda e terceira divisões respectivamente. Somente a partir de 1979 as coisas começaram a melhorar.

ERA TABARÉ VÁZQUEZ

Nascido no bairro de La Teja, Progreso desde criança e atual presidente da República Oriental do Uruguai, Tabaré Vázquez figurou na vice-presidência do clube em 1978, e um ano depois subiu ao cargo de mandatário. Por certo, não era a primeira vez de um membro da família Vázquez na gerência. Nos anos que precederam a oficialização da instituição, Don José Vázquez, avô de Tabaré Vázquez, comandou informalmente os aurirrojos.

Sem dúvida, a chegada de Tabaré ao poder revolucionou o clube e fortaleceu as ligações com os torcedores. Afinal o médico de formação fundou o primeiro hospital em La Teja, que oferecia serviços gratuitos, implantou uma creche e ajudou torcedores sem renda a ser tornarem sócios. Além de também ter encabeçado o projeto da remodelação do Estádio Abraham Paladino, reduto do Progreso.

Tabare sendo homenageado pelo Progreso - Presidencia
Tabaré sendo homenageado pelo Progreso – Reprodução/ Governo Uruguaio

O primeiro caneco conquistado na vitoriosa era Tabaré Vázquez foi a Segunda División, e o acesso, encima do Miramar Misiones. O jogo do título ficou marcado pelos 110 mil torcedores presentes no Estádio Centenário. Quatro anos depois, o plantel de La Teja sagrou-se campeão do Torneo Competencia. Em 1987 a equipe debutou na Copa Libertadores da América, mas caiu na fase de grupos. Por fim, a maior glória alcançada pelo Progreso calhou com o jejum de los dos mas grandes.

 A ASCENSÃO DOS CLUBES “CHICOS”

A saber, o futebol charrúa sempre viveu um grande abismo. Nacional e Peñarol possuem ampla vantagem sobre todos os outros clubes do país. Não apenas nos títulos, como também na estrutura e aporte financeiro. Só para ilustrar, desde a primeira edição do Campeonato Uruguaio no profissionalismo, em 1932, até o ano de 1986, apenas uma vez o título nacional ficou fora das mãos Albas ou Carboneras. Esse monopólio foi novamente quebrado em 1987, graças ao Defensor Sporting.

A partir daí, os cinco anos seguintes foram dominados por “chicos”, ou seja, equipes de menor expressão. Em 1988 o Danubio conquistou a taça, seguido por Progreso, Bella Vista e Defensor respectivamente. Nesse interím, o Peñarol conquistou o quinto título da Copa Libertadores e o Nacional sagrou-se tricampeão mundial. Desse modo, os dois maiores do Uruguai mostraram um certo desprezo ao campeonato nacional, fazendo as outras equipes ascenderem. Aliás, outro fator também encurtou o caminho até o caneco.

SÓ FALTAM 13

Diferentemente das temporadas passadas, o calendário futebolístico de 1989 ficou apertado no Uruguai. Afinal, no mesmo ano estava marcada a Copa América, sediada pelo Brasil, e as eliminatórias da Copa do Mundo de 1990. Naquela época as seleções decidiram as vagas ao mundial da Itália entre os meses de julho e setembro. Divididas em grupos de três, as equipes que terminassem na 1ª posição garantiam a vaga direta. Além disso, a entidade máxima do futebol uruguaio decidiu manter o Torneo Competencia, extinta competição preparatória disputada no primeiro semestre entre 1934 e 1990. Ou seja, as datas para a disputa do Campeonato Uruguaio ficaram escassas e a AUF comprimiu o torneio em apenas um turno. Assim, o número de jogos caiu de 26 para apenas 13.

1989

Conforme as boas atuações nas temporadas passadas, o Progreso chegava confiante ao Campeonato Uruguaio de 1989. Ainda sob o comando de Tabaré Vázquez, a equipe começou sua jornada rumo ao título com o pé direito, venceu os quatro primeiros duelos. Com destaque para o 3 x 2 aplicado encima do Nacional, no Estádio Paladino. Em seguida, o plantel treinado por Saúl Rivero perdeu a invencibilidade após a derrota diante do Montevideo Wanderers. Todavia, o revés precedeu outra sequência de vitórias: 1 x 0 contra Huracán Buceo, 3 x 2 frente ao Cerro, 1 x 0 sobre o Liverpool e 3 x 0 diante do Rentistas. O quinto triunfo foi encima do tradicional Peñarol por 1 x 0. Dessa maneira, La Teja possuía todas as crendenciais para levantar a tão sonhada taça.

De acordo com a tabela, na rodada seguinte o adversário seria a equipe do Central Español, fora de casa. Um simples empate consagraria o Progreso campeão, e foi o que aconteceu. O Estádio Parque Palermo testemunhou a presença de aproximadamente 7.500 mil hinchas em suas arquibancadas. Eufóricos, os apoiadores da casa gritavam pelo gol. Alexis Noble realizou o desejo da torcida e abriu o marcador. O empate Gaucho demorou, mas saiu. Aos 28′ da etapa final Pedro Pedrucci deixou tudo igual em Montevidéu, 1 x 1 placar final. Portanto o Campeonato Uruguaio conheceu o seu novo campeão: Progreso. Todo o esforço dos bairristas de La Teja e de Tabaré finalmente foram recompensados.

ELENCO

Por fim, não podemos esquecer de um dos pilares mais importantes no futebol: os atletas. No caso da heróica jornada de 1989, devemos destacar alguns nomes. Começando por Pedro Pedrucci, meio-campo e principal peça da equipe. Sem falar de Johnny Miqueiro, artilheiro da competição com sete gols marcados. Diego Aguirre, Luis Berger e Oscar Quagliata também devem ser lembrados pelas ótimas atuações em campo. Curiosamente, Leonel Rocco, arquero de 1989, é o atual técnico do Progreso em 2019.

Elenco campeão de 1989 – Reprodução/Ovacion Digital

Foto destaque: Crédito/Referí

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Luciano Massi
Me chamo Luciano Massi, tenho 20 anos, sou paulistano. Estou no 6º semestre do curso de Jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi. Desde criança fanático pelo futebol dentro e fora das quatro linhas, histórias que vão além do esporte. Produzo o Derbicast, podcast voltado ao futebol alternativo, dando enfâse aos esquecidos. Entretanto, nunca me dei bem com a bola...

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