Sul-Americana 2021: uma projeção da final

Inicialmente, gostaria de comentar o fortalecimento do futebol brasileiro em âmbito continental. Afinal, os finalistas das principais competições da América (Libertadores e Sul-Americana) são todos brasileiros. O texto de hoje irá tratar do confronto entre Athletico Paranaense e Red Bull Bragantino, válido pela grande final da Copa Sul-Americana.

Tanto o Furacão quanto o Braga Bull chegam fortalecidos para a decisão. Em síntese, a nossa ideia é fazer um apanhado do histórico recente das duas equipes a fim de projetar o que pode acontecer no próximo sábado em Montevidéu. Também é do nosso interesse resgatar o retrospecto dos duelos entre paranaenses e paulistas.

Como chega o Furacão para a final?

À primeira vista, o ambiente interno do Athletico Paranaense parece ser bastante favorável. Nesse sentido, é mais que fundamental recordar o fato de que o Furacão se mostrou um time extremamente copeiro em 2021. Além dessa partida contra o Bragantino, a equipe também decidirá a Copa do Brasil diante do poderoso Atlético-MG.

Invicto na competição nacional, o time de Alberto Valentim tem como símbolo da campanha vitoriosa a goleada sobre o Flamengo em pleno Maracanã (0 x 3). Por outro lado, nada está ganho e a temporada dos paranaenses está longe de acabar. O trabalho é consistente, mas no futebol a margem de erro é muito curta e o tempo escasso.

Pela Copa Sul-Americana, a trajetória é irretocável. Dessa forma, o Furacão obteve a segunda melhor campanha na fase de grupos (ficou atrás apenas do Grêmio) e eliminou algumas forças tradicionais do continente durante o mata-mata. América de Cáli, LDU e Peñarol ficaram pelo caminho. Jogos duros que dão casca grossa ao elenco.

Contudo, a cansativa corrida do Campeonato Brasileiro proporcionou ao Athletico um desempenho contestável e relativamente irregular. Não lutou contra o rebaixamento, mas esteve longe de se firmar entre os melhores. Ao que tudo indica, a salvação da temporada passa pela conquista de uma das copas. Um atalho para a Libertadores.

Como chega o Bragantino para a final?

Comandado pelo promissor Maurício Barbieri, o time paulista faz jus ao elevado investimento que a mais famosa multinacional de energéticos deposita no seu departamento de futebol desde 2019. Desde o início do Campeonato Brasileiro, o Braga Bull briga pela sua vaga no G4 e não se intimida quando encara de peito aberto as pedreiras do nosso futebol.

Decididamente, o jogo contra o Athletico Paranaense pode coroar o ano brilhante do Bragantino com um título. Seria injusto dizer que a parceria com a Red Bull só dá frutos se o troféu da Sul-Americana for para Bragança Paulista. Vejo nesse casamento um potencial de crescimento enorme para os próximos anos.

Entretanto, há uma possível explicação para esse sucesso. O Braga Bull joga da mesma maneira em casa ou longe dos seus domínios. Desse modo, ainda não perdeu na fase de mata-mata. O clube paulista eliminou em sequência: Independiente del Valle, Rosario Central e Libertad. O detalhe curioso é que a equipe de Barbieri venceu os três jogos que fez fora do Brasil.

O triunfo na Argentina diante do Rosario (3 x 4) demonstrou a força psicológica do Bragantino para se restabelecer após sofrer o empate em uma partida que inicialmente parecia ser bastante fácil. Assim como o Athletico Paranaense, chega com muita moral para disputar a final da Sul-Americana.

O retrospecto dos confrontos

Antes de mais nada, quero destacar o equilíbrio nos embates entre Athletico Paranaense e Bragantino. Não é à toa que ambos chegam em alta para a grande decisão da Copa Sul-Americana. Conhecidos pela sua capacidade de organização, os dois finalistas são modelos de gestão no futebol.

Além disso, uma outra semelhança entre os clubes é o apreço pela variação no uso do esquema tático. Enquanto o Bragantino se defende no 4-4-2 e ataca no 4-2-3-1, o Athletico varia entre o 3-4-3 e o 3-4-2-1. Todavia, vou aprofundar a valência tática no último tópico.

Ao todo, são onze confrontos na história. A maioria deles pela Série A, visto que apenas dois ocorreram pela Série B. Além disso, a final da Sul-Americana será o primeiro duelo entre Bragantino e Athletico por um torneio internacional. O retrospecto parelho soma quatro vitórias do Furacão, quatro empates e três vitórias do Braga Bull.

O equilíbrio é tão grande que sequer houve goleada até hoje. No entanto, o Bragantino não derrota seu adversário desde a Série B de 2012. A ligeira vantagem dos paranaenses é refletida no número de gols marcados: 17 contra 14. A estatística não entra em campo, mas pode servir como combustível para o time de Barbieri mudar essa situação.

Projeção da final da Sul-Americana

Para fins de conclusão, iremos tratar da parte tática. O Bragantino gosta muito de fechar os espaços por dentro e sair em velocidade pelas beiradas do campo. A princípio, o técnico abusa da saída de três e busca sempre uma opção de passe nas costas da primeira linha de marcação do adversário.

O recuo estratégico de Ytalo também é uma parte importante na mecânica de jogo do Braga Bull. O atacante funciona como um fator de atração da defesa rival e abre caminho para a infiltração dos seus companheiros. É o que eu costumo chamar de “jogada do arenque vermelho”. A velha tática de enganar o adversário para criar boas chances de marcar o gol.

A meu ver, o Furacão se destaca pela inovação. O incomum 3-4-3 parece resolver os problemas da equipe. A solidez defensiva depende do recuo dos alas e transforma o esquema em um 5-2-3. No meio, a amplitude visando o combate também é refém do modo como essas peças se mobilizam.

Afinal, são elas que vão permitir o desafogo pelas laterais. Por fim, a organização na transição é o que determina se vai haver alguma efetividade no ataque. Em determinados momentos, o centroavante se comporta como um ponta de lança e transforma o esquema em um 3-4-2-1. O próprio recuo dos pontas é uma casca de banana que o time paranaense joga para os seus adversários escorregarem.

Foto destaque: Divulgação / Torcedores

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.