O que esperar dos promovidos à Série B 2022?

De antemão, quero parabenizar as quatro equipes que obtiveram o acesso à Série B. Com a conclusão da fase dos quadrangulares na Série C, já conhecemos quais os clubes que subiram para a segunda divisão. São eles: Ituano, CriciúmaTombense e Novorizontino.

Em termos geográficos, três times do Sudeste e um do Sul. Dessa forma, o objetivo do texto é relembrar brevemente o desempenho de cada um no torneio e especular pelo que irão brigar na próxima temporada. Além disso, daremos um pitaco sobre a final entre Ituano e Tombense.

O aguardado retorno do Ituano

Vice-líder da Série C na fase inicial, o Ituano só ficou atrás do conterrâneo Novorizontino – que também subiu. Ano passado, o Galo de Itu bateu na trave. A meta em 2021 era superar o promotion round e subir de vez. Destaque para a participação do técnico Mazola Júnior. Soube mobilizar os ânimos da equipe no quadrangular e de quebra deu um xeque-mate no seu antigo clube (o Paysandu). O Ituano retorna à Série B após 14 anos de ausência e terá a chance de tentar o bicampeonato da Série C. O técnico chegou a afirmar que o título seria “a cereja do bolo”.

A subida dramática do Novorizontino

Em uma franca ascensão no cenário nacional, o Novorizontino não quis fazer hora extra na Série C. Liderou com sobras o grupo B, mas passou maus bocados no quadrangular do acesso. Enfim, é normal. Tropeços fazem parte. O mais importante o Tigrão do Vale conseguiu. Gostaria de enaltecer o trabalho que vem sendo realizado no clube há algumas temporadas. O Novorizontino não subiu por acaso. Afinal, ele se estruturou e tem como principal objetivo resgatar o futebol da região que ficou órfã após o encerramento das atividades do antigo Grêmio Novorizontino.

O gigante Criciúma volta à Série B

Rebaixado para a Série C em 2019, o Criciúma soube se reerguer e juntou os cacos tanto do fracasso na temporada passada quanto da queda para a segunda divisão do Campeonato Catarinense. Certamente, a volta para a Série B vai aliviar bastante os cofres do clube carvoeiro. Nesse sentido, acredito que o calendário extenso deve possibilitar um planejamento mais acurado para 2022. A própria manutenção de Cláudio Tencati no comando da equipe é fundamental. Ele chegou após o desligamento de Paulo Baier e conhece bem as agruras da Série B.

O divórcio entre o Tombense e a Série C

Antes de mais nada, o Tombense não aparecia como um dos favoritos. Empatou metade dos jogos que fez no grupo A – um dos mais equilibrados desde 2012, quando a fórmula atual foi implementada. Na terceira divisão desde 2015, o Tombense só havia passado de fase em 2017 (quando a decisão do acesso era em formato de mata-mata). Porém, o clube mineiro se destacou no promotion round e vai disputar a final contra o Ituano. Enfim, após sete temporadas na Série C, finalmente o Gavião Carcará subiu. Fará companhia ao Cruzeiro na Série B.

O que esperar dos quatro promovidos?

A princípio, garanto que é muito cedo para fazer qualquer previsão. No futebol, a linha entre o sucesso e o fracasso é muito tênue. Contudo, irei me arriscar. Creio que os paulistas chegarão com força, mas não sei se é suficiente para fazer da Série B um trampolim para a elite. Assim como o tradicional Criciúma que também não deve subir direto. A meu ver, os três farão boas campanhas no torneio. Já o Tombense precisa ter mais cautela. Eu vejo os mineiros um pouco mais ameaçados pelo rebaixamento. A montagem do elenco para 2022 vai definir o papel de cada um.

Bônus: a grande final da Série C 2021

Por fim, um balanço geral do que deve acontecer nos dois jogos entre Tombense e Ituano. Devido ao futebol que tem sido apresentado, eu colocaria as minhas fichas no Galo de Itu. A decisão será no interior paulista, mas isso não significa que o Tombense esteja morto. Se fizer um bom resultado em casa pode ter condições de levantar o troféu na cancha do Ituano. De certa forma, será um confronto majoritariamente equilibrado. Ambos evoluíram muito nos seus quadrangulares. Garantia de dois bons jogos de futebol.

Foto destaque: Divulgação / Lucas Figueiredo – CBF

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.