A coluna Parabéns ao Craque comemora os 31 anos de fundação da Associação Desportiva São Caetano (Foto: Reprodução / Marcos Ribolli)

A história que estar a se contar é daquelas que alguns diriam se tratar de contos de fada… e, por deveras, pode até se tratar realmente. No entanto, tem sua dose de competência e dedicação, sem as quais nada seria alcançado. Assim, nesta sexta-feira (4), a coluna Parabéns ao Craque rende homenagem aos 31 anos da Associação Desportiva São Caetano. Logo, um clube que cresceu rápido, caiu no gosto do torcedor e conseguiu a simpatia de milhões de brasileiros que vibraram em busca da glória internacional.

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Assim, a história do São Caetano se confunde com a história do renascimento do futebol em São Caetano do Sul, interior de São Paulo. Isso porque, sob a liderança da família Tortorello, um grupo de pessoas decidiu dar reinício ao esporte no município. Logo, a cidade já havia experimentado a bola com o São Caetano Esporte Clube, nos anos 30, a Associação Atlético São Bento, nos anos 50, e Saad Esporte Clube, na década de 70. Inicialmente, chamada Sociedade Esportiva Recreativa União Jabaquara, após a filiação se tornou Associação Desportiva São Caetano, em 1989.

Dessa forma, com a conquista da terceira divisão paulista, o clube começou a ganhar a simpatia dos torcedores locais, mas, a partir de 1998, passou a ganhar projeção nacional. Isso porque, iniciou uma grande arrancada no Campeonato Brasileiro indo do vice da Série C, passando pelo vice da Série B até a elite nacional, em 2000. E se engana que parou por ai, pois, contrariando a todos, o São Caetano não somente permaneceu na Série A, em sua primeira participação, como foi novamente vice-campeão. Logo, perdeu a final para o Vasco da, à época, chamada Copa João Havelange.

PROJEÇÃO INTERNACIONAL: LIBERTADORES DO AZULÃO

Até a fatídica final em São Januário onde houve a queda do alambrado vitimando centenas de torcedores, o São Caetano não passava de uma equipe pequena no Brasil. No entanto, com o vice-campeonato brasileiro, o Azulão ganhou o direito de disputar sua primeira competição internacional: a Taça Libertadores da América, em 2001. E, novamente, contra todas as projeções, a equipe avançou da primeira fase, ao lado do Cruz Azul, mas caiu diante do Palmeiras, nos pênaltis.

No entanto, a jornada ainda reservaria um capítulo especial e histórico entre São Caetano e Libertadores da América, pois o sonho não havia sido interrompido. Assim, com um novo vice nacional, em 2001, o Azulão retornou a principal competição das Américas. Logo, deixou Cobreloa, do Chile, Alianza Lima, do Peru, e Cerro Porteño, do Paraguai na primeira fase. Em seguida, a equipe passou por Universidad Católica, do Chile, Peñarol, do Uruguai, e América, do México. Dessa forma, chegava ao auge de sua história de pouco mais de uma década: a final da Libertadores.

Com apenas 13 anos de fundação, o São Caetano se tornou um dos mais jovens finalistas da Taça Libertadores da América, e não fez feio frente o Olimpia, do Paraguai. Assim, no jogo de ida, o Azulão surpreendeu os paraguaios, em pleno Defensores del Chaco, e venceu por 1 x 0. No entanto, viu a vantagem ir embora após a derrota no tempo normal, por 2 x 1, no Pacaembu. Apesar da derrota por 4 x 2 nas penalidades, a equipe já havia ido onde grandes clubes brasileiros ainda não haviam chegado.

SÃO CAETANO: O TERROR AZUL

Logo, com uma arrancada fantástica através de vices nacionais e uma épica campanha na Libertadores, o São Caetano caiu nas graças dos brasileiros e se tornou um perigo para os grandes. Assim, jogar no Anacleto Campanella era sinônimo de derrota, seja um time pequeno ou grande do futebol brasileiro. Logo, em 2003, após quatro vices em sequência, o Azulão terminou o Brasileirão “apenas” no G4, ganhando nova vaga para a Libertadores da América. Dessa vez, sem maiores destaques, até chegou ao mata-mata, mas caiu, novamente nos pênaltis, para o Boca Juniors, em pleno Estádio La Bombonera.

Enquanto que em 2004, o São Caetano formou, talvez, seu melhor elenco na história. Pois, comandado pelo técnico Muricy Ramalho, o Azulão contou com estrelas como Silvio Luiz, Luiz, Dininho, Thiago, Ânderson Lima e Serginho. Além deles, Triguinho, Marcelo Mattos, Mineiro, Gilberto, Marcinho, Euller e Fabrício Carvalho. Assim, com uma grande campanha, eliminando São Paulo e Santos, chegou a final do Campeonato Paulista contra o Paulista e, com duas vitórias, se sagrou campeão.

No entanto, o ano de 2004, marcado pelo primeiro grande título, também entrou para a história por um fato triste. Pois, durante uma partida contra o São Paulo pelo Brasileirão, o zagueiro Serginho teve um ataque cardíaco e morreu no hospital, poucos minutos após desabar dentro de campo. Pelo fato, o São Caetano perdeu 24 pontos, equivalentes a oito vitórias, mas algo que não foi suficiente para rebaixar a equipe para a Série B.

UM CLUBE EM RECONSTRUÇÃO

Acontece que após a tragédia com Serginho, o São Caetano não reeditou mais as campanhas de destaque. Pior, não sendo nem sombra do que foi na virada do século, o Azulão colecionou rebaixamentos à nível nacional e estadual, inclusive. Logo, chegou aos mais baixos escalões do futebol nacional em 2015, na Série D, de onde não conseguiu ainda sair, tendo anos em que nem divisão tinha.

Na atual temporada, em meio a pandemia da Covid-19, o São Caetano chegou a anunciar sua desistência da participação na quarta divisão brasileira. No entanto, a diretoria voltou atrás e confirmou presença na Série D, apesar das dificuldades financeiras. Mesmo assim, os problemas internos afetaram o desempenho em campo e o Azulão conheceu sua maior derrota na goleada por 9 x 0 para o Pelotas. Logo, algo motivado por uma greve de boa parte dos jogadores profissionais por salários atrasados. Dessa forma, a equipe entrou em campo com vários atletas da base.

Dessa forma, em reconstrução, sua história é semelhante a da Associação Chapecoense de Futebol, que, recentemente, completou quatro anos da tragédia da Lamia. Dois clubes que ganharam a simpatia dos brasileiros e do mundo… dois clubes que ousaram chegar onde poucos do futebol brasileiro estiveram. E para essa façanha não ficar apenas em um capítulo grandioso, que se espera um dia rever o São Caetano entre os grandes. O famoso Azulão de Serginho vai voltar a botar terror nos principais gramados do Brasil.

Foto Destaque: Reprodução / Marcos Ribolli 

Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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