Peñarol

Arrepio. Choro. Grito de gol preso na garganta. Alegria. Tristeza. O que não faltaram foram emoções para os torcedores do Peñarol que acompanharam a campanha do time na Libertadores de 2011 até a final contra o Santos, de Neymar. Mas antes de falar desse jogo, se faz necessário saber como a equipe chegou à grande decisão. Por isso, o Desclausurando o Uruguaio dessa semana vai contar sobre a campanha dos Carboneros no torneio.

A TRAJETÓRIA

Assim como o Santos, o Peñarol não disputou a pré-libertadores, entrou direto para a 2ª fase do torneio devido a boa campanha no Campeonato Uruguaio. A saber, o ex-futebolista e comandante Diego Aguirre era o técnico do time à época. Aliás, o uruguaio foi um dos responsáveis pelo 5º e último título da Libertadores do time em 31 de outubro de 1987. O jogo foi contra o América de Cali e o La Fiera fez o gol da vitória por 1 x 0 no 2º tempo da prorrogação, restando um minuto para o apito final. Muita comemoração!

FASE DE GRUPOS

Se passaram cinco meses, de fevereiro até junho, até a final e o Peñarol terminou essa fase na 2ª colocação no Grupo 8 com nove pontos. A saber, venceu três jogos e perdeu outros três, com seis gols marcados e 11 sofridos. Os triunfos vieram contra o Godoy Cruz fora (1 x 3), em casa (2 x 1) e sobre a Liga de Quito (1 x 0) também no Uruguai. Por outro lado, perdeu os dois confrontos contra o Independiente (3 x 0) e (0 x 1), além da impressionante goleada (5 x 0) sofrida para o Bodeguero. Aguirre coçou a cabeça nesse jogo não acreditando no resultado.

Com base nesse dado, percebe-se que um dos pontos negativos do time foi ter tomado muitos gols devido a falhas no setor defensivo e/ou a superioridade do adversário. Por outro lado, o ataque fez seu papel por causa das boas atuações de jogadores como o goleiro Sebastián Sosa e os meias Matias Míer e Matías Corujo. Além disso, devido a boa atuação de Juan Manuel Oliveira, o artilheiro do time com quatro gols, além do atacante argentino Alejandro Martinuccio, único jogador no time titular de 10 uruguaios.

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FASE DO MATA-MATA

Classificado, o Carbonero encarou logo de cara o forte Internacional do técnico Paulo Roberto Falcão, que havia passado com folga na liderança do Grupo 6. Mas a equipe uruguaia soube se impor! Primeiro, venceu de virada em Porto Alegre por 1 x 2 com gols do meia Martinuccio e de Juan Oliveira. Adiante, empatou em casa (1 x 1).

O lateral direito Matías Corujo deixou o dele nesse jogo. Assim, o Peñarol chegou às quartas com moral para enfrentar o Universidad Catolica que havia despachado o Grêmio. Vale ressaltar que o time soube aproveitar o fator de decidir em casa a vaga na fase seguinte. Assim, por exemplo, após ter perdido o 1º jogo (1 x 2) contra os Cruzados, se recuperou ganhando o 2º confronto por 2 x 0.

SEMIFINAL: JOGO CATIMBADO E SOFRIDO

Foram duas grandes finais contra o Velez Sarsfield, do técnico Ricardo Gareca. No jogo de ida, melhor para os uruguaios que venceram por 1 x 0 no peito e na raça, com gol de Dario Rodriguez. Por sua vez, os argentinos não conseguiram transformar em gols as chances criadas. Dessa forma, precisavam fazer no mínimo 3 x 1 na volta para se classificarem, e tiveram a chance nos pés do atacante Santiago Silva.

A saber, o jogo já estava no 2º tempo e 2 x 1 para os anfitriões que haviam virado após o gol de Mathias Míer na etapa inicial. Em um ataque do Velez, o zagueiro coloca a mão na bola e o árbitro marcou pênalti. Era a chance de fazer o 3º gol e se classificar.

Santiago Silva foi para a cobrança do pênalti e … perdeu! O silêncio tomou conta dos torcedores em Buenos Aires. No final, o Peñarol respirava aliviado pois havia se classificado à final da Libertadores em um jogo sofrido, catimbado e pegado.

A REEDIÇÃO DA FINAL DE 62

Peñarol e Santos entraram em campo pela 1ª partida da final da Libertadores na 52ª edição da competição em 15 de junho de 2011. Muricy Ramalho e Diego Aguirre repetiram a escalação no 4-4-2 que vinham utilizando até então. E havia muita expectativa de ambos pois, no período, o time brasileiro não vencia o torneio há 48 anos. Por sua vez, faziam 24 anos do último título dos uruguaios.

A saber, 65.000 torcedores faziam um show nas arquibancadas. Entretanto, em campo a rede não balançou pois os anfitriões pararam na boa marcação do Peixe, que também criou chances. Em síntese, foi um jogo estudado, com marcação forte no meio de campo e poucas chances claras de gol.

A GRANDE FINAL

37.894 torcedores estiveram no estádio Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu) para a acompanhar a grande decisão. O Santos vinha com moral depois de ter eliminado o Cerro Porteño e entrou em campo com o goleiro Rafael, os zagueiros Edu Dracena e Durval, os laterais Danilo e Léo e os volantes Arouca e Adriano. Além disso, os meias Elano e Paulo Henrique Ganso e os atacantes Neymar e Zé Love.

E no 1º tempo apesar da pressão e maior posse de bola (67%), o time não conseguiu marcar. Em contrapartida, o Peñarol tentou sem sucesso surpreender com contra-ataques. A situação mudou na 2º etapa quando Neymar abriu o placar abriu aos dois minutos e ficou mais tranquila aos 24 quando o lateral Danilo fazer o 2 x 0. O rei Pelé acompanhava tudo de camarote e comemorou muito, dando socos no ar ao ver o título se aproximando.

O Peñarol mostrou suas garras e conseguiu diminuir aos 34 minutos. Em um contra-ataque pela direita, a pelota desvia em Durval e morre no gol de Rafael. Consequentemente, a torcida vibrou na arquibancada e Aguirre incentivou muito os jogadores na busca do empate. Contudo, foi o Santos que teve chances de ampliar o marcador. Ficou nisso e o Peixe faturou sua 2ª Libertadores da América, sendo o 2º em cima dos Carboneros.

Foto Destaque: Reprodução/EFE

Shelton
Shelton Machado, 22 anos, alagoano e acadêmico de Jornalismo na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Torcedor do Palmeiras e apreciador da língua Inglesa.

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