Paraná Clube

Beirando o rebaixamento na Série C, o Tricolor tem pouco mais de um mês de atividade antes de parar. Assim, o Paraná retorna de “folga forçada” apenas no fim de dezembro, para a pré-temporada. O calendário paranista em 2021 acaba na última rodada da Série C, diante do Oeste, na Vila Capanema. Antes disso, encara o Criciúma e o Mirassol, jogando em casa. Por fim, enfrente o Novorizontino, jogando fora.

Dessa forma, na luta contra o rebaixamento, o Paraná Clube tem apenas mais quatro jogos para evitar a queda à Série D. Sem chance de classificação, o Tricolor já sabe quando vai parar de entrar em campo: 25 de setembro. Depois disso, as atividades param por pelo menos, dois meses e meio.

Primeiramente, essa parada pode ajudar a vida do time paranista. Veja bem, o Tricolor convive, há anos, com enorme dificuldade financeira. Desde a  queda da Série B para a Série C fez o clube ficar sem cota de TV. Um eventual e no entanto provável rebaixamento para a Série D deixá-lo-ia em uma situação agravada pela relevância cada vez menor.

Sequencialmente, soma-se a isso os estádios sem público, por conta da pandemia Covid-19, e a baixa adesão do sócio torcedor. Que por sua vez, está atualmente em pouco mais de 1.900 associados. O Tricolor também tem raros patrocínios. De todo modo, a procura por novos jogadores poderia passar pela FDA Sports, que terceirizou o departamento de futebol em junho deste ano. Menos de três meses depois, o acordo foi encerrado e deve parar na Justiça por falta de pagamento. Por fim, a empresa assinou um acordo até a metade de 2023, com promessa de aporte de R$ 2,9 milhões em 2021, dividido em sete parcelas de pouco mais de R$ 400 mil. Mas, apenas uma foi paga.

Paraná Clube tem apenas mais quatro jogos
Foto: Allexandre Fellipe / Paraná Clube

VALE LEMBRAR

A princípio, a rotina na vida do clube e os salários atrasados são outro problema atual e futuro. Os atletas variam de um a três meses de atrasado, enquanto funcionários de três a quatro meses. Fora os meses que virão. O Paraná, portanto, terá negociar o parcelamento ou rescisão antecipada. Já há casos de jogadores que abriram mão do que tinham atrasado e a receber dentro do contrato para ficarem livres no mercado.

O grupo paranista passa por uma alta rotatividade desde o começo da temporada. O clube contratou 38 jogadores, e 21 deles já rescindiram contrato. Assim, formados na base, o elenco conta con oito atletas com contrato futuro: os zagueiros Guilherme Lacerda e Leo Pettenon, os laterais Paranhos e Bryan, o volante Kriguer, o meia Gabriel Pires e os atacantes Lucas Sene e Ruan.

Nesse caso, o restante dos jogadores, cerca de 12, tem vínculo até o fim da Série C ou ao término da temporada. Sendo assim, para 2022, o Paraná novamente passará por um reformulação completa e até necessária.

Dessa forma, pode-se dizer que planejamento, é o que falta no Paraná. No primeiro semestre de 2022, o clube terá Campeonato Paranaense e Copa do Brasil para disputar. Anteriormente, o Tricolor se reapresentava no início de janeiro. Sem jogo de 25 de setembro até a metade de janeiro do ano que vem, a cúpula precisa se antecipar. Nesse momento, a diretoria eleita, encabeçada por Rubens Ferreira Silva, terá mais de 100 dias para encontrar soluções nesse período de ostracismo do futebol: um mês até o término da Série C e quase três meses até o início da pré-temporada.

Foto destaque: Allexandre Fellipe / Paraná Clube

Luiz Santos
Escrever se torna um refúgio. Falar sobre esportes virou uma paixão. Setorista do Paraná FC