Dutra ficou imortalizado com a camisa 6 do Sport (Foto: Reprodução / Marcos Michael / JC Imagem)

Marcado pela vitalidade, boa técnica e senso de objetividade, Dutra foi um dos grandes laterais-esquerdos que desfilou pelos gramados brasileiros e até internacionais. Nesta terça-feira (11), o Motorzinho da Ilha chega aos seus 47 anos de idade com a saúde de um menino. Assim, ele é ídolo do Sport, por onde mais atuou e conquistou seu maior título, e do Yokohama Marinos, do Japão, onde foi campeão nacional. Dessa forma, a coluna Parabéns ao Craque rende homenagem a este célebre jogador.

Leia mais:

DO NORDESTE PARA BRILHAR… NO NORDESTE!

Assim, em Duque Bacelar, no Maranhão, o menino Dutra, como é conhecido, nasceria em um dia como este em 1973. Logo, como muitas crianças que buscam um lugar ao sol no futebol, iniciou a carreira no Bacabal, clube do interior maranhense, aos 20 anos. Tão cedo, teve passagens por Paysandu e Mogi Mirim até chegar ao Santos já demonstrando a qualidade que acompanharia sua vitoriosa carreira. No Peixe, conquistaria o primeiro título: o Torneio Rio-São Paulo, em 1997.

Após, ainda passaria por América-MG e Coritiba, onde foi campeão paranaense, em 1999, até chegar ao Sport, clube pelo qual teria a maior identificação de sua história. Pois, foi por um pedido de Emerson Leão, então técnico, que Dutra desembarcou na capital do frevo para a primeira passagem pelo Leão da Praça Bandeira. Assim, chegou à Ilha do Retiro para ser um dos grandes protagonistas da campanha leonina na Copa João Havelange de 2000, o Campeonato Brasileiro daquele ano.

NO JAPÃO, A PRIMEIRA IDOLATRIA À DUTRA

Acontece que, no Sport, Dutra ficou cerca de um ano e, ainda em 2001, fez as malas para a primeira experiência internacional na carreira. Atualmente, é comum vermos jogadores rumando para o futebol asiático, especialmente o futebol chinês. No entanto, no começo dos anos 2000, ainda era raro, o que a influência de Zico ajudou bastante no Japão. E lá, pelo Yokohama Marinos, o Vovô Dutra teria a idolatria dos samurais da bola.

Isso porque, na primeira passagem, atuou em 147 partidas e conquistou três títulos, sendo duas vezes campeão japonês. em 2003 e 2004. No Yokohama Marinos, Dutra permaneceu por sete anos e é um dos grandes ídolos do clube dono do estádio da final da Copa do Mundo de 2002, quando o Brasil foi pentacampeão mundial. Apesar disso, não só de títulos e jogos viveu nosso aniversariante, pois foi ao lado dos japoneses que marcou seus primeiros gols no futebol, ao todo foram oito tentos.

NO SPORT, A CONSAGRAÇÃO DE DUTRA

Apesar dos títulos e da idolatria no Japão, em 2007, Dutra voltou para o Brasil e para viver seu maior momento no futebol com uma velha camisa amiga. Assim, retornou ao Sport para fazer história! Isso porque, com raça, qualidade de marcação e um chute potente à la Roberto Carlos que lhe eram peculiares, ganhou o apelido de Motorzinho da Ilha, o canhão peito de aço de belos gols.

Dessa forma, de 2007 à 2011, foi campeão pernambucano por quatro vezes e foi fundamental na conquista da Copa do Brasil, em 2008, frente o Corinthians. Assim, na campanha histórica, Dutra marcou o quarto gol da goleada por 4 x 1 contra o Palmeiras pelas oitavas de final, um golaço eternizado no imaginário torcedor. Além disso, atuou por 240 partidas, marcando três tentos. Atualmente, é sempre lembrado quando o assunto é seleção de todos os tempos no Sport, com a camisa 6 imortalizada com sua marca.

No entanto, um dos grandes pontos fracos dos clubes brasileiros é não saber valorizar seus ídolos por toda a dedicação e serviços prestados. Assim, em 2011, já com 38 anos, Dutra foi preterido no Sport que já não acreditava mais no gás do Motorzinho da Ilha. Acontece que o aniversariante não se deixou cair e seguiu na carreira para o rival, o Santa Cruz.

VITALIDADE PARA SEGUIR EM FRENTE E SER CAMPEÃO

Já em seus últimos anos como jogador, Dutra ainda encontrou fôlego e vitalidade para seguir brilhando no futebol. Pois, no Santa Cruz, em 2012, conquistou seu quinto título pernambucano, não apenas sendo mais um e sim como peça fundamental no bicampeonato tricolor diante do rival Sport, em um dos reencontros do ex-Motorzinho da Ilha. Por fim, foi encerrar a carreira no Yokohamas Marinos, onde já era considerado ídolo e, novamente, não decepcionou, sendo campeão da Copa do Imperador, em 2013.

Após a aposentadoria em 2014, aos 41 anos, o clube japonês, diferente do pernambucano, rendeu várias homenagens ao jogador. No Japão, ao todo foram 209 partidas e quatro títulos pelo Yokohama Marinos, eternizando-se como um dos maiores atletas nos 48 anos do clube. Logo, de volta ao Brasil, recebeu convites para “estagiar” no Sport e foi auxiliar técnico em 2017, trabalhando ao lado de Vanderlei Luxemburgo. No ano seguinte, foi auxiliar e comandou o time Sub-23 do Santa Cruz.

Portanto, em 21 anos dedicados ao futebol, o futebol deu grandes alegrias e duas idolatrias à Dutra. Algo que poucos jogadores podem se sentir agraciados. No Japão, foi um dos grandes na jornada de crescimento do clube no país. Já no Sport, com a camisa vermelha e preta entrou para a história com gols e títulos memoráveis.

Parabéns, Armando Monteiro Dutra!

Foto Destaque: Reprodução / Marcos Michael / JC Imagem

Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

Artigos Relacionados