Neymar, Ganso e Elano deixaram a América em preto e branco

Nesta semana, a coluna Nostalgia Brasileira relembra o grande time do Santos de 2011. O clube não vencia a Libertadores há 48 anos, no entanto Neymar, Ganso e Elano acabaram com esse tabu. Além disso, conquistaram o Campeonato Paulista sobre o Corinthians. A equipe santista quase foi eliminada na fase de grupos, mas Muricy Ramalho chegou para colocar ordem na casa. Essa foi a 2ª geração dos Meninos da Vila e, sem sombra de dúvidas, ficará marcado na história.

O COMEÇO DIFÍCIL PARA NEYMAR, GANSO E ELANO

O Santos vinham de um bom ano de 2010. A equipe conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil e estava classificado para a Libertadores do ano seguinte. Como o time terminou a temporada com técnico interino na época, chegaria um novo treinador. O nome foi Adilson Batista, entretanto, o ex-jogador não deu certo no Peixe.

A passagem do paranaense durou até o dia 27 de fevereiro. Os Meninos da Vila foram comandados por Marcelo Martelotte até a chegada de Muricy Ramalho. O multicampeão assumiu o Santos em 5 de abril. A partir disso, as coisas mudaram.

MURICY RAMALHO ARRUMOU A CASA

O comandante chegou à Vila Belmiro pressionado, porque a equipe estava prestes a ser eliminada na fase de grupos. Além disso, havia perdido para o Palmeiras em casa, dois dias antes de sua chegada. Portanto, tinha muitas coisas a se mudar no elenco.

Primeiramente, ele mudou alguns posicionamentos e adicionou uma peça-chave. O plantel santista atuava no 4-2-2-2. Com isso, Paulo Henrique Ganso atuava mais pelo lado esquerdo e Elano pelo lado direito. Arouca e Danilo ficavam mais recuados. Os volantes tinham a função de fazer o ‘box-to-box‘. Neymar, craque do time, atuava pelo lado esquerdo, mas muitas vezes buscava a bola no meio de campo. Como resultado, o Peixe era muito ofensivo e sofria com a defesa.

Muricy Ramalho, com toda sua experiência, já percebeu que o time precisava de um ‘cão de guarda'. Além disso, o professor mudou o desenho tático do meio-campo e deixou o Neymar mais próximo da área. Com isso, o esquema tático passou a ser 4-1-2-1-2. Adriano ganhou posição de Danilo, que foi para a lateral e ficou mais recuado que os outros volantes, Elano e Arouca. Ganso ficava mais pelo meio próximo dos atacantes.

EM BUSCA DE UM MILAGRE

Quando o multicampeão chegou para comandar os Meninos da Vila, a equipe tinha apenas dois pontos na Libertadores. Para a equipe se classificar, seria preciso três vitórias em três jogos. O primeiro duelo da vida seria um dia depois da chegada do treinador.

A partida seguiu todos os requisitos de um drama. O Santos vinha fazendo um jogo seguro e ganhando por 3 x 0 até meados do 2º tempo. No entanto, a partida ainda teria muitas emoções. O Alvinegro Praiano levou dois gols e sofreu até o último minuto. Além disso, Neymar, Elano e Zé Eduardo foram expulsos. Mesmo com todas essas dificuldades, os brasileiros conquistaram a primeira vitória na Libertadores.

Depois desse triunfo, a sorte voltou a reinar na Vila Belmiro. Na semana seguinte, o Peixe foi a Assunção para encarar o Cerro Porteño e conseguiu o inesperado: uma vitória. Com gols de Danilo e Maikon Leite, o plantel de Muricy passou a depender apenas de si mesmo para de classificar. Vale ressaltar que a equipe atuou sem o Ney, o craque do elenco. O último jogo do grupo foi tranquilo, porque o Santástico era muito mais time e superou o Deportivo Táchira por 3 x 1.

NEYMAR, GANSO E ELANO COMANDAVAM UM EQUIPE COM SEDE DE VITÓRIA

Os Meninos da Vila superaram todas as dificuldades da fase de grupos e rumaram para o mata-mata. O plantel de Muricy Ramalho se classificou em 2º colocado do grupo por conta do saldo de gols. Como resultado, iria encarar um líder de chave nas oitavas de finais: o América do México.

A partida de ida foi muito difícil. O Peixão ganhou de 1 x 0 com gol de Ganso na 2ª etapa. O embate no México foi dramático e, com muita raça, o Alvinegro Praiano segurarou o 0 x 0. Portanto, os santistas se classificaram para as quartas de final.

Além de ter o Once Caldas pela frente, o Peixe tinha outro problema. O craque Paulo Henrique Ganso saiu machucado do jogo número 1 da final do Campeonato Paulista, e a recuperação seria de seis semanas. Como resultado, o camisa 10 só estaria disposto em um possível duelo de volta da final.

Mesmo com um grande desfalque, o Santos se agigantou e superou os colombianos. A partida de ida foi vencida por 1 x 0, gol de Alan Patrick, na casa dos adversários. O confronto de volta, terminou em 1 x 1, Neymar deixou o dele e deu um show no Pacaembu. Como resultado, o esquadrão santástico estava entre as quatro melhores equipes da América.

CHEGOU A HORA DE SEPARAR OS HOMENS DOS MENINOS

O Santos costuma dar chances para a garotada, e muitos desses jovens correspondem as expectativas. No caso de Neymar, superou todas elas e, com 19 anos, era o líder técnico do time dentro de campo. O craque era o ponto forte da equipe e, além disso, nos momentos delicados, sempre decidia.

A semifinal marcou o reencontro do Peixão com o Cerro Porteño. Os clubes se enfrentaram na fase de grupos e iriam duelar novamente. O primeiro embate foi no Pacaembu com os mandantes vencendo por 1 x 0, mais uma vez com bom atuação do camisa 11. Portanto, jogava pelo empate no Paraguai. Se o confronto de ida faltaram gols, no de volta teve de sobra. O jogo terminou em 3 x 3, os santistas chegaram a estar vencendo por 3 x 1, mas sofreram o empate. O esquadrão de Muricy sofreu no início do torneio, mas cresceu no decorrer e se classificou para a final.

O adversário na grande decisão seria o pentacampeão Penãrol, um equipe muito tradicional do Uruguai. A partida de ida foi em Montevidéu, e o Alvinegro ainda não poderia contar com Paulo Henrique Ganso. Sem o camisa 10, a equipe seguiu atuando no com três volantes de intensidade (Adriano, Arouca e Danilo) e Elano mais à frente. O duelo foi muito disputado, no entanto, o zero não saiu do placar.

NEYMAR, GANSO E ELANO CONQUISTARAM A AMÉRICA

A primeira partida foi 0 x 0, ou seja, uma vitória simples dava o título para o Santos. Muricy ganhou um grande reforço: PH Ganso de volta. O time manteve o mesmo esquema tático, mas Elano ficou mais recuado para Ganso jogar mais à frente, e Danilo foi para a lateral-direita.

O jogo começo e o Pacaembu estava completamento invadido pela nação santista. A etapa inicial foi muito equilibrada e com poucas chances de gol para ambos os lados. Os mandantes estavam melhor, mas não estavam conseguindo criar oportunidades claras para abrir a conta.

A equipe santista voltou mais intensa para a etapa final. Logo no começo do 2º tempo, Arouca fez grande jogada individual e tabelou com Ganso, que serviu Neymar. O camisa 11 finalizou no canto direito do goleiro e abriu o placar para a alegrias do Mar Branco. O Santos seguiu bem e, aos 23′ da etapa final, Elano tocou para Danilo, que ampliou a vantagem.

O duelo parecia estar decidido, mas, para terminar a Libertadores em grande estilo, era preciso uma pitadinha de drama. Faltando 10 minutos para o fim, Durval fez um gol contra, e deixou os uruguaios próximos do empate. Caso a partida terminasse em 2 x 2, teria pênaltis. Entretanto, os Meninos da Vila seguraram a vantagem e conquistaram a América.

Foto Destaque: Divulgação/Neymar Jr Site

Leonardo Pinheiro
Escolhi jornalismo porque para mim é prazeroso informar as pessoas, e além disso, a paixão pelo futebol me encorajou a seguir essa carreira. Meu principalmente objetivo na profissão é trabalhar com esportes, principalmente o futebol.

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