N'Golo Kanté, volante francês do Chelsea, sagrou-se campeão do mundo neste último domingo. Sua seleção venceu a Croácia por 4 a 2 e a nova geração dos Bleus entrou para a história ao lado dos campeões de 1998. O pequeno jogador de 27 anos teve ascensão meteórica no futebol, ao destacar-se no Leicester City na campanha arrasadora e surpreendente. Considerado um dos melhores de sua posição no mundo, Kanté destoa de muitos jogadores no fator extracampo, e sua simplicidade ganhou as manchetes nos últimos dias.

Cada vez mais, futebol e espetáculo caminham lado a lado. As milionárias cifras envolvendo direitos de transmissão e a forma como as competições têm sido transformada em megaeventos comprovam isso. Decorre daí que grandes jogadores tenham se transformado em superastros, que ostentam patrimônios opulentos, materializados em carrões, mansões nos pontos turísticos mais cobiçados do mundo e roupas extravagantes.

Alguns jogadores são fenômenos de marketing, atraem inúmeras marcas e qualquer ação publicitária envolvendo seu nome causa frisson. No ocaso de suas carreiras, outros jogadores se destacam mais pelos holofotes extracampo do que pelo futebol apresentado. Kanté caminha na direção contrária. O pequeno-gigante quase não dá entrevistas, não ostenta possantes nem visuais cravejados a diamantes.

Os holofotes miram Kanté por seu futebol. No Leicester, despontou para o futebol. Sua onipresença dava fôlego ao sistema de Claudio Ranieri. Motor da equipe, foi um dos principais ladrões de bola da Premier League e também se destacou pela qualidade na saída de bola. Considerado um dos melhores volantes, o pequeno-gigante teve uma ascensão meteórica no futebol, mas, mesmo assim, mantém sua simplicidade.

Neste domingo, o filho de imigrantes do Mali sagrou-se campeão mundial. Venceu a competição mais cobiçada do planeta. Aquela que é parâmetro para distinguir e debater a genialidade de jogadores do mais alto nível. Afinal, certamente você já ouviu discussões que colocam em xeque o brilho de Zico, Messi e companhia por não terem ganho uma Copa do Mundo. Na Rússia, Kanté entrou para a história com uma atuação consistente. Mesmo assim, durante a comemoração, acanhou-se. Tímido, não quis pedir para abraçar a taça. Seu colega N'Zonzi teve de intervir pelo camisa 13.

Naquele momento, Kanté estava diante de fotógrafos do mundo inteiro. Ele poderia extravasar, fazer uma pose chamativa, como o dab de Pogba. Mas, não. O agora gigante N'Golo ajoelhou e apoiou a taça em seu joelho direito. Em um gesto de extrema simplicidade, com um sorriso modesto, mas que transbordava realização, acenou para as câmeras. Enquanto isso, N'Zonzi, Pavard e companhia observavam, atônitos, o momento carregado de simbolismo.

Kanté, no auge de sua timidez, precisou de ajuda para tirar foto com a taça; assista

Kanté é adorado por seus companheiros. Horas depois do título, o clima de festa dominava o ônibus da delegação francesa. Entre uma música e outra, o camisa 13 foi exaltado por seus colegas franceses. ”Ele é pequeno, ele é gentil, ele parou o Messi”, diz a letra.

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Já em solo francês, o astro Paul Pogba voltou a homenagear o jogador. A pequena multidão que acompanhava a festa dos Bleus endossou o coro, enquanto o baixinho estampava em seu rosto o mesmo sorriso cintilante e polissêmico de quem é justamente homenageado. Dentro e fora de campo, N'Golo Kanté é exemplo. Eficiência, simplicidade, humildade e elegância com a bola nos pés. Predicados que descrevem com perfeição este pequeno monstro em forma de jogador.

André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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