Jairzinho: o Furacão da Copa de 70

Jair Ventura Filho nasceu no dia 25 de Dezembro de 1944 na cidade do Rio de Janeiro. Assim como todo garoto brasileiro, desde pequeno, demonstrava muito talento com o futebol. Em 1958, Jairzinho iniciou sua trajetória na área futebolística como gandula em General Severiano, sede do Botafogo. Já em 1961, foi campeão pela primeira vez, jogando no juvenil do clube.

Posteriormente, foi tricampeão na categoria, ganhando também nos anos de 1962 e 1963. Logo após, assumiu a posição de titular no Campeonato Carioca e, três anos depois, disputava sua primeira Copa do Mundo. Em suma, a coluna Nostalgia Brasileira desta semana, vem contar a história do craque que marcou uma geração de apaixonados por futebol.

BRILHANDO NO GLORIOSO

No início da década de 60, o menino que se tornaria um furacão no mundo do futebol chegava ao Botafogo. Jairzinho não perdia um treino só para ficar admirando os dribles de Mané Garrincha. No treinamento, via, além de seu ídolo, craques como Didi, Gerson, Zagallo e Nilton Santos. Portanto, não demorou muito para que o menino que era gandula fizesse um teste nas categorias de base do Glorioso e começasse a defender as cores alvinegras. Sendo assim, no meio de grandes prodígios, o menino se sobressaiu sem muitas dificuldades.

Simultaneamente, em 1963, acabado de sair do juvenil, Jairzinho recebeu uma missão praticamente impossível de substituir Garrincha, que havia ido jogar no Corinthians. No entanto, ao invés de decepcionar, o garoto de 19 anos encheu os olhos dos torcedores. Com a mesma camisa 7 nas costas, não mostrou o talento de Mané para os dribles desconcertantes, mas seus gols e suas arrancadas também deixaram seu nome na história do clube de General Severiano.

jairzinho
Memórias do Esporte (Foto: Reprodução)

A ESTREIA DE JAIRZINHO NA COPA

Na Copa de 1966, realizada na Inglaterra, o Brasil se preparava para o tricampeonato. Simultaneamente, em busca do título, Vicente Feola, que atuara em 1958, retornou ao comando e definiu o time, escalando o jovem Jair para ser titular. Apesar disso, o jogador foi posto na ponta-esquerda, posição diferente do que estava acostumado. Assim, estreou em sua primeira Copa do Mundo aos 20 anos de idade. O Brasil iniciou com vitória sobre a Bulgária, com gols de Garrincha Pelé para findar com sucesso a última vez dos dois juntos em campo. Apesar de não ter balançado a rede, Jairzinho foi bem.

Infelizmente, a Copa acabou com decepção. Embora, a Seleção contasse com excelentes jogadores naquele mundial, o Brasil não conseguiu passar da primeira fase, já que perdeu para Hungria e Portugal. O time do mundial de 66 era: Manga, Fidélis, Brito, Orlando e Rildo; Denílson e Lima; Jairzinho, Silva, Pelé e Paraná. Mesmo com o fracasso daquele torneio, Jairzinho permaneceu com seu status inabalado, e o melhor ainda estaria por vir. Ao passo que, quatro anos mais tarde, estaria no topo do mundo.

JAIRZINHO: O FURACÃO QUE SOPROU FORTE EM 1970

O time comandado por Mário Jorge Lobo Zagallo tinha em campo cinco números 10 por seus clubes, o que fazia diferença no Brasil: Pelé, Jairzinho, Rivellino, Tostão e Gérson. Os adversários sofreram, um a um, com o faro de gol de Jair. Na estreia contra a Tchecoslováquia, o Brasil ganhava apenas por 2 x 1 quando Jairzinho marcou o terceiro e o quarto tentos. No segundo jogo, disputa difícil diante da Inglaterra, decidida com gol de Jairzinho: 1 x 0. No terceiro desafio, 3 x 2 sobre a Romênia, com Jair balançando a rede quando estava apenas com um gol de vantagem para o Brasil. De fato, a Copa de 1970 foi mágica para o camisa 7.

Agência 1 x 1 (Foto: Reprodução)

Imediatamente, Jairzinho ganhou o apelido de Furacão porque atropelava os zagueiros e driblava com ou sem a bola. Quando era necessário, resolvia as coisas com gols. Contra a Inglaterra, marcou o único tento da vitória brasileira. Nas quartas de final, aos 30′ do 2º tempo, acabou com a esperança do Peru, de Cubillas. Se alguém tinha dúvidas de que estava vendo a melhor equipe da história, o confronto contra a Itália, no dia 21 de junho, acabou com boa parte daquele questionamento.

Apesar de Boninsegna ter aberto o placar, Pelé, Gérson e Jairzinho destruíram os sonhos italianos. No fim do jogo, Clodoaldo começou a jogada, passando nos pés de praticamente todos os craques brasileiros, até Pelé rolar para Carlos Alberto Torres, que marcou o quarto gol em uma das mais belas jogadas já disputadas. Foram, ao todo, sete tentos em seis duelos. Em suma, o Furacão marcou em todos os jogos daquele mundial e acabou celebrando o título, no topo. Sem dúvidas, Jairzinho foi um dos maiores nomes da história das Copas do Mundo.

BOTAFOGO NÃO CONSEGUIU CHEGAR AO TOPO DA AMÉRICA

Nesse meio tempo, em 1972, Jair marcou três vezes na goleada botafoguense sobre o Flamengo, por 6 x 0, a maior do Alvinegro em campeonatos brasileiros. Naquele mesmo ano, Jairzinho quase levou o Glorioso a um feito inédito: ganhar o Campeonato Brasileiro, já só havia conquistado a extinta Taça Brasil. No entanto, na final, o Furacão não conseguiu derrubar a forte defesa do Palmeiras. Assim, um  empate em 0 x 0 acabou dando o título aos paulistas que detinham melhor campanha. Com bons aprimoramentos, o habilidoso jogador tentou colocar o clube da Estrela Solitária no topo da América, porém não conseguiu.

Em 1973, chegou a qualificar o time para uma segunda fase de grupos, que colocaria os dois primeiros na final. Para isso, Jairzinho marcou o gol decisivo na vitória sobre o Palmeiras, desempatando a primeira fase e classificando os botafoguenses. Apesar disso, na fase decisiva, a vez foi do Independiente e Colo-Colo, que tiveram um desempenho superior. Apesar de o craque ter feito história na Copa do Mundo, infelizmente não conseguiu o mesmo sucesso com o Botafogo em Copas Libertadores. Mesmo assim, o Furacão da Copa de 70 marcou história por onde passou.

Foto em destaque: Reprodução/CBF

Thamirys Abreu Vieira
Sou carioca, graduada em Jornalismo pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo). Pretendo me especializar na área esportiva e vivenciar a cada dia a magia do futebol. Exigente e de temperamento forte, mas sempre disposta a aprender. Apaixonada pela leitura e o mundo futebolístico.

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