Hoje o Botafogo.

“O Botafogo tem tudo a ver comigo: por fora, é claro-escuro, por dentro, é resplendor; o Botafogo é supersticioso, eu também sou. O Botafogo é bem mais que um clube – é uma predestinação celestial. Seu símbolo é uma entidade divina. Feliz da criatura que tem por guia e emblema uma estrela. Por isso é que o Botafogo está sempre no caminho certo. O caminho da luz. Feliz do clube que tem por escudo uma invenção de Deus”, Armando Nogueira, jornalista.

HISTÓRIA EM PRETO E BRANCO

Tudo começou em um casarão no Largo dos Leões, no Humaitá. Flávio Ramos e Emmanuel Sodré, dois amigos que estudavam juntos, criaram o Electro Club. A fundação aconteceu no dia 12 de agosto de 1904, e não demorou muito para o nome mudar para Botafogo Football Club. No entanto, na cidade do Rio de Janeiro, existia o Club de Regatas Botafogo, fundado em 1894. Assim, as duas agremiações coexistiram por 38 anos, até que em 1942 ocorreu a fusão e o nascimento do atual Botafogo de Futebol e Regatas.

“No Rio, a formação da identidade passa, também, pela eleição de um time de futebol. O poeta, fiel à sua infância, escolhe o ‘Botafogo Futebol Clube’. Não frequenta os estádios. Não lê o noticiário. Não ouve as transmissões pelo rádio. Mas, se perguntarem seu time, afirma: ‘Botafogo’. Não se trata de uma paixão, mas de uma senha para a cidadania”, Vinícius de Moraes, escritor.

DÉCADAS GLORIOSAS

Os ídolos e anos de glórias são entoados pelos botafoguenses em músicas: “Os seus ídolos são tantos! Didi Garrincha e Nilton Santos já vestiram este manto”, “89 foi o começo de uma hora, acabando com a espera, é Maurício para a galera”, “95, mais um ano de alegria, a sua estrela brilha, é gol do Túlio Maravilha”, são trechos marcantes sempre ouvidos em jogos do Alvinegro.

A Seleção Brasileira encantou o planeta nas Copas de 1958 e 1962. Assim, o Botafogo cedeu muitas estrelas para essas duas conquistas. Não a toa, é o clube com o maior número de jogadores convocados para Copa do Mundo. Nilton Santos, Didi, Zagallo e Garrincha, são apenas alguns nomes que participaram desses Mundiais. Com isso, muitos acham que o melhor time – do alvinegro carioca – da história, foi a equipe de 1957 a 1964. O esquadrão da época lotava o Maracanã, encantando com o seu futebol ofensivo e fazendo espetáculo.

Milhares apreciavam a classe de Niltos Santos e Didi, o fôlego de Zagallo, a habilidade e velocidade de Quarentinha e Amarildo, além da mais pura e desconcertante técnica de Garrincha. Desta forma, o Glorioso da estrela solitária fez o seu apaixonado torcedor sorrir em anos mágicos. Além disso, as vitórias eram marcadas por apresentações memoráveis. O Botafogo levava aos estádios até os rivais, que apenas queriam vislumbrar um belo futebol. Por muitos anos, grandes elencos acabavam e outros surgiam, troféus eram erguidos, histórias eram feitas, memórias eram criadas. Campeonatos Cariocas, Torneios Rio-São Paulo, Taça Brasil e até a Taça Paris, foram conquistados.

21 ANOS AMARGOS E A VOLTA DAS CONQUISTAS

Porém, uma vírgula foi adicionada nesta gloriosa história. Isto porque, o Botafogo ficou 21 anos sem levantar um caneco sequer. Com isso, as torcidas rivais cantavam parabéns nas arquibancadas, em alusão a cada ano que se passava sem um título. Em 89, enfim o jejum acabou, no histórico gol de Maurício, no Carioca, em cima do Flamengo. Após isto, a porta foi reaberta e vieram mais Cariocas, Rio-São Paulos, Brasileiro, Tereza Herrera e Copa Conmebol. Entretanto, na virada do século, a pior fase de toda a sua história chegou.

TEMPOS CINZAS

O Século XXI chegou para “acizentar” o Alvinegro. Em 2002, o pior pesadelo: o rebaixamento. Isto, acumulado a anos de descaso, péssimas gestões, fizeram com que o Botafogo amargasse momentos de tristeza em sua história. Assim, pode se dizer, que o Glorioso vive entre o céu e o inferno. Poucos momentos de alegria parecem que vão tirar o time do poço. No entanto, o clube acumulou outro rebaixamento. Nos últimos 18 anos, foram apenas quatro estaduais conquistados e muitas ilusões.

“Ser Botafogo é escolher um destino e dedicar-se a ele. Não se pode ser Botafogo como se é outro clube: você tem que ser de corpo e alma”, Mário Filho, jornalista.

UM FUTURO COM ESPERANÇA

Hoje em dia, o botafoguense se agarra na esperança de que os tempos vão mudar e o Glorioso voltará a fazer jus ao seu apelido. Nos últimos meses, a notícia de que os irmãos Moreira Salles irão investir e reestruturar o clube, agitou a torcida e reacendeu a chama do torcedor. Isto representa o botafoguense, pois ser Botafogo é não desistir nunca. Afinal, o botafoguense nasce nos dribles de Garrincha, no brilho de Nilton Santos, na voz rouca da torcida, nas superstições, nas crônicas de Armando Nogueira, nas poesias de Vinícius de Moraes, no punho erguido apontado para uma estrela no céu. Para o botafoguense, o sangue não é vermelho. É preto e branco. Parabéns, Botafogo!

Bernardo Nascimento
Bernardo Nascimento, 29, nascido e morador de Niterói-RJ. Jornalista em formação atrás do seu sonho, geólogo por acaso. Frequentador de arquibancadas e bares, acredita que o lugar de todo torcedor é ao lado do seu clube. Sofredor e supersticioso pelo seu time de coração, já saiu do país por causa de futebol. Além do seu manto, veste apenas a amarelinha da seleção.

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