Sandro Goiano é ídolo de Paysandu, Grêmio e Sport (Foto: Reprodução / Paulo Franken / Agência RBS)

Raça, entrega dentro de campo, liderança e um representante do torcedor nas quatro linhas: este era Sandro Goiano. Talvez, um dos últimos volantes clássicos do futebol brasileiro, o jogador se notabilizou pela cara feia que botava medo nos atacantes adversários. Tal postura dava a ele carisma e o carinho das torcidas, especialmente do Paysandu, Grêmio e Sport, por onde foi multi-campeão. Nesta quinta-feira (6), a coluna Parabéns ao Craque homenageia um dos maiores cabeças de área das últimas décadas, que completa 47 anos de vida.

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DE GOIÁS, SURGE UM ÍDOLO DO PAPÃO

Assim, carregando o estado em seu nome, Sandro Goiano nasceu em Pirenópolis, no planalto central brasileiro. Terra de sertanejos, o ex-volante iniciou a carreira no Goiás. Mas sem grande protagonismo, vagou por Caxias-RS, Tuna Luso-GO e Paraná até chegar ao Paysandu para fazer história e se tornar um dos maiores ídolos do Papão da Curuzu.

Pelo Bicolor, Sandro Goiano era símbolo de raça e dedicação às cores do Paysandu. Isso porque, em quase seis temporadas à serviço do clube do Pará, o volante desfilou classe e técnica, e quando faltava qualidade, ia na base da vontade. Sendo um dos maiores vitoriosos do Papão, nosso aniversariante foi pentacampeão do Parazão, campeão da Série B, em 2001, e das Copas Norte e dos Campeões, em 2002.

Além disso, com a conquista do torneio que reunia os campeões regionais, Sandro Goiano disputou sua primeira Libertadores, em 2003. Logo, foi um dos destaques da histórica campanha que levou o Paysandu às oitavas de final da maior competição da América do Sul. Dessa forma, estava em campo na icônica vitória contra o Boca Juniors, em pleno Estádio La Bombonera. Apesar da eliminação na volta, nunca mais saiu do imaginário do torcedor bicolor. Recentemente, foi eleito para a “Seleção de todos os tempos” do clube paraense.

VOLANTE CAPITÃO DO GRÊMIO

No entanto, Sandro Goiano é mais lembrado pelos feitos no Grêmio. Em 2005, após a queda à Série B, o Imortal o contratou para ser o volante titular do projeto de ressurgimento no futebol brasileiro. Assim, forte na marcação e raçudo dentro de campo, o capitão caiu rapidamente nas graças da torcida. Pelo clube gaúcho, foi duas vezes campeão estadual, em 2006 e 2007, e classificou a equipe para a Libertadores de 2007, sendo vice-campeão da competição.

Apesar disso, o feito mais valorizado em Porto Alegre foi ter cumprido a grande promessa ao chegar no Grêmio: o acesso à Série A, em 2005. Dessa forma, esteve presente na histórica Batalha dos Aflitos, em Recife, na qual, mesmo com quatro jogadores a menos, o Tricolor marcou o gol que garantiu a volta à elite diante do Náutico. Logo, o retorno com o título é um dos momentos mais memoráveis do futebol brasileiro nos últimos tempos. Acontece que Sandro Goiano não marcou apenas uma geração de gremistas com esta partida.

UM LEÃO DENTRO DE CAMPO

Após vencer o Náutico com as devidas circunstâncias, o ex-volante voltou a fazer história em solo pernambucano, dessa vez no rival alvirrubro, o Sport. Dessa forma, contratado em 2008, o jogador entrou para uma das páginas mais gloriosas do Leão da Ilha. Pois, ao lado de Daniel Paulista, atual técnico leonino, formou uma das maiores duplas de volantes do Rubro-Negro. Algo que culminou com a conquista da Copa do Brasil, em 2008, diante do Corinthians.

Em uma campanha histórica, onde derrubou seguidos favoritos ao título, como Palmeiras e Internacional, Sandro Goiano foi sinônimo de fortaleza na defesa do Sport. Esbanjando vigor físico, técnica e raça, o ex-volante era, de fato, um leão dentro de campo, voraz e feroz a cada bola dividida e isso fez o torcedor se ver dentro de campo. Era uma época de ídolos vestindo a camisa do Rubro-Negro como Magrão, Durval, Dutra, Romerito e Carlinhos Bala, onde, alinhada a experiência do nosso aniversariante, deu a liga vitoriosa.

Para confirmar a valentia que depositava dentro de campo, em julho do mesmo ano, Sandro Goiano sofreu um traumatismo craniano após um choque de cabeça. Apesar disso, dois dias após, já queria estar em campo para ajudar a equipe, mas foi impedido pelos médicos. Seguiu no Sport para a disputa da Libertadores, em 2009, e foi um dos destaques da maior campanha do clube na competição, com a liderança do grupo da morte e a queda nas oitavas de final para o Palmeiras, nos pênaltis.

MAIS QUE UM ÍDOLO, UM TORCEDOR DOS TRÊS CLUBES

Dessa forma, Sandro Goiano pode se considerar um privilegiado do futebol brasileiro. Isso porque, passou por três grandes clubes, deixou saudades em todos e se tornou um ídolo venerado por três torcidas de massa. Em 2011, após nova passagem pelo Paysandu, quando foi campeão paraense pela quinta vez, o ex-volante se aposentou dos gramados. No entanto, nunca largou o futebol.

Pois, acertou o convite de um amigo para trabalhar na diretoria do América, de Ribeirão Preto. Assim, ainda teve participação na formação de Luan, atualmente no Corinthians, sendo quem indicou para o Grêmio, onde foi eleito o craque da Libertadores de 2017. Além disso, em 2013, voltou para o Sport para ser gerente de futebol. Após deixar o Leão, abriu escolinhas de futebol em Goiânia, onde reside, para ajudar na formação de novos talentos da bola. Em um futuro próximo, pode se tornar treinador já que vem realizando cursos online da CBF.

Agora, aos 47 anos, sendo 21 deles dentro de campo, Sandro Goiano será sempre lembrado pela raça, qualidade e marcação. Como um cão de guarda, que o fez ser apelidado de Pitbull, o Gattuso do Sul, o Deus da Raça, o Tanque tem espaço no coração de Bicolores, Tricolores e Rubro-Negros. Mais que um ídolo, um torcedor.

Parabéns, Sandro Goiano!

Foto Destaque: Reprodução / Paulo Franken / Agência RBS

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Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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