Felipe Klein

Uma das principais peças do elenco de qualidade do Clube Atlético Cerro, do Uruguai, é Felipe Klein. O jogador chegou ao clube em 2015, num momento em que o time passava por uma situação complicada: lutar contra o rebaixamento na tabela de promedios (que junta a média de pontos dos dois últimos anos do clube na elite do futebol e os três times com menor média caem de divisão). No grupo, ajudou a evitar a 2ª divisão em 2015 e, em 2016, colaborou para a classificação à pré-Libertadores de 2017. Mesmo caindo na segunda fase, era um fato gigantesco para um time de segundo escalão do Uruguai, visto que ainda foram a Copa Sul-Americana de 2018 conseguiram se classificar novamente para a competição em 2019.

Ou seja, desde sua chegada, foram três anos consecutivos conquistando vaga em competições internacionais em um clube que vinha lutando contra a degola. Mas a história deste meia-atacante brasileiro não começou direto em “terras celestes”. O gaúcho já passou por alguns clubes do Brasil, principalmente em equipes cearenses, e teve uma ótima e honrosa passagem pelo Cerro Largo, também do Uruguai, de onde ficou conhecido no país e futuramente seria contratado para fazer parte da história do Cerro, como também fez na do Cerro Largo. Conheça a trajetória de Felipe Klein: o expoente verde-amarelo no Uruguai.

Primeiros passos no futebol

Oriundo das categorias de base do Internacional, do Rio Grande do Sul, Felipe Ely Klein não chegou a jogar no profissional do Colorado, rumando para o Novo Hamburgo, onde se profissionalizou em 2006. Posteriormente foi para o Porto Alegre, onde se profissionalizou, em 2008. Passou também por Canoas (Ulbra), da mesma região, no início de 2009. No segundo semestre do mesmo ano, fechou com o Ypiranga, de Erechim-RS. Ainda jovem e com poucas chances, migrou para o Nordeste do país e foi para o Ferroviário, do Ceará, em busca de novas oportunidades.

No Tubarão da Barra virou titular e foi um dos destaques da equipe no Campeonato Cearense de 2010, marcando oito gols no torneio e fazendo boa dupla de ataque com Rafael, que marcou 10 vezes. A equipe ficou na liderança do 1º turno do campeonato, denominado Taça Estado do Ceará, classificando-se para a semifinal, na qual os quatro primeiros se garantiam. Lá, perderam para o Fortaleza por 2 x 1. No 2º turno, chamado Taça Cidade de Fortaleza, ficaram em 5º lugar e não foram às semifinais.

“Eu tive passagem por alguns clubes do Brasil. O Fortaleza foi o clube de mais expressão que passei no Brasil. Joguei também pelo Icasa, na Série B do Brasileiro, joguei por um clube da Série C do Brasileiro, o Ypiranga, de Erechim, dentre outros clubes. Tive uma passagem também no futebol de Omã, no mundo árabe… Foram experiências muito boas para mim, onde pude aprender e cada lugar a gente leva um pouquinho de aprendizado”.

Início da história no Uruguai

Após o bom Campeonato Cearense com o Ferroviário, teve uma aventura em Omã, pelo Ahli Sidab, no segundo semestre de 2010, mas durou pouco tempo, sendo contratado pelo Fortaleza em janeiro de 2011. Porém, com poucas oportunidades e forte concorrência por posição, rescindiu seu contrato, assinando com o Cerro Largo, do Uruguai, sem custo, em julho de 2011. Os Arachanes haviam acabado de subir para a elite nacional. Com Klein no elenco, fizeram um excelente Campeonato Uruguaio, ficando na 5ª colocação do Apertura 2011.

Já em 2012, Felipe marcou seu primeiro gol pelo Cerro Largo, no dia 25 de fevereiro, na 2ª rodada do Clausura, em vitória sobre o Montevideo Wanderers por 3 x 0, no qual fez o segundo gol, aos 69 minutos. Tiveram um feito histórico ao venceram um gigante do país, o Nacional, em casa, por 4 x 2, chegando a abrir 3 x 0 em menos de 14 minutos de jogo, pela 6ª rodada. Klein fez seu segundo gol na vitória por 2 x 1 sobre o Bella Vista, abrindo o placar fora de casa, no dia 14 de abril, pela 8ª rodada. Com uma 5ª colocação no Clausura também, o time ficou na 4ª posição na tabela anual, o que garantiu que fizessem história ao classificar o clube à Copa Sul-Americana de 2012, de forma inédita, sendo a primeira equipe do interior a alcançar o feito.

Felipe se tornou tão importante no time do interiorano que foi agraciado com a braçadeira de capitão, algo incomum para estrangeiros, devido a sua liderança no grupo. Participou dos duelos da 1ª fase do torneio internacional em que perderam por 2 x 1 para o Aurora, fora de casa, na Bolívia, e no confronto de volta, no 0 x 0 que os eliminou. Na temporada 2012-13, devido a saída de alguns atletas, o time não manteve o nível anterior e fez a pior campanha de sua história, terminando na última posição da tabela geral (16º lugar) com 27 pontos, prejudicando o futuro do clube em termos de permanência na 1ª divisão. Se salvaram do rebaixamento na tabela de promedios graças a ótima temporada de 2011-12. Felipe saiu do clube dia 1º de agosto de 2013.

Retorno ao Brasil

Em 2014, Klein volta ao Ceará, desta vez para defender o Icasa. Foi um ano no clube cearense onde disputou o estadual e a Série B. Não chegou com status de titular, mas aos poucos conquistou seu espaço. No Campeonato Cearense, Felipe Klein marcou cinco gols, sendo vice-artilheiro do time no campeonato. O primeiro foi contra o Crato, na 6ª rodada, fazendo o segundo gol da vitória por 2 x 0.

No jogo seguinte, contra o Guarani de Juazeiro, abriu o placar aos seis minutos na derrota por 2 x 1 fora de casa. Na 11ª rodada da 1ª fase, marcou seu terceiro gol, contra seu ex-clube, o Ferroviário, na vitória por 3 x 2, fazendo o gol de desempate quando estava 1 x 1. No embate em sequência, fez seu quarto tento no torneio, frente ao Crato, desta vez fora de casa, aos cinco minutos de jogo, sendo o único gol da partida. Na 2ª fase, anotou um gol ao 43’, inaugurando o placar na vitória por 2 x 1.

Ficaram na 4ª colocação da 1ª e 2ª fase, chegaram ao mata-mata, do qual foram eliminados pelo Fortaleza. Porém, levou dois títulos do interior com o clube: a Copa Fares Lopes e Taça Padre Cícero, títulos do interior do Ceará. No Campeonato Brasileiro da Série B de 2014, Felipe Klein anotou dois gols. O primeiro contra a Ponte Preta, no empate com a Macaca em 1 x 1, na 1ª rodada da competição, abrindo o placar aos 33’. Seu segundo gol foi contra o Vasco da Gama, na 18ª rodada, ao empatar a partida aos 90’, deixando o 1 x 1 no placar e o gosto de derrota para os Cruz-maltinos. Em 2015, voltou ao futebol gaúcho para disputar o estadual local pelo Passo Fundo. Em abril, fechou com o Glória, mas pouco depois acertou sua ida para o Cerro, de Montevidéu, novamente no Uruguai, em agosto de 2015.

Retorno ao Uruguai

“A minha vinda para o Cerro foi através de um amigo, hoje empresário. Em 2012 eu tive o prazer de jogar com ele no Cerro Largo, outro clube aqui do Uruguai, e entraram em contato com ele, como já me conheciam por ter jogado duas temporadas aqui no Uruguai, em 2012 e 2013. Aí veio a proposta, eu estava no Passo Fundo, jogando o Gauchão, e quando terminou o estadual eu vim para o Cerro e hoje fazem quase quatro anos que estou aqui. Vivi coisas muito boas aqui, conseguimos nos classificar para uma pré-Libertadores e para a segunda Sul-Americana seguida. É algo histórico que estamos fazendo: colocando o Cerro três anos seguidos em competições internacionais, então acho que isso tem que valorizar”.

No Cerro se tornou um dos líderes do time e exemplo de dedicação. Titular nas quase quatro temporadas em que está lá, como dito no primeiro parágrafo, já fez muito pelo clube e, assim como seus companheiros, mantém o time em bom nível, fazendo parte do segundo escalão uruguaio, atrás do investimento e tradição de Peñarol, Nacional, Danubio, Defensor e Wanderers. No início de 2019 chegou a ser especulada sua saída do clube, o Racing, também de Montevidéu, era seu destino. O meia chegou a ser comentado nas redes sociais de torcedores dos Cerveceros, mas o desejo de permanecer nos Villeros foi maior e o jogador seguiu no Cerro.

https://twitter.com/Uruguay_GO/status/1082464555891073026

Estilo de jogo

Meio-campista que atua pelos lados do campo, Felipe Klein costuma jogar mais pela direita do meio/ataque, mas também pode atuar pela ponta esquerda, pelo meio e até como segundo volante, sendo um jogador polivalente no meio-campo. Aguerrido, não tem como ponto forte a marcação, mas é firme quando precisa disputar uma bola e não desiste. Tem razoável habilidade, mas exímia categoria, sendo um ambidestro diferenciado. O mais comum é que os jogadores ambidestros chutem com as duas pernas, mas o camisa 8 do Cerro não só chuta, como conduz e dribla com as duas pernas.

Com visão de jogo, tem bons lançamentos, passes curtos e assistências, graças a sua boa técnica e precisão. Não se desespera frente a um marcador e nem cara a cara com o goleiro, por mais que gols não seja sua principal característica, e sim a criação de jogadas. Com 1,77 cm de altura, é um exímio cabeceador. Seu espírito de liderança também é notório, apesar do jeito simples, humildade e fala mansa. Foram dois tentos pelo Cerro: o primeiro sendo o de honra contra o Danubio, na 2ª rodada do Apertura de 2015-16, na derrota por 3 x 1. E o outro gol foi em 2017, pela 4ª rodada do Clausura. Jogador sem mídia, vaidade ou ego. É um raro trabalhador e que joga para o clube e não para a torcida, tendo um papel muito mais tático do que de astro.

“Me sinto em casa, muito feliz aqui e 100% adaptado ao clube, ao país e aos costumes deles!”

Eric Filardi
Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, criado em Taboão da Serra, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.
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