Fabian Guedes, mais conhecido como Bolívar, completa 40 anos neste domingo (16). Desse modo, a coluna Parabéns ao Craque homenageia o zagueiro bicampeão da Libertadores. Nascido em Santa Cruz do Sul (RS) e filho do jogador Bolívar Modualdo Guedes, Fabian herdou como apelido, o nome do pai. Libertador como Simón, o defensor logo ficou conhecido como general.

O INÍCIO DA VIDA NOS GRAMADOS

Acompanhando de perto a rotina do pai, desde cedo, o futebol esteve como protagonista na vida de Fabian. Desse modo, aos 16 anos de idade, o jovem conseguiu uma vaga no Guarani de Venâncio Aires. No início, o gaúcho atuava como meio-campo e até na lateral-direita. Posteriormente, o santa-cruzense passou por Grêmio, Joinville e Brasil de Pelotas. Porém, foi em 2003 que sua vida como profissional mudou. Contratado pelo Internacional, Bolívar jogaria como zagueiro, a posição que o consagraria.

Bolívar atuando pelo Guarani de Venâncio Aires (Divulgação/Twitter/Guarani)

ASCENSÃO NO INTER E PRIMEIRA LIBERTADORES

Bolívar chegou no Colorado para atuar na lateral-direita da equipe. Porém, em 2005, após lesão de Índio, o atleta assumiu sua posição de origem, a de zagueiro. Naquele ano, o Inter foi vice-campeão Brasileiro, e um campeonato regrado à polêmicas. Com 11 jogos anulados, bem como, levando em conta o famoso pênalti de Tinga, não marcado na antepenúltima rodada, onde o Corinthians acabou ficando com a conquista nacional. Ou seja, o sentimento de injustiça acabou influenciando o ano seguinte, onde o Colorado pintaria a América de vermelho pela primeira vez.

Em 2006, com a chegada de Abel Braga, Bolívar assumiu a titularidade da zaga junto com Fabiano Eller. Atuações fortes e seguras, somadas à liderança do craque junto aos companheiros, levaram ao apelido conhecido até hoje: general. A dupla de defensores disputou todas as 14 partidas da Libertadores. Por destino ou não, a grande final foi no dia 16 de agosto de 2006, data em que Bolívar completava 26 anos, bem como, seu primogênito, Tales, que celebrava seis anos de idade. Decerto, o nome que homenageava o pioneiro do processo de libertação da América Latina do Imperialismo, não fora em vão.

Bolívar, general do Internacional, conquistava o continente pela primeira vez. Porém, o que muitos não sabiam, é que na noite da decisão, o zagueiro já havia sido vendido para o Monaco, da França. De toda forma, o jogador comemorava com a maior êxtase possível. Bolívar não disputou o Mundial de Clubes daquele ano, porém sua história com o Colorado ainda não tinha um ponto final. Ademais, o atleta completou a primeira passagem pelo clube gaúcho com duas conquistas estaduais.

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Inter vence o Macaraibo por 4 x 0 com gols de Gabiru, Bolívar, Michel e Rentería (Reprodução / Getty Images)

EUROPA

Bolívar chegou ao Monaco, da França, em agosto de 2006. No primeiro ano na Europa, foi titular da equipe e participou de 34 das 38 rodadas da primeira divisão francesa. Em sua segunda temporada, o clube passou por dificuldades. Com risco de rebaixamento, o Les Rouge et Blanc acabou o campeonato na 12ª colocação. Bolívar atuou em 22 das 34 partidas. Posteriormente, ao fim da temporada, o clube preparou uma lista com 14 nomes negociáveis. Porém, segundo o técnico da época, o zagueiro saiu por vontade própria. Dessa forma, dois anos após ter deixado o Beira-Rio, o general Colorado voltava a Porto Alegre por empréstimo.

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Bolívar defendeu as cores do Monaco de 2006 a 2008  (Divulgação / Twitter Monaco Brasil)

VOLTA AO INTERNACIONAL, TÍTULOS E CAPITÃO DA AMÉRICA

Em junho de 2008, Bolívar voltava ao Inter. Naquele ano, o time foi responsável por ser o primeiro clube brasileiro a conquistar a Sul-Americana. Em final sofrida, o Inter se consagrou na prorrogação. Já em 2009, o Colorado venceu a segunda edição da Copa Suruga Bank. Como lateral-direito, o atleta foi titular na partida contra o Oita Trinita, clube do Japão. Além disso, a equipe conquistou mais um Campeonato Gaúcho. Contudo, o auge viria em 2010. Finalmente, atuando como zagueiro ao lado de Índio, Bolívar lideraria o Colorado na busca da América pela segunda vez. Porém, a braçadeira de capitão só veio com a chegada de Celso Roth, já na reta final da competição.

Na semifinal, o Inter enfrentou o São Paulo. O clube venceu o primeiro jogo, perdeu o segundo por 2 x 1, mas conseguiu a classificação para a grande final. O adversário seria o Chivas, do México. Dentro do ônibus que levava a equipe colorada para a primeira partida da decisão, o jogador ligou para casa e recebeu uma surpresa. Tales, o filho do craque, contou ao pai que tinha sonhado com um gol do zagueiro. Novamente, por destino ou não, aos 31′ do segundo tempo, Bolívar recebeu cruzamento na área, cabeceou e acertou em cheio a rede adversária. Dessa forma, o Internacional venceu por 2 x 1, de virada.

Após o jogo, o atleta fez uma promessa. Caso conquistasse o título, levaria o filho ao pódio na hora de levantar a taça. Os deuses do futebol cooperaram. No Beira-Rio, o Inter garantiu uma vitória emocionante pelo placar de 3 x 2. Bolívar e o clube de Porto Alegre conquistavam o bicampeonato da Libertadores. O general foi eternizado na história colorada.

Bolívar e o filho Tales erguendo a taça da América  (Reprodução/Getty Images)

ÚLTIMOS ANOS NO INTER E IDA AO BOTAFOGO

Em 2011, a sequência de títulos não teve recesso na parte vermelha do Rio Grande do Sul. Dessa maneira, no início do ano, o clube garantiu o Gauchão. Em seguida, o Internacional venceu o confronto contra o Independiente, garantindo mais uma Recopa Sul-Americana. O último título conquistado por Bolívar no Colorado foi o Estadual de 2012. Na temporada seguinte, o zagueiro acertou sua transferência para o Botafogo.

Em sua primeira partida, marcou um gol pelo Alvinegro. Em síntese, o ano de 2013 rendeu bons frutos ao Botafogo. O clube conquistou o Campeonato Carioca e finalizou a primeira divisão nacional em 5º lugar. Desse modo, carimbando passagem para disputar a Libertadores. Porém, o começo promissor foi ofuscado pela crise econômica que o clube enfrentava. Em recente entrevista, Bolívar diz ser muito grato à equipe, bem como, guarda um carinho especial pelo torcedor. Por outro lado, revelou que chegou a ter oito meses de salário atrasado. Em 3 de outubro de 2014, o atleta teve seu contrato rescindido.

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Bolívar disputou duas temporadas pelo clube carioca (Reprodução / Buda Mendes /Getty Images)

NOVO HAMBURGO, PORTUGUESA E APOSENTADORIA

Em 2015, o zagueiro assinou com o Nóia, clube do interior Gaúcho. Bolívar disputou o estadual, onde a equipe terminou ocupando a 7ª colocação geral, somando 22 pontos. Posteriormente, o atleta voltaria ao time, porém em outra posição. Em maio do mesmo ano, o jogador foi anunciado na Portuguesa, clube em que seu pai atuou por três anos. Bolívar era um dos reforços do time paulista para disputar a Série C do Campeonato Brasileiro. Porém, em agosto, a Lusa anunciou não ter condição de arcar com o salário de vários atletas. Dessa maneira, o zagueiro foi dispensado. Em 28/12/2015, com 35 anos, Bolívar anunciou sua aposentadoria.

Em 2015, Bolívar defendeu seu último clube como jogador (Reprodução / Getty Images )

NA BEIRA DO GRAMADO

Em 2018, Bolívar começou sua trajetória como treinador. Seu primeiro desafio foi no União Rondonópolis (MT). Posteriormente, comandou o Barra, de Santa Catarina. No fim do ano, foi anunciado como novo técnico do Novo Hamburgo (RS). Na primeira fase do Campeonato Gaúcho, o clube se classificou para a fase final, ocupando a 7ª posição. Nas quartas de final, o Anilado enfrentou o Internacional, onde acabou sendo eliminado. Ao fim da competição, o técnico foi anunciado no Cianorte (PR), sendo responsável por comandar o time na Série D do Brasileiro. Após ser eliminado para o Caxias, rapidamente, Bolívar já tinha um novo clube.

De setembro a dezembro de 2019, o treinador esteve no Brasil de Pelotas (RS). Na Série B, o clube finalizou a temporada ocupando a 14ª posição. Atualmente, Bolívar comanda o Vila Nova, de Goiânia. A equipe ocupa a 1ª colocação do Grupo A da Série C, somando quatro pontos.

Fabian trilha um novo caminho como treinador, deixando uma história vitoriosa como atleta. Ídolo colorado, general, xerife da zaga, multicampeão. Parabéns, Bolívar!

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Bolívar no comando do Vila Nova (Reprodução / O Popular)

Foto destaque: Reprodução/Getty Images

Kamilla Kopsell
Kamilla Kopsell
Gaúcha que entrou no jornalismo pelo gosto à comunicação e ao esporte. Seja por transmissão, crônica ou notícia, falar do futebol sempre foi fácil. Afinal, o amor por ele sempre esteve presente.

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