Um time show de bola: futebol de pagar ingresso

- Filme discute o culto ao craque e a paixão que o esporte desperta nas pessoas
Um time show de bola conta a história de um time de futebol de totó (Foto: Divulgação / Universal Pictures)

Se a Argentina tem o melhor jogador da atualidade, um Papa e um Oscar conquistados, o Brasil tem o melhor futebol. Na semana da criança, nada melhor do que unir a inocência, a nostalgia da infância e a paixão pelo esporte. Logo, todos presentes na animação Um time show de bola, do cultuado Juan José Campanella. Talvez, o principal diretor portenho da última década, ele retrata não o futebol em si, mas o motor de impulsão que move multidões. Dessa forma, disponível no streaming Paramount+ e no YouTube, a obra é a pedida da coluna Futflix.

Em Um time show de bola, somos apresentados a Amadeo, que desde menino é aficcionado por totó – ou pebolim, em alguns estados. Com o brinquedo, o garoto constrói seus próprios jogadores e ensaia jogadas. No entanto, um dia, ele é desafiado por Ezequiel, uma arrogante criança que se gaba de ser um exímio jogador de futebol, mas que perde no totó. Anos depois, ele retorna rico para se vingar do menino. Agora, Amadeo aceita o desafio de ganhar uma partida real de futebol para salvar a cidade da transformação em um parque temático. Nessa jornada, os bonecos de ferro ganham vida e ajudam o amigo de longas datas.

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Consagrado por obras como O filho da noiva e Clube da Lua, e vencedor do Oscar por O segredo dos seus olhos, o diretor Juan José Campanella estreia nas animações com este filme. No entanto, a nota curiosa se encontra no fato do autor não ser fã do esporte, nem tampouco torcer por nenhum clube, apesar da Argentina ter um futebol apaixonante. Isso porque, a proposta dele na obra é explorar a paixão que o futebol desperta nas pessoas, mesmo que a ele não comova. Assim, se reveste de ironia notar, em cada tomada, a delicadeza como o esporte é tratado por alguém indiferente a ele.

Assim, lançado em 2013 pela Universal Pictures, não somente a paixão pelo futebol, o filme fala de paixões, desde a do Amadeo por Laura, do menino por seu brinquedo, do pai pelo filho e, claro, das emoções do torcer. Logo de início, Campanella faz uma referência a um dos clássicos filmes de Stanley Kubrick, 2001 – Uma odisseia no espaço, em uma sequência evolutiva mágica de futebol.

A PAIXÃO PELO FUTEBOL QUE GANHA VIDA

Em seguida, com uma qualidade técnica que se equipara aos melhores produtos da Pixar, Um time show de bola discute o culto ao craque, personificado em Ezequiel, egocêntrico e narcisista. Por outro lado, defende com paixão o trabalho em equipe mesmo, e talvez principalmente, quando esta equipe não aparenta ter a qualidade sonhada. No entanto, peca em não desenvolver bem o arco de seus personagens humanos, que ficam reféns de clichés do gênero.

Isso porque, o melhor do filme está em seus personagens “de ferro” que ganham vida durante a narrativa para ajudar Amadeo em sua jornada. Logo, eles, sim, possuem personalidade, história e arcos evolutivos, sendo, no fim das contas, os protagonistas da obra. Com a dublagem nacional, os bonecos fazem referências a jogadores brasileiros como Romário e Bebeto. Além disso, são deles os melhores insights de humor que deixam o filme ainda mais divertido.

No entanto, Um time show de bola não fica alheio a furos de roteiro. Logo, como, por exemplo, o fato de alguém bem sucedido retornar a sua cidade natal apenas para se vingar por ter perdido uma partida de totó. Além disso, o primeiro boneco de ferro ganha vida através de uma lágrima do Amadeo, mas não mostra como os demais a conquistaram, mesmo distantes do garoto.

UMA PARTIDA DE PAGAR INGRESSO

Todavia, tudo acaba compensado, talvez, pelo grande barato do filme: a tomada final no campo de futebol. Assim, mesmo sem ser um apaixonado pelo esporte, Campanella grava a sequência com primazia e amor a cada ação dos personagens. Logo, é visível a emoção vinda das arquibancadas e a dualidade entre um time de individualistas mercenários e outro que apenas nutre a paixão e a vontade de se superar. Além disso, a obra faz uma crítica inteligente aos empresários de futebol.

Buscando se associar a filmes que exploram pequenos personagens, a obra transita por um cinema à la Toy Story, que conquista pela emoção. Além disso, Um time show de bola nos apercebe como um produto atemporal que carrega sua dose de nostalgia atrelada a uma memória afetiva do futebol. Uma película emotiva, divertida e reflexiva para filhos, mas, ainda mais, para os pais que foram crianças e nunca devem abandonar sua infância.

Foto Destaque: Divulgação / Universal Pictures

Ricardo do Amaral

Sobre Ricardo do Amaral

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"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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