Torcedoras: A paixão das mulheres pelos 20 maiores clubes do Brasil – Edição Rio de Janeiro

Mulheres ganham cada vez mais espaço entre as torcidas no Brasil. Futebol é cada vez mais “delas”.

Acompanhar seu time do coração no estádio e no meio da torcida pode parecer algo natural e comum no universo masculino. No entanto o cenário é diferente quando se é uma torcedora. As arenas de futebol costumam ser um ambiente hostil para as mulheres que frequentam, muito por conta dos xingamentos e até situações constrangedoras. Contudo, elas estão ganhando cada vez mais espaço num lugar antes dominado pelos homens, já é habitual encontra-las nas arquibancadas e muitas vezes dentro das quatro linhas exercendo funções nas equipes de arbitragem.

Nesta sessão semanal conheceremos 20 torcedoras dos clubes que disputam a séria A do Campeonato Brasileiro de 2017, afinal, amor pela camisa também é coisa de mulher. Hoje, traremos histórias de cariocas apaixonadas pelos seus times.

Jennifer Krause – Fluminense

Ver seu time do coração no estádio no dia do aniversário é algo muito especial, Jennifer conhece o sentimento. “Foi um grande presente acompanhar o jogo de pertinho, ver ídolos como o Fred é sensacional”.

Filha de pai tricolor, a torcedora conheceu o Flu ainda criança. “Fui meio influenciada por ele, mas depois gostei por si só e hoje sou completamente apaixonada pelo Fluminense”.

Fã de Thiago Silva, Jennifer conta que 2009 foi o ano com mais jogos marcantes. “Aquela vitória heroica em cima do São Paulo na Libertadores e logo depois a partida sofrida contra a LDU”, a torcedora lembra de outro jogo da mesma temporada. “A última rodada do Brasileirão, aquela campanha heroica, jogo contra o Coxa, que também lutava contra o rebaixamento. O Coritiba saindo na frente, o Flu conseguindo o gol com o Marquinhos, um alívio por ter permanecido na série A”, completou.

Ao analisar o momento atual do tricolor das Laranjeiras, ela admite que mesmo com limitações, é possível alçar vôos mais altos. “Nosso elenco é limitado e mesmo assim estamos lutando por G-6, estamos na Sulamericana e na Primeira Liga, fomos campeões da Guanabara. Eu quero sempre mais, mas não dá para reclamar muito, estamos em fase de crescimento”.

Sobre o aumento das torcidas femininas, Jennifer é favorável. “É cada vez mais lindo ver famílias nos estádios, ver o número de mulheres crescendo no ramo do futebol, não só para acompanhar o pai, o marido ou o amigo; mas porque gostam”.

Raphaela Borba – Botafogo

Se você está lendo este texto e torce por outro time que não seja o Botafogo nunca converse com a Raphaela, ela pode te converter. “No último jogo Botafogo e Flamengo levei minha prima flamenguistaao estádio, que estou convertendo”, ela ainda conta que não é a primeira vez. “Já converti uma amiga também”, completou.

Apesar da eliminação recente na semifinal da Copa do Brasil para o Flamengo, Raphaela exalta a boa fase da Estrela Solitária. “Muito importante pra gente, cada jogo é um tiro no coração do torcedor, porque o Botafogo é de fases. O Jair está fazendo muito por nós, essa nova fase só está dando orgulho, pela vaga na Libertadores e tudo que vem acontecendo”.

O Botafogo recebe o Grêmio pela ida das quartas de final da Libertadores no dia 13 de setembro, Raphaela é otimista sobre o torneio. “Mais do que merecido, porque somos criticados e desmerecidos por não ter”.

A torcedora também faz coro pelo aumento de famílias nas arquibancadas. “Acredito que a presença das mulheres no estádio ameniza a tensão e normalmente são acompanhadas de crianças, tornando assim as torcidas mais familiares e o espetáculo muito mais seguro.”

Carolina Asevedo – Flamengo

Um dos maiores vexames da história recente do Rubro Negro carioca foi responsável por cativar uma torcedora fanática. “Eu estava no Maracanã naquele 3 a 0 para o América do México e o que mais me impressionou naquilo tudo foi a torcida. A mais linda, mais apaixonada, mais intensa que eu conheço. Todos nós acreditávamos, mas o Flamengo não correspondeu em campo, mesmo assim ninguém deixou de amar e torcer”.

A eliminação da Copa Libertadores de 2008, em casa, foi determinante para Carolina. “Eu chorava, não acreditava no que tinha acontecido. Aquela eliminação foi crucial para eu voltar ao estádio e torcer três vezes mais que ante, a partir disso foi surgindo esse amor duradouro”.

A torcedora conta com orgulho a sensação de ver o Rubro Negro das arquibancadas do Maracanã. “É algo surreal, espetacular. Quando Flamengo ganha, a felicidade é geral; quando perde, causa união. Porquesabemos que o Flamengo vai retribuir de alguma maneira!”

Carolina também exalta a chegada do técnico Reinaldo Rueda, segunda ela a perspectiva é boa para o futuro. “Três jogos a frente do Flamengo e nenhum gol tomado, isso já é um grande passo. Acho apenasque ele precisa arrumar um pouco mais na frente. Ele chegou agora, ainda não conhece jogadores e suas características, mas acredito no trabalho dele. Teremos muitas alegrias”.

Para ela, as mulheres estão quebrando a barreira nos estádios de futebol, ambiente dominado pela maioria masculina. “Resume-se que futebol não é feito só para homens. É feito para amar e apreciar. Sendohomem ou mulher, o importante é não deixar de demonstrar a paixão pelo time. Ainda que a presença feminina seja maior hoje do que antigamente, vejo que muitas enfrentaram o tal preconceito no qual dizem que futebol e mulher não combinam. Temos provado que isso não condiz, estamos comparecendo. E que isso seja só o início para uma crescente”.

Aline Heiderich – Vasco

Sair do interior de Minas Gerais e se mudar para o Rio de Janeiro para ficar perto do seu time do coração; parece loucura né? Para a Aline não. “Há 6 anos me mudei para o Rio, para ficar perto do meu amor maior. A primeira vez que entrei em São Januário foi no primeiro jogo da final da Copa do Brasil 2011, chorei de emoção. Na verdade, choro até hoje quando piso lá”.

Mas a história de amor com o Gigante da Colina começou muito antes e de uma forma muito especial para a torcedora. “Mamãe morava no Rio e frequentava São Januário. Apesar de ser mineira, ela se encantou pelo Vasco na época do Dinamite, morando no Rio, e se apaixonou pelo clube. Eu nasci no RJ, mas fui ainda bebê morar em Minas com ela. O fanatismo não diminuiu, mesmo morando no interior de MG, nós víamos todos os jogos, era um elo nosso. Não tenho irmãos e nem contato com meu pai”.

O amor pela mãe e o Vasco da Gama se uniram de vez na adolescência de Aline. “Aos 16 anos eu perdi minha mãe repentinamente de câncer. Fiquei mais fanática ainda, fiz uma tatuagem da cruz de malta emhomenagem a ela”.

As histórias de mãe, filha e Vasco se encontrariam novamente em 2016, na final do campeonato carioca. “A final era oito de maio, meu aniversário e Dia das mães. O empate era nosso, eu olhei pro céu e pedi a Deus um gol de presente. Aquele título tinha que sair naquele dia, quando o Vaz fez o nosso gol de empate eu chorei igual um bebê”, conta emocionada.

Aline promete levar a paixão pelo Vasco para as próximas gerações. “Meu ídolo é o Ademir Menezes, o famoso ‘Queixada’. Li tudo quando é livro dele e documentários, infelizmente ele já morreu, não deixou filhos, procuro incansavelmente pela viúva. Eu sou tão apaixonada por Ademir Menezes que meu primeiro filho vai se chamar Ademir”.

O namorado vascaíno, também de sobrenome Menezes, já foi informado. “Ele aceitou, a contragosto, o futuro Ademir que virá”, disse aos risos.

Para a torcedora fanática, o estádio é a segunda casa das famílias. “São Januário é um lugar super família, sempre cheio de crianças. É lugar para homem, mulher, idosos e nossa torcida mirim. Palavra de quem não sai de lá”.

Arnaldo Santos
Arnaldo Santos, 25 anos, estudante do último semestre de Jornalismo na Universidade de Ribeirão Preto. Apaixonado por futebol, começou a acompanhar as ligas internacionais em 2005. Escreve desde 2013 para sites de blogs esportivos. Pesquisador de estatísticas, tenta traduzir o futebol em números. Defende que não se deve comparar Pelé, Maradona e Messi, visto que jogaram em épocas diferentes. Fã assumido do 4-2- 3-1.
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