Top 5 Ídolos do futebol: Guarani

Nesta edição, a coluna Nostalgia Brasileira lista os cinco maiores ídolos da história do Guarani Futebol Clube, de Campinas, interior de São Paulo. Além de ter prestígio no Estado, o Bugre leva a bandeira de “o único campeão do interior”, logo, existe muitos nomes de peso por trás desta jornada. Então, a intenção desta coluna é escolher, entre tantos craques, os cinco que tiveram maior peso na história do clube.

5 – ZENON

Zenon de Souza Farias jogou pelo Guarani de 1976 a 1980 e, posteriormente, em 1989. Foi o camisa 10 na campanha do título brasileiro de 78, marcando 13 gols, mesmo número de Careca. Além disso, o ídolo marcou o gol da vitória no jogo de ida da final contra o Palmeiras, de pênalti.

Entre os bons números de Zenon, estão as 46 vitórias em 97 jogos pelo clube. Na primeira vez em que deixou o Guarani, em 1980, saiu para o Al-Ahli, da Árabia Saudita, algo que era menos comum do que é hoje. Em entrevista ao portal da FPF, o meia comentou a decisão da saída:

Foi puramente financeira. Por ambiente, eu permaneceria no Guarani. Estava muito bem. Não queria sair, mas uma questão de negociação do clube. Para o próprio clube, foi interessante a negociação com a Arábia. O que eu ganhei lá era três vezes mais que eu ganhava aqui. Fui mais para ser um espelho para os atletas do que me beneficiar ou aperfeiçoar de termos técnicos e técnicas.”

4 – RENATO “PÉ MURCHO” 

Também conhecido como Renato Morungaba, por conta da cidade do interior de São Paulo, onde nasceu em 1957. Jogou pelo Bugre de 1975 a 1979 e entrou no clube por meio do então técnico da base Adailton Ladeira. Participou do esquadrão campeão nacional que Carlos Alberto Silva comandou. Além disso, jogou todos as partidas da campanha e contribuiu com 10 gols.

O dono da 5ª colocação, Zenon, é firme ao elogiar o ex-companheiro de equipe, alegando que Renato foi um dos melhores jogadores do mundo em sua época. Além das passagens quase ao mesmo tempo no Guarani, Zenon e Pé Murcho dividiram o meio de campo também no Atlético-MG. Ademais, existe uma divergência sobre os números do atacante. Logo, a estimativa é de mais de 70 gols e 44 vitórias em 90 jogos. Por fim, sobre o apelido, o craque contou a história ao portal R7:

“Pensava que tinham sido o Sócrates e o Júnior, durante um coletivo na Copa. Chutei mal uma bola e brincaram. Mas não foram eles que inventaram. Em um evento recente, o Juninho (ex-zagueiro) me contou que foi ele quem inventou antes o apelido e espalhou naquele Mundial. Respondi, brincando, que ele aprontou essa comigo porque era meu rival na Ponte e perdia sempre para o Guarani e, depois, no Corinthians.”

3 –  FUMAGALLI

Talvez este item surpreenda muitos, mas a história e os números não mentem. José Fernando Fumagalli é o maior jogador do Bugre neste século, com números expressivos mesmo pegando uma fase mais complicada da equipe. Assim, Fumagol é o atleta com mais partidas e mais vitórias na história do Guarani (lembrando que o fato de ser mais recente ajuda na apuração dos dados), com 307 partidas nos períodos de 2001 a 2002 e, posteriormente, de 2011 a 2018. 

Nos últimos anos, o Guarani voltou a aparecer nos principais torneios do país. Assim, em 2018, venceu o Paulistão Série A2 (o único título do Bugre neste século) e voltou à primeira divisão do torneio estadual. Fumagalli foi um dos responsáveis por essa conquista e também pelo retorno à Série B em 2017. Contra a equipe rival, o camisa 10 jogou cinco vezes e marcou três gols, tendo duas vitórias, dois empates e uma derrota contra a Ponte. Em conclusão, atualmente, o batedor de faltas trabalha como empresário.

2 – ZUZA

Seguindo a lista, Luiz Stevan de Siqueira Neto (1911-1977) é o dono da 2ª posição, sendo um dos primeiros craques a vestir a camisa do Guarani, jogando de 1941 a 1948. Em 1944, venceu o Paulista Amador. Além disso, o atacante é o maior artilheiro da história bugrina, com 221 gols.

Mas as qualidades não acabam por aí. Zuza também é quem fez mais gols no clássico Guarani x Ponte Preta, com 18 gols. Ainda, o artilheiro conhecido como “Demônio Loiro” conquistou mais um feito relevante: o Prêmio Belfort Duarte, entregue aos atletas que ficaram 10 anos sem serem expulsos, jogando mais de 200 jogos neste recorte.

1 – CARECA: O MAIOR ÍDOLO DA HISTÓRIA DO GUARANI

SUA TRAJETORIA NO GUARANI

É difícil para qualquer um, torcedor ou jornalista, escolher um ídolo de um clube tão simbólico no interior paulista como o Guarani. Entretanto, analisando a trajetória de todos, Careca merece levar o nome de maior ídolo da história do Bugre.

Primeiramente, o número de gols é algo notável, já que aparece em 3º na lista de artilheiros da história do Guarani, com 117 gols em 253 jogos, segundo pesquisa feita por Celso Franco de Oliveira Filho. Quando se fala em dérbi, Antônio de Oliveira Filho também se destaca, foram quatro gols em três duelos contra a Ponte Preta, em 1978 e 1986. Em entrevista ao Terceiro Tempo, o craque falou sobre a sua chegada ao clube campineiro:

O Guarani foi a minha segunda mãe, fui acolhido no ‘quartão', como a gente chamava, com 25 beliches de cada lado e eu tive a estrutura que é importante para você dar sequência na carreira.”

Aliás, Careca com apenas 17 anos fez parte de um dos elencos mais consagrados do Alviverde Campineiro, campeão brasileiro de 1978, marcando o gol do 1 x 0 no segundo jogo. Já aos 20 anos, foi peça-chave do elenco campeão da Taça de Prata de 1981, correspondente à atual Série B.

Entre 78 e 81, o ídolo presenciou um período de transição do Bugre após o título brasileiro, pois, nesta época, iniciaram-se as obras do Tobogã do Brinco de Ouro e, para arcar com o investimento, o clube teve que vender alguns jogadores, como Renato e Zenon, além da saída do técnico Carlos Alberto Silva. Assim, mesmo ficando de fora do último jogo da final contra a Anapolina, sensação e surpresa do torneio, por ter que cumprir suspensão, contribuiu e muito para a campanha marcando dois gols no 4 x 2 na partida de ida da finalíssima.

Careca também fez uma dupla de fama com Diego Armando Maradona, por um Napoli campeão entre 1989 e 1990. Ainda, já depois de aposentado, o craque chegou a ser comentarista da RedeTV!, ao lado de Silvio LuizPor fim, entre tantas glórias, o atacante escolheu a de 78 como a maior de sua carreira, em entrevista ao Globoesporte:

“Por ser garoto, pelo time, pelas dificuldades, sem dúvida, foi o título mais importante da minha carreira. Jogamos de igual para igual contra Palmeiras, Vasco e Internacional. Pela nossa regularidade, o troféu tinha de vir para nós. Sempre que me perguntam da importância dos títulos, com São Paulo sendo campeão brasileiro e bi do Paulista, e Napoli, com Campeonato Italiano, Copa da UEFA e Supercopa da Itália, eu falo que 78 é o mais marcante para mim.”

Foto Destaque: Reprodução/Rodolpho Machado

Lucas Henrique Santos Noronha
Escolhi o jornalismo pelo enorme gosto por esportes e por sempre assistir programas esportivos em geral, além de um costume meu de criticar grandes problemas do nosso mundo atual. Eu estou no 1o semestre do curso, minha experiência com textos foi uma página que criei uma vez (sobre futebol) mas que por força de obrigações e por ser só eu cuidando não foi pra frente. Meu objetivo é crescer na área do Jornalismo ( a maior ambição é o esportivo) e acredito que a partir de agora, consegui um grande empurrão pra ganhar experiência na área (aliás trabalhar em sites assim sempre foi um objetivo meu). Sou uma pessoa extremamente paciente, acho que minha principal virtude.