Welder

Natural de Porto Alegre/RS, Welder de Jesus Costa nasceu no dia 26 de dezembro de 1994. Segundo o jogador, trata-se uma pessoa extremamente caseira e que adora curtir sua família e amigos. Com apenas 25 anos, o atacante protagonizou temporadas e partidas históricas pelos times que passou. Atualmente, atua pelo Guarany de Bagé, que disputa a Divisão de Acesso do Campeonato Gaúcho. Ele conta um pouco sobre sua bela história, de maneira exclusiva, para o Futebol na Veia.

HISTÓRIA COM O FUTEBOL

Antes de mais nada, pensa-se que todo jogador de futebol profissional realizou um sonho de criança. Ao contrário disso, Welder nunca teve um apego muito grande pelo esporte até um o falecimento do pai, na sua infância.

“Eu nunca tive um sonho de ser jogador. Quando era menor, brincava de jogar bola. Essa vontade só surgiu nos meus 12 anos, em 2007. Lembro disso porque eu perdi meu pai, na metade de 2006. Ele era um amante do futebol, como bom brasileiro, mas nunca teve a chance de se tornar jogador. Quando ele estava vivo, nunca me interessei pelo futebol. Também nunca fui um bom jogador, sei porque no tempo de escola era um dos últimos a ser escolhido. Depois que ele faleceu, essa vontade floresceu dentro de mim. Procurei uma escolinha e comecei a disputar campeonatos regionais. Foi assim que tudo começou.” 

Depois de surgir esse interesse, Welder disse que sua mãe teve papel fundamental no seu sucesso. Além de acompanhar a trajetória, ela possibilitou condições para a busca do tão sonhado objetivo dele e do pai: ser jogador de futebol. Hoje, como profissional do esporte, afirma que “seu mundo gira em torno de uma bola”. Relata que quando está em casa, adora assistir futebol e jogar no videogame, com o filho. Aliás, deseja que a brincadeira possa virar também profissão para o menino no futuro.

THE JOKER

Versátil, Welder começou a carreira como jogador de referência. Atualmente, relatou jogar em todas as posições do ataque, seja como ponta, segundo atacante e até como meia.

“Hoje eu acabo sendo um cara bem versátil, o famoso coringa. Sou um jogador de velocidade, força e uma boa bola área. Não posso dizer exatamente como eu jogo e como me sinto melhor, porque com o tempo a gente vai adquirindo novas posições. Acaba sendo uma vantagem, porque muitos treinadores gostam disso. Acaba facilitando um pouco a vida, qualquer posição do meio-campo para frente eu faço tranquilamente.”

Ainda sobre sua posição, o atleta relevou que já jogou até como lateral direito, em uma partida válida pelo Campeonato Gaúcho 2017, quando seu time ficou com um a menos. Sem poder fazer substituições, o treinador optou por utilizar Welder na defesa. Mesmo que não seja sua posição de origem, o jogador disse que já havia treinado a situação e que se surpreendeu com seu rendimento. Embora tenha sido explorado pelo adversário, o atacante se saiu bem durante todo o segundo tempo e ajudou sua equipe a sair com a vitória, superando a situação adversa.

CARREIRA DE WELDER

O atacante começou como profissional no Cruzeiro-RS, em 2013. De lá para cá, foram 12 clubes no currículo. Entre eles, algumas passagens pelo interior gaúcho e catarinense. Além disso, jogou pelo Sampaio Correia em 2019, onde ajudou a equipe maranhense a atingir o acesso para a Série B do Campeonato Brasileiro. Logo depois, transferiu-se para o Flamurtari, da Albânia. Ainda falando sobre conquistas, teve uma importante participação na conquista da Copa Wianey Carlet, torneio organizado pela FGF, Federação Gaúcha de Futebol, em 2018, com a camisa do Avenida. Ao todo, soma 92 jogos e 14 gols, segundo dados do portal oGol.

PASSAGEM PELA ALBÂNIA

Após conquistar o acesso com o Sampaio Correa, o atleta recebeu uma proposta para atuar no futebol europeu. O Flamurtari, que disputa a primeira divisão do Campeonato Albanês, era a oportunidade do jogador migrar para o futebol mais famoso do mundo. Porém, sua história no clube foi bem curta. Isso porque a direção da equipe descumpriu alguns acordos atribuídos na negociação com o jogador. Por isso, ele acabou entrando com o pedido de rescisão contratual.

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Embora tenha feito apenas 2 partidas com a camisa do time albanês, Welder conta como foi sua impressão do esporte no contexto do país europeu.

“Notei muitas coisas diferentes do futebol brasileiro. Começando pela estrutura. A estrutura do Flamurtari era de time grande. Estádio impecável, não tem o que falar. Ônibus da equipe, eu nunca tive visto um ônibus daquele jeito. A estrutura é muito melhor. Quanto ao futebol, ele não é muito competitivo. O nível é bem baixo comparado ao do futebol brasileiro. A dificuldade que eu tive de entender o estilo de jogo deles é que todos correm atrás da bola. Eles acham que é o certo do futebol. Não sabem guardar posição, ajeitar o time para marcar em linhas. Eles não tem essas coisas.” 

PÉS NO CHÃO

Quando perguntado sobre seu maior sonho dentro do mundo da bola, disparou:

“Não posso me limitar à alguma coisa. Eu quero o que Deus tiver guardado pra mim. Eu busco todo dia dar o meu melhor. Espero chegar o mais longe possível, mas o objetivo maior é conseguir dar uma condição boa pra minha mãe e meus filhos. Como profissional, não vou ser clichê. Ser melhor do mundo, jogar uma Champions League, eu não penso nisso. Eu penso em chegar o mais longe. Se for da vontade de Deus alcançar esses momentos, disputar uma partida pela minha seleção, eu vou ficar muito feliz.”

AVENIDA-RS NA CARREIRA DE WELDER

O Avenida-RS foi quem o jogador mais vez defendeu como profissional. Com aproximadamente 2 anos no clube, são 38 jogos e 5 gols marcados. Enquanto estava em sua primeira temporada, em 2018, participou da melhor campanha do clube na história do Gauchão, sendo eliminado na semifinal, para o Grêmio. Como resultado, acabou classificando a equipe para a Copa do Brasil e o Brasileirão Série D. O jogador cravou que sua passagem em Santa Cruz do Sul é a mais especial em sua carreira. Devido ao carinho que recebeu da torcida e das pessoas envolvidas no clube, afirmou: “foi onde me senti em casa”.

CONFRONTO CONTRA O CORINTHIANS NA COPA DO BRASIL 2019

Definitivamente, o confronto entre as duas equipes pela segunda fase da Copa do Brasil foi um dos mais surpreendentes da temporada de 2019. A príncipio, o Corinthians era franco favorito, em casa, contra o desconhecido Avenida-RS. Porém, o começo alucinante a favor dos visitantes, fez a situação ficar difícil para o Timão em Itaquera. No fim, o Nida acabou perdendo por 4 x 2. Welder conta um pouco sobre a experiência de jogar contra um dos times mais poderosos do Brasil.

“Vai ficar pra sempre na minha memória. Até hoje olho as fotos e me dá vontade de reviver os dias em São Paulo. A gente não foi para ficar admirando os jogadores do Corinthians. O início foi melhor do que a gente imaginava. É uma das partidas mais marcantes da minha carreira. E muitos tiveram a oportunidade de nos conhecer, nos deu visibilidade.”

De fato, o Avenida-RS deu trabalho para a equipe paulista naquela oportunidade, mesmo que não tenha conseguido suportar a pressão. Contudo, o atacante opina sobre quais foram as razões que fizeram o placar não ser diferente na Arena Corinthians.

“No final do jogo, perdemos perna. Não resistimos a pressão. Chegou uma hora que as pernas não respondiam mais. Mas acredito que faltou malandragem da nossa parte, cavar faltas, catimbar mais. Por ter feito uma boa partida, jogado de igual pra igual, acreditamos que podíamos fazer isso o tempo todo. Porém, muitas vezes a camisa pesa, o gol de empate foi uma infelicidade. Se não desviasse no zagueiro, o goleiro estava inteiro na bola.”

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E DEPOIS DA PANDEMIA?

A favor da paralisação do futebol, o jogador afirma que o importante nesse momento é a saúde de todos os envolvidos no espetáculo, sejam eles jogadores, organização ou torcedores. Porém, discorda de uma situação que é consequente da paralisação. Abre aspas para Welder.

Eu não sou de acordo com a situação salarial. Concordo que todos vão acabar perdendo um pouco. Os clubes não vão ter a mesma receita, mas tem clubes que estão se aproveitando da pandemia para não pagar jogadores. É a nossa única fonte de renda, é o nosso trabalho. Os jogadores com contrato não estão recebendo amparo. É triste ver as mesmas instituições fazendo isso, algo que já existia antes da pandemia e agora está sendo justificado pela pandemia.”

Foto destaque: Divulgação/Acervo pessoal

Paulo Sérgio Nunes
Carrego comigo a paixão pelo futebol passada pelo meu avô. Tenho 20 anos, curso Ciências da Comunicação na Universidade do Porto, em Portugal, e sou apaixonado pelo Jornalismo Esportivo desde criança. Amante de todos os tipos de futebol, seja ele em torneios amadores ou na Copa do Mundo. Acredito que a magia do esporte está na paixão de quem o joga. Admirador da causa do futebol feminino no Brasil e no mundo. Contato no Instagram: @paulosnns

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