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Em 1905, um estudante regresso de Cambridge, na Inglaterra, chegou ao Recife e fundou o primeiro clube voltado a esportes terrestres de Pernambuco. Em seu estatuto, a icônica frase: “O Sport será um autêntico campeão, pois nasceu sob o signo da valentia e dele jamais se apartará“. Assim, 115 anos depois, tais palavras ecoam com ainda mais força nas paredes da Ilha do Retiro. Nesta quarta-feira (13), a coluna Parabéns ao Craque abre espaço para homenagear um dos maiores clubes do Brasil: o Sport Club do Recife.

Logo, uma história permeada por conquistas, suor, sangue e lágrimas. Em sua trajetória, já foram mais de 50 títulos com o elenco profissional e algumas centenas com as categorias de base e esportes olímpicos. Mais do que futebol, um clube esportivo. O Leão do Norte. Leão da Ilha. Rubro-Negro pernambucano. O glorioso Sport. Atualmente, enfrentando a maior crise financeira de sua época, precisa ainda mais da valentia de outrora para superar esse momento. E vai passar. Tudo passa e o clube fica.

TREZE DE MAIO, MIL NOVECENTOS E CINCO…

Pois, foi pelas mãos de um engenheiro pernambucano, estudante na Inglaterra, que tudo começou. Após contato com o esporte bretão, em um dia como este, Guilherme de Aquino Fonseca retornou ao Recife e, movido pela paixão, reuniu outros 67 ardentes seguidores e fundou o Sport Club do Recife. Iniciava-se, assim também, o futebol pernambucano.

Mas, para um clube despontar nacionalmente, primeiro tem que ser rei em seu estado. E assim foi. Logo de cara, ganhou vários títulos estaduais, os primeiros dos 42 já vivenciados, sempre ostentando a hegemonia na região. Além disso, fez história sob os pés do mítico Ademir Menezes. Assim, tricampeão pernambucano, o artilheiro da Copa do Mundo de 1950, Queixada é, até hoje, tido como o maior jogador do Leão da Ilha. Nesse meio tempo, sucessões de pentacampeonatos locais tornaram-no o maior vencedor de Pernambuco, tendo boa vantagem sobre os rivais Santa Cruz e Náutico.

São gerações e corações fazendo história…

Uma história escrita por homens visionários, ex-presidentes e ex-diretores, ou mesmo anônimos, trabalharam para desenvolver e tornar o clube um dos grandes da cena esportiva brasileira. Assim, de forma paulatina e cada um contribuindo a sua maneira, em 1937, o Sport inaugurava o Estádio Adelmar da Costa Carvalho. Enquanto que, 70 anos depois, veio a modernização com a aquisição do Centro de Treinamento José de Andrade Médicis, em Paratibe, na cidade do Paulista. Atualmente, o Leão tem uma das mais modernas estruturas do país, que revela, anualmente, bons jogadores para o futebol.

PELO SPORT, TUDO!

Um dos grandes orgulhos dos Rubro-Negros são seus símbolos. Logo, o lema, que é gritado a plenos pulmões pelos torcedores, é lembrado no estatuto, “Pelo Sport, Tudo“, e tem sua origem na campanha de construção da Ilha do Retiro. Dessa forma, foi a partir destas três palavras que surgiu o famoso grito de guerra que estremece as arquibancadas e bota medo nos adversários. No entanto, é difícil precisar quando o cântico passou a ser entoado, mas uma coisa é certa: foi através do frevo-canção de Nelson Ferreira, “Moreninha“, que o Cazá Cazá ganhou status de hino não-oficial do Sport.

SÃO CAMPEÕES E EMOÇÕES TECENDO A GLÓRIA

No entanto, um clube não se sustenta sem grandes títulos. E o Sport pode se orgulhar de ter conquistado o Nordeste por três ocasiões, em 1994, liderados por Chiquinho, em 2000, através dos gols de Leonardo, e em 2014, com o “frescando” de Neto Baiano. Além disso, é um dos dois clubes nordestinos a gravar no escudo conquistas nacionais de elite. Três estrelas: duas douradas e uma cinza. Dentro delas, lembranças de jornadas épicas e conquistas com a raça inerente aos bravos jogadores e torcedores que já vestiram o manto preto e encarnado.

Sport, 1987: no campo, na justiça e de cabeça

Assim, em 1987, o Sport foi campeão do Campeonato Brasileiro, na celeuma dos módulos amarelo e verde, competição que até hoje é revindicada pelo Flamengo. Assim, a polêmica que atravessa gerações ainda se faz presente mesmo após anos e sucessivas decisões favoráveis aos pernambucanos. Logo, um título que veio no campo, na final contra o Guarani, e que teve um segundo vice-campeão nos tribunais.

Dessa forma, a conquista representou um símbolo de uma luta perene por mais valorização do futebol nordestino. No campo, uma geração de ouro do Sport comandada por Emerson Leão e Jair Picerni que tinha Marco Antônio, Robertinho, Flávio, Roberto Coração de Leão, Neco, Betão, Rogério e Ribamar. Ídolos imortalizados pela primeira estrela dourada, até hoje comemorada.

Sport, 2008: esse é o gol do título!

Já em 2008, em uma grande campanha, superando a cada fase supostos favoritos ao título, o Sport se consagrou campeão da Copa do Brasil diante do Corinthians em uma Ilha do Retiro apilhada de torcedores. Palmeiras de Valdívia, Internacional de Fernandão, Vasco de Edmundo e Corinthians de Mano Menezes. Um a um foram caindo diante da força da Ilha do Retiro que devolvia o placar no jogo da volta. Na final, após está perdendo de 3 x 0 no Pacaembu, Carlinhos Bala profetiza “esse é o gol do título” em referência ao tento de honra de Enílton nos minutos finais da partida. Em Recife, um 2 x 0 que fez Pernambuco pulsar com a reconquista do Brasil.

Assim, na bola, a geração 2008 se formou com Magrão, Durval, Dutra, Daniel Paulista, Sandro Goiano, Carlinhos Bala e Romerito. Já no comando aquele que é tido como o maior treinador da história: Nelsinho Baptista. Nomes sempre gravados nas lembranças, tatuados na pele e consagrados nas páginas gloriosas do Leão da Ilha.

Contudo, nem só de grandes títulos se fazem ídolos. Pois, é necessária muita garra, dedicação e coragem para vestir o manto do Leão. Fumagalli, Diego Souza, Marcelinho Paraíba, Marcos Aurélio, Neto Baiano, Juninho Pernambucano, Dadá Maravilha e Cléber Santana. Alguns atletas marcantes quando o assunto é Sport Club do Recife. Logo, jogadores destacados por títulos regionais, campanhas de acesso históricas, por atitudes enaltecedoras ou, simplesmente, por defenderem com bravura o escudo vermelho e preto.

TORCIDA MAIS FIEL NÃO PODE HAVER

Por outro lado, símbolos, títulos e ídolos não existiriam sem uma grande torcida nos grounds. No Sport, são mais de 2,4 milhões de aficionados que lotam a Ilha do Retiro e empurram o Leão para as vitórias. Apesar de sofrerem com os rebaixamentos, das mesmas lágrimas se erguem para recolocar o clube no seu lugar de direito. Nesse sentido, um verdadeiro motor à combustão!! “É difícil até falar“, relatou um jogador corintiano em alusão ao som ensurdecedor das arquibancadas. Logo, é tanta paixão que o dia de hoje também foi instituído como o Dia do Torcedor do Sport.

E assim se construiu uma história também marcada por descensos, mas ainda mais alegres com as voltas à elite. Além delas, conquistas nacionais carregam a carga histórica de desbravadores de um Brasil desigual que clama por mais oportunidades e respeito. Um clube icônico. Um leão que não tem medo de rugir frente aos grandes de seu tempo. Para os torcedores, um espaço de união e expressão, um abraço que não tem separação. Uma verdadeira razão para viver. Parabéns, Sport Club do Recife!

Foto destaque: Divulgação/Sport

Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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