Roubo da Taça Jules Rimet na sede da CBF completa 35 anos

Ao se tornar o primeiro tricampeão mundial em 1970, o Brasil conquistou o direito de permanecer em definitivo com a Taça Jules Rimet, batizada em homenagem ao dirigente que presidiu a Fifa entre 1921 a 1954. Porém, o troféu oficial, erguido por Bellini (58), Mauro (62) e Carlos Alberto Torres (70), acabou roubado da sede da CBF em 1983, vindo a nunca mais ser encontrada.

A taça viveu momentos de aventura como o ‘sumiço' nos anos 30, um resgate por um cão em 66 e o roubo, em definitivo, na CBF no início dos anos 80 que acabou virando filme: “O Roubo da Taça”, de 2016.

Esculpida em desenho da deusa grega Nice, representando o triunfo e a glória, a Jules Rimet não recebeu este nome inicialmente. A princípio, foi chamada de “Vitória”, só sendo renomeada em 46. O galardão foi criado para o Mundial do Uruguai, conquistado pelos anfitriões, em 1930. Após a Itália ser bicampeã (34 e 38), ficou no país mediterrâneo provisoriamente até a edição seguinte, como determinava a regra. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1938-45), não houve disputas em 42 e 46. Em 38, Ottorino Barassi, italiano que era vice-presidente da Fifa, retirou às escondidas o objeto de um banco e o acondicionou em caixa de sapatos embaixo de sua cama. Assim, impediu o risco de ser subtraída pelos nazistas, que vinham se apropriando de relíquias e obras de arte nos países que invadiam.

O torneio então, voltou a ser realizado em 1950, no Brasil. A base da taça foi trocada em 1954, pois, precisava de mais espaço para gravar os nomes dos times campeões. Uma nova parte, maior, foi colocada como suporte.

Às vésperas da Copa do Mundo na Inglaterra, em 1966, a Taça sumiu, e pouco antes do início da competição, foi encontrada embrulhada em papeis de jornal. O responsável em encontrar a Jules Rimet naquele ano foi um cão chamado Pickles. Quando passeava com seu dono em um subúrbio de Londres, o animal farejou a taça perto de uma roda de um carro e ficou famoso no mundo todo. A taça então, pôde ser entregue aos britânicos, que venceram a Alemanha na decisão daquele ano.

“Eu rasguei (o pacote) um pouco em baixo e havia um disco simples. Então, rasguei de volta e lá estava escrito Brasil, Alemanha, Uruguai (nomes dos países campeões grifados no troféu)”, afirmou Corbett, dono do animal, para o site da Fifa.

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Em 1970, a superseleção comandada por Zagallo, que tinha, entre outros, Rivellino, Jairzinho, Tostão, Pelé e Gerson, levou o Brasil ao tricampeonato e ficou com a posse definitiva do troféu, comemorado por todos. Mas, em 1983, ele acabou roubado da sede da CBF e nunca mais foi encontrado. A réplica estava em um cofre, enquanto o original, exposto em uma redoma de vidro para exposição na sala de troféus da confederação. A proteção foi quebrada em um assalto promovido por três pessoas – uma delas, Sérgio Peralta, trabalhava na entidade como representante do Atlético-MG. Prevaleceu a versão de que a honraria foi derretida, mas há dúvidas a respeito. Em 2016, Guy Oliver, curador do museu da Fifa, disse em entrevista ao jornal Estado de S.Paulo que a entidade não cria na tese do derretimento e que haveria buscas para resgatá-la mais de três décadas após o roubo. O fato é que o paradeiro da Jules Rimet segue incógnito.

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O então presidente da CBF, Giuliete Coutinho, afirmou que a taça estava segurada em aproximadamente Cr$ 30 milhões (R$ 375 milhões), pois era esse o valor correspondente à parte de ouro (1,8 kg). Segundo ele, a segurança oferecida pelos policiais a população, era precária.

“O serviço de segurança que eles oferecem é praticamente mínimo, e agora vêm nos criticar. A taça Jules Rimet estava onde sempre esteve desde que foi conquistada pelo Brasil em 1970”, disse o presidente, na época.

O ex-volante Clodoaldo, que ajudou a seleção a ganhar a Copa do México, ficou assustado e indignado na época, com o sumiço do troféu.

“Fique espantado na hora. É uma coisa absurda e inexplicável. Aquela taça representava muito para o Brasil e para todos que gostam de futebol. Quando fomos campeões, a taça passou pelas mãos dos jogadores em campo. Foi muito emocionante quando segurei. Em um momento como aquele, a gente nem repara direito (nos detalhes da taça). Mas, a Jules Rimet realmente era linda”, concluiu o jogador em entrevista ao Banco de Dados Folha.

(Divulgação/Clodoaldo em 1970/Folhapress)

Em 12 de maio de 1988, quatro pessoas foram condenadas pela Justiça. Sérgio Pereira Aures, o Sérgio Peralta, foi condenado a nove anos pelo roubo. Ele foi preso em 1994 e ganhou liberdade condicional quatro anos depois. José Luiz Vieira da Silva, conhecido como Luiz Bigode, preso em 1995, e Francisco José Rocha Rivera, o Chico Barbudo, que morreu assassinado em 1989, também foram condenados pelo roubo. Juan Carlos Hernandes pegou pena de três anos como receptor.

Mundiais em que a Rimet esteve em disputa 

1930, no Uruguai – final: Uruguai 4 x 2 Argentina
1934, na Itália – final: Itália 2 x 1 Tchecoslováquia
1938, na França – final: Itália 4 x 2 Hungria
1950, no Brasil – final: Brasil 1 x 2 Uruguai
1954, na Suíça – final: Alemanha 3 x 2 Hungria
1958, na Suécia – final: Brasil 5 x 2 Suécia
1962, no Chile – final: Brasil 3 x 1 Tchecoslováquia
1966, na Inglaterra – final: Inglaterra 4 x 2 Alemanha
1970, no México – final: Brasil 4 x 1 Itália

Iago Almeida
Iago de Almeida Silva. Nasci em Seritinga, interior de Minas Gerais, e moro em Varginha, também em Minas. 26 anos. Formado em Jornalismo pelo Centro Universitário do Sul de Minas - UNIS. Quando pequeno, queria aparecer em câmeras; na faculdade, conheci as áreas que envolvem a profissão escolhida; formado, não recuso e não tenho medo de desafios; e, acima de tudo, amo as palavras e o amplo conhecimento por trás delas. Uma frase que me motiva: "O futuro não se encaixa nos contentores do passado" - Rishad Tobaccowala".

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