Representatividade no futebol: Jô, atacante do Corinthians é capa da revista Raça. (Foto destaque: Reprodução/ Guilherme Silva)

Primeiramente já te pergunto: quantos jogadores do futebol negros casados com negras que vocês se lembram? Pois é meus amigos, infelizmente não encontramos. Inclusive, quando pensamos em um futebolista aqui no Brasil, a imagem que vem à cabeça é uma mulher branca, como sua parceira. E não é perseguição ou coisa da cabeça, não. Sempre questionamos o motivo e a pergunta que fica é essa: o que acontece? A boa notícia é que na contramão da maioria João Alves De Assis Silva, o , atacante do Corinthians, foi capa da edição da revista Raça junto a sua família.

O craque deu entrevista ao lado da mulher Claudia Silva, 36 e dos filhos Pedro e Miguel, de cinco e dois anos. Contou detalhes de sua trajetória, destaca ainda como a fé reestruturou sua vida, sem esconder turbulências. Ele relembra o forte preconceito racial sofrido na Rússia e se afirma estar focado na família e nas quatro linhas.

Com tudo atribui à família o seu êxito, em especial, à mulher, Claudia Silva. O camisa 10 ainda enfatiza que, em sua casa, a questão racial sempre foi muito debatida.

“Na minha criação, aprendi que não temos que ter preconceito de nada, tanto sexual, quanto racial, classe social, nada! Minha família é de origem pobre e isso sempre foi conversado em casa, não foi depois que virei jogador. Eu não coloquei isso na cabeça de repente.  E sempre vi minha família indo por esse lado, de se juntar à pele negra.

Craque Jô

O jogador do Timão disse que presenciou situações que lhe causaram muita revolta na Rússia. Principalmente na época que o atleta atuou pelo CSKA nos anos de 2006 a 2008.

Na Rússia tende a ter preconceito racial. Eu joguei contra um time em que até hoje não é bem visto um negro no time. Agora tem o Malcom (no Zenit), que foi muito rejeitado pela torcida (…) Eu e Vagner Love éramos do mesmo time (CSKA) e quando a gente entrava para aquecer, jogavam casca de banana, lembrou.

Na entrevista para a revista, o futebolista fala também sobre a sua relação com a esposa. Ainda mais que o atleta acredita ser um dos poucos jogadores negros de destaque que se casou com uma mulher negra.

Sou um dos poucos jogadores de futebol a formar uma família preta. E isso é algo que sempre é citado por meus fãs e seguidores nas redes sociais. Que eu conheça, aqui no Brasil, somente eu e o Cortez, do Grêmio, somos casados com uma preta. Tinha o Ramirez, do Palmeiras, mas separou, completou.

Atualmente a edição da Raça na qual Jô é capa tratará de consciência negra no futebol. Juntamente com o assunto também será publicada uma entrevista com André Negão, diretor do Corinthians. Além de uma conversa com Mauro Silva, campeão do mundo em 1994. Por outro lado será entrevistado Sebastião Arcanjo, presidente da Ponte Preta, único comandante negro entre os principais clubes paulistas.

Assim também, vale lembrar que a revista é mensal e considerada um sucesso. E é publicada desde 1996 pela editora Pestana Arte & Publicações.

Em suma, uma representatividade dessas que dispensa qualquer tipo de comentário. Afinal, que venham mais Jô(s) e Cortez(s).

Confira o post do jogador:

https://www.instagram.com/p/CCqhbirpgkz/?utm_source=ig_web_copy_link

 

Foto destaque: Reprodução/ Guilherme Silva

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Ainah Carvalho
Ahhh o jornalismo, gosto muito do contato, de escrever, falar, questionar e lembro bem que desde pequena sonhava entrevistar os jogadores após o jogo. Aí cresci e o desejo continuava. Entrei para a faculdade de jornalismo e me formei em 2015. Na época da faculdade trabalhei em rádio-escuta em uma assessoria e fui repórter em um site de máquinas. Após a formação trabalhei em uma assessoria com artistas independentes e também já cuidei das redes sociais de um hotel. Fiz bons cursos no Senac como o jornalismo esportivo, grande amor, também fiz apresentação de programas jornalísticos e programas de variedades. Mas o que eu me identifiquei foi apresentar um programa esportivo. Ahhhh esse amor rsrs

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