Presidente do Conselho Deliberativo explica ideia do Coritiba S/A 

Em suma, o Coritiba encerrou suas atividades nesta temporada. Porém, nos bastidores do clube segue tendo assuntos importantes ainda em 2021. Assim, o Coxa possui um plano para adotar o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). 

Desse modo, no próximo dia 23, acontecerá uma assembleia geral imposta pela diretoria para os sócios decidirem em votação se o Alviverde vai se tornar clube-empresa. Logo, o GE conversou com o presidente do Conselho Deliberativo do Coritiba, Jamil Ibrahim Tawi Filho, para esclarecer possíveis dúvidas dos torcedores em relação ao projeto e a mudança. 

Confira a entrevista com o presidente do Conselho Deliberativo do Coritiba na íntegra, abaixo: 

Qual o objetivo do clube com essa proposta de mudança para clube-empresa? 

“A princípio, a intenção do Conselho de Administração é perguntar ao sócio se ele tem interesse que o clube busque alternativas para se manter, digamos, competitivo no futebol. Assim, nós sabemos da promulgação da Lei da Sociedade Anônima do Futebol. Todos os clubes estão de alguma forma buscando alternativas. Desse modo, o Coritiba, não diferentemente dos demais, está buscando alternativas para equalizar as suas contas, aumentar as receitas e se manter competitivo com os demais clubes. Essa é a ideia. Logo, buscar alternativas para profissionalizar cada vez mais o departamento de futebol, a sua gestão, e consequentemente, trazer benefícios para o campo”. 

O modelo atual de gestão do Coritiba e da maioria dos times brasileiro é ultrapassado? 

“Em primeiro lugar, eu não digo ultrapassado, mas a legislação atual traz algumas situações novas. Pois então, é uma modernização, traz alternativas muito interessantes para a gestão. Assim, eu não posso dizer que esse modelo é arcaico, defasado ou que não daria certo, mas o novo modelo traz mais alternativas que possibilitam esse fôlego administrativo para o clube”.

Relação com o sócio 

O Coritiba vai disponibilizar ferramentas para o sócio entender melhor a proposta de se tornar clube-empresa? 

“É muito importante isso. Já está no site do clube. Assim, existem algumas informações que são essenciais para todos entenderem esse processo. Está disponível o edital de assembleia, o ofício solicitando a convocação do Conselho Administrativo, um parecer da comissão legislativa sobre assunto. É muito importante que todos façam a leitura dessa documentação porque são informações essenciais para que o associado possa entender o processo inteiro”. 

Com uma possível aprovação dessa proposta, qual seria o papel do Conselho Deliberativo? Em uma possível venda para acionistas, quem tem a última decisão? 

“A princípio, isso tudo ainda é muito embrionário. Pois, primeiro, é preciso ver se o sócio tem interesse em ver o clube constituir essa nova sociedade. Sendo aprovada, temos que trabalhar num estatuto da Sociedade Anônima do Futebol. Com isso, esse estatuto vai definir todas essas decisões. Assim, isso vai depender muito do parceiro, do investidor. Vale dizer, que hoje é muito difícil de dizer como seria a estrutura dessa sociedade anônima”. 

Investimentos futuros no Coritiba

O que o Coritiba tem de diferente para atrair possíveis investidores no futuro? 

“Hoje, o Coritiba tem um Conselho Administrativo muito preparado. Já estão fazendo algumas medidas para deixar o clube administrativamente pronto para isso. O que traz maior segurança ao investidor. Chegar em um clube que está organizado. Difícil a gente comparar com outros clubes, porque não sabemos como funcionam internamente, mas o Coritiba tem torcida. Sempre quando precisa, ela comparece. Um exemplo disso foi agora na reta final da Série B. Atingiu um patamar de 20 mil sócios. Então são alguns atrativos muito interessantes para o investidor“. 

Quando se fala em se tornar clube-empresa, muitas pessoas pensam que isso vai fazer com que um empresário milionário estrangeiro venha ao Brasil, compre o clube e passe a administrá-lo como quiser. Não existe apenas esse modelo de investidor, não é mesmo? 

“A princípio, isso é uma situação importante a esclarecer. E vem muito de encontro aos documentos que estão à disposição do sócio. Quando veio o pedido dessa assembleia, o primeiro passo, como não existe previsão estatutária a respeito disso, precisamos de um parecer da comissão legislativa, e ela foi enfática de não permitir que o clube, que a associação se transforme simplesmente em SAF. Desse modo, ou seja, a associação Coritiba será preservada. Ela será uma acionista da Sociedade Anônima. Isso impede com que alguém chegue aqui e queira radicalmente mudar o nome do clube, símbolo, distintivo, cores, isso vai ficar vedado, porque a associação está sendo preservada. Isso é muito importante para garantir que os costumes e a cultura do clube sejam preservados. A convocação é clara. Ela fala em constituição de uma nova S/A, não uma transformação”. 

Investimentos

O principal objetivo de criação de uma SAF é zerar as dívidas de um clube? Ou também permitir o maior investimento no futebol? 

“É uma conciliação das duas questões. Você tem uma maior flexibilidade para equalizar as dívidas. Claro que você tem que seguir os critérios que a legislação impõe. Desse modo, existem ali critérios rigorosos que precisam ser seguidos, mas ela permite que alongue os pagamentos, então você transforma o status de uma dívida a curto prazo à longo prazo. Ao mesmo tempo, você consegue fazer um incremento no futebol. Nós não podemos pensar que só vamos melhorar as receitas com a SAF, nós vamos melhorar as receitas e equalizar as dívidas”. 

Como é a análise do mercado para um investidor? 

“Em primeiro lugar, acredito que essa resposta, até o primeiro semestre de 2022, estará respondida. Mas a estrutura é para facilitar o interesse dos investidores. Contudo, vai depender de questões mercadológicas. Assim é difícil dizer com convicção que o investidor vai se interessar. Vamos precisar aguardar ainda”. 

Exemplos no Brasil

Para o Coritiba, é importante que mais clubes do Brasil adotem esse modelo também? 

“A princípio, eu acredito que sim, vai ser uma tendência para conseguir um facilitador para a administração da empresa. Assim, quanto mais clubes adotarem esse formato, acredito que vai ser melhor para o futebol em si”. 

O Coritiba, por tradição, é um clube mais conservador. Acredita que isso vai ser um empecilho para a aprovação dessa ideia? 

“Em primeiro lugar, eu acredito que a mentalidade do torcedor mudou. Estamos vendo alguns exemplos, de clubes que saíram na frente do Coritiba. Assim, a ideia, até pelas conversas que tivemos, é não deixar o bonde passar. Vendo nessas movimentações, e vendo a necessidade de se adequar à nova legislação, convocou o sócio para tomar a sua decisão. Vai muito no sentido de não deixar o clube ficar para trás. Deixá-lo preparado e em pé de condições com outros clubes. E conseguir, eventualmente, o investidor. Por fim, a ideia é largar na frente”. 

Foto destaque: Divulgação/Pinterest

Cristian Moraes
Estudante de jornalismo que sonha em trabalhar nos maiores eventos esportivos do mundo. E, assim, ser referência na área. Meu principal objetivo é ser correspondente internacional em Turim ou Londres. Sou fascinado por futebol, e como o esporte influencia às pessoas, e o mundo. Não me limito apenas a assistir, mas a consumir em sua totalidade, estudando e entendendo regras, conceitos, histórias e tudo que envolve o mundo das quatro linhas. No entanto, gosto de acompanhar outras modalidades, como: Basquete, Surf, Futebol Americano, Hóquei, Tênis, dentre tantas outras. Junto isso, tenho o amor pela leitura e a escrita como minhas aliadas na hora de passar para os meus textos, todas as sensações e emoções que estou sentindo, ao lado de informações relevantes com apuração precisa. Seja bem-vindo (a)!