Flamengo

Predestinado a ter papel de protagonista na paixão nacional, o Flamengo surgiu como escudo de alegria para os amantes do futebol. Sendo assim, em todas as partes do Brasil, nota-se o espírito rubro-negro em cada canto entoado, em cada manto comprado e em cada sorriso deslumbrado. Gerado em meio as dificuldades e tomado pela essência de raça, amor e fascinação, o Mais Querido completa 125 anos neste Domingo (15). Por esse motivo, a coluna Parabéns ao Craque vem homenagear esse gigante carioca, por mais um ano de conquistas.

A ORIGEM

Primeiro, o azul e dourado. Cores escolhidas para homenagear a baía de Guanabara e o ouro brasileiro. Logo depois, o preto e o vermelho. Desde o inicio, tudo sempre foi difícil. Sendo assim, foi necessário mudar as cores porque os jovens do Grupo de Regatas do Flamengo não eram ricos e nem pertenciam a elite do Rio de Janeiro.

Todavia, o tecido dourado era caro demais, importado da Inglaterra. Além disso, desbotava rapidamente e obrigava os remadores a trocar os uniformes maltratados pelo sol e pela maresia. Talvez, na época, não soubessem, mas acabaram escolhendo as cores do povo.

Grupo de Regatas do Flamengo
(Foto: Reprodução/Site oficial do Flamengo)

A criação de um grupo organizado com o objetivo de disputar competições de remo com clubes de outros locais, surgiu entre jovens do bairro do Flamengo, no Café Lamas, no Largo do Machado. Dessa forma, Nestor de Barros, José Agostinho Pereira da Cunha, Felisberto Laport, Augusto Lopes, Mário Spindola e José Félix da Cunha Meneses compraram um barco, chamaram-no de “Pherusa” e o reformaram.

Entretanto, em 6 de outubro de 1895, ansiosos, os jovens foram buscar a baleeira. Embarcaram e tomaram o rumo da praia do Flamengo. No meio do caminho, uma tempestade virou a embarcação. Todavia, semidestruído, o Pherusa voltou para o estaleiro. Contudo, acabou sendo roubado e nunca mais foi encontrado. Esse episódio, foi o primeiro dos muitos momentos de raça e superação que iria marcar a história dos flamenguistas.

A FUNDAÇÃO

Idealista, José Agostinho Pereira da Cunha sugeriu criar uma agremiação de remo no bairro. Sendo assim, no dia 17 de novembro de 1895, no casarão da praia do Flamengo, onde morava Nestor Barros, reuniram-se Napoleão Coelho de Oliveira, Eduardo Sardinha, Carlos Sardinha, Desidério Guimarães e Maurício Rodrigues Pereira. Além deles, contaram com a presença de George Leuzinger, Augusto Lopes da Silveira, José Augusto Chalréu, João de Almeida Lustosa, Mário Spíndola, José Maria Leitão da Cunha, Felisberto Laport, Lucci Collás e José Félix da Cunha Meneses.

Escudo
(Foto: Reprodução/100 anos de Bola, Raça e Paixão)

Contudo, reuniram-se no Largo do Machado e redigiram o estatuto da nova agremiação esportiva. Nesse sentido, os rapazes decidiram que a data oficial de fundação seria o feriado do dia 15 de novembro, em homenagem à Proclamação da República.

Reunião do estatuto da nova agremiação
(Foto: Reprodução/Site oficial do Flamengo)

Entretanto, os problemas não tardaram. E o Flamengo, sem dinheiro, demorou um pouco a chegar em um lugar de destaque no remo carioca. Os remadores rubro-negros… Que decepção! Não conseguiram completar a primeira prova que disputaram e a embarcação acabou sendo rebocada para a praia por um barco do Clube de Regatas do Botafogo. Se enganou quem pensou que o ocorrido fosse esfriar o ânimo dos flamenguistas.

Mesmo assim, a primeira vitória só veio na regata do Campeonato Náutico do Brasil, em 5 de junho de 1898. Embalados pela baleeira Irerê de dois remos, a garra dos rapazes de preto e vermelho só fazia aumentar a simpatia dos torcedores.

CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO

Em 1902, o grupo havia crescido bastante e acabou mudando de nome, passando a se chamar Clube de Regatas do Flamengo. No entanto, a primeira grande vitória numa prova clássica aconteceu em 1905, a Taça Sul-Americana. Porém, o título carioca, tão aguardado, não chegava. Até 1910, o Flamengo venceu muitas regatas, seus remadores e barcos faziam sucesso, mas nada de conquistar o título carioca.

Remadores rubro negros
(Foto: Reprodução/Site oficial do Flamengo)

Nesse relato inicial, percebe-se que desde que surgiu, o Flamengo trilhou o caminho da superação e da popularidade. Dessa forma, um novo esporte que já ameaçava agitar a cidade, teria forte influência na transformação pela qual o clube se submeteria. Vindo, portanto, a se tornar O Mais Querido do Brasil, quase que uma religião.

1911 A 1919: OS PRIMEIROS CHUTES, AS PRIMEIRAS TAÇAS

Se na época da fundação do Flamengo o remo reinava absoluto como esporte favorito dos cariocas, em pouco tempo outra modalidade começou a rivalizar pela preferência do público: o futebol. E o clube estava predestinado a ter papel de protagonista nesta nova paixão nacional.

Dessa forma, houve um desentendimento interno no Fluminense em 1911. Alguns jogadores falavam em trocar de clube, enquanto outros até mesmo pensavam em abandonar o futebol. Foi quando Alberto Borgerth, um dos jogadores do Tricolor, fez a proposta de criar uma seção de futebol no clube rubro-negro, onde já era remador. A ideia foi aprovada e, no dia 8 de novembro daquele ano, foi criado o Departamento de Esportes Terrestres rubro-negro.

PRIMEIRA PARTIDA DE FUTEBOL

Nesse sentido, a nova equipe chamava a atenção e dava os primeiros passos para ganhar enorme popularidade treinando na Praia do Russel. Em 3 de maio de 1912 aconteceu a primeira partida do Flamengo: uma grande vitória de 15 x 2 sobre o Mangueira, no campo da América. A escalação rubro-negra naquele jogo foi Baena, Píndaro e Nery; Coriol, Gilberto e Galo; Bahiano, Arnaldo, Amarante, Gustavo e Borgerth.

Contudo, diante de grandes atuações, não demorou muito para vir o primeiro título: em 1912 o Flamengo ganhou seu primeiro Campeonato Carioca. A conquista veio com uma rodada de antecedência, após a vitória de 2 x 1 sobre o Fluminense. Riemer fez o gol do título.

COBRA CORAL, PAPAGAIO VINTÉM: VESTI RUBRO-NEGRO NÃO TEM PRA NINGUÉM

A primeira camisa do futebol foi a “Papagaio de Vintém”, quadriculada em vermelho e preto. Em 1914, a equipe passou a atuar com a “Cobra-Coral”, que tinha listras horizontais rubro-negras convivendo com listras mais finas e brancas e foi utilizada pela equipe do primeiro título estadual.

Primeiro manto
(Foto: Reprodução/Site oficial do Flamengo)

Contudo, o manto Sagrado passou a ter apenas listras horizontais vermelhas e pretas a partir de 1916. Quando, portanto, o novo uniforme estreou em uma vitória de 3 x 1 sobre o São Bento, de São Paulo.

O MAIS QUERIDO DO BRASIL

Em 1927, um concurso promovido pela água mineral Salutaris e pelo Jornal do Brasil objetivou eleger o “clube mais querido do Brasil”. Nesse sentido, o torcedor deveria escrever o nome do seu time favorito no rótulo da garrafa d'água ou no cupom impresso no jornal. Logo depois, era necessário envia-lo preenchido para a sede do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro.

“Por que o Flamengo tornou-se o clube mais amado do Brasil? Porque o Flamengo se deixa amar à vontade…” Mário Filho

O vencedor levaria para sua sede a  Taça Salutaris e o “título”. Ao final da apuração, o Flamengo somou 254.850 votos e venceu a disputa. Atualmente, a Taça é exibida em local de destaque na sala de troféus do Clube de Regatas do Flamengo, ladeada pela Copa Libertadores da América e pela Taça Intercontinental de 1981.

Taça Salutaris
(Foto: Reprodução/Marcelo Santos/BDM)

FLAMENGO DO ASFALTO E DO MORRO, DO DEUS E DO POVO

Após ser aceito na primeira divisão do Campeonato Carioca, inclusive com voto a favor do Fluminense, o time rubro-negro precisava se preocupar com o lugar que seriam comandados os treinos. Uma vez que o clube só tinha a garagem de barcos na praia do Flamengo. Entretanto, o que parecia um problema, com o tempo mostraria o quanto essa falta de campo se tornaria benéfica e um fator fundamental para o sucesso e popularidade do clube.

Nesse sentido, próximo à sede, na praia do Russel, o prefeito Bento Ribeiro mandou fazer um campo de futebol gramado e com balizas para a garotada da região. No entanto, a meninada se divertia até o final da tarde. Porque ao anoitecer, os jogadores do Flamengo apareciam com chuteiras e roupas de treino. Chegava, portanto, o momento da molecada ver seus ídolos de perto.

Campo onde o Flamengo treinava
(Foto: Reprodução/100 anos de bola, raça e paixão)

Assim, a falta de um campo fez o time misturar-se ao povo e aproximar-se deles. Nesse sentido, os garotos em busca de ídolos, iam ao encontro deles no campo do Russel. Podiam tocá-los e devolver as bolas que saíam do campo. Podiam ainda, contar em casa e na escola que haviam conhecido o Nery, que tinham batido nas costas do Amarante e que tinham apertado a mão do Bahiano.

Contudo, tamanha popularidade se deu pelo fato do espírito do Flamengo ser diferente. Ao contrário dos demais clubes que possuíam classe elitista e colonizadora, o Rubro-negro sempre possuiu alma vibrante, petulante e juvenil. No qual, logo cativaria seguidas gerações.

1940 A 1949: O PRIMEIRO TRI E O ESPLENDOR  DE ZIZINHO

O primeiro tricampeonato carioca da história do Flamengo teve um grande mentor: o técnico Flávio Costa. Foi ele quem estruturou a equipe que em 1942 impediu o tricampeonato do Fluminense, liderada em campo por um dos maiores jogadores rubro-negros de todos os tempos: Thomaz Soares da Silva, o Zizinho.

O jogador era a grande novidade do futebol rubro-negro e, em pouco tempo, se tornaria a cara do clube da Gávea. Nesse sentido, sua genialidade também foi essencial para que mais torcedores passassem a torcer pelo clube. Seu futebol revelava técnica, grande visão de jogo e muita objetividade. Com apenas um toque, resolvia uma jogada. Além disso, era um atacante insinuante que chutava bem e era agudo.

Zizinho
(Foto: Reprodução/Revista Álbum Rubro Negro)

Em três anos, foram 44 vitórias, 188 gols marcados e apenas seis derrotas. O time obteve a incrível média de três gols por partida, tendo Pirilo como artilheiro da campanha: 46 gols. O tri veio com a categoria e a raça de Valido: aos 30 anos, o ponta-direita argentino voltou ao futebol e marcou o gol da conquista de cabeça, aos 41 minutos do 2º tempo da final contra o Vasco, diante de 20 mil torcedores na Gávea.

1950 A 1959: O SEGUNDO TRI DO FLAMENGO E A ERA DIDA

Os anos 1950 começaram com o futebol brasileiro em festa. O Maracanã, recém construído, era um símbolo nacional e logo seria palco da Copa do Mundo. No entanto, os flamenguistas não começaram bem a década, mas ela se mostraria marcante e fundamental para a história do clube.

Nesse sentido, alguns craques brilhavam. Sinforiano García era um paredão no gol; Pavão, o esteio da defesa. Dequinha, o articulador e pulmão do time, formava com Jadir e Jordan uma linha média de alto nível técnico. Rubens seguia em grande forma; o jovem Evaristo também atuava em grande estilo; Joel era um ponta que só era superado por Garrincha; Zagallo era o competitivo que brilharia com a camisa da Seleção Brasileira e Índio seguia sendo o grande artilheiro que sempre foi.

Dida no Flamengo
(Foto: Reprodução/NetFla)

Contudo, ainda surgiria Edvaldo Alves de Santa Rosa ou simplesmente Dida. O craque que, até a revelação de Zico, se tonaria o maior artilheiro do clube. De início, virou o xodó do grupo. No qual, deixava todos admirados com seu futebol incisivo, veloz e de belos gols.

Todavia, o terceiro título veio na decisão contra o América, em três partidas. Na primeira, vitória de 1 x 0; na segunda, uma surpreendente derrota por 5 x 1; e, na finalíssima, o troco com goleada rubro-negra por 4 x 1.

1978 – 1979

O terceiro tri do Flamengo foi a primeira grande conquista da equipe mais vitoriosa da história do clube. Sendo assim, a geração de Adílio, Rondinelli, Tita , Júnior, Raul e Carpegiani, foi liderada por Zico e ganhou tudo o que foi possível. No Rio, no Brasil, na América do Sul e no Mundo.

Em 1978, o título em cima do Vasco veio com o épico gol de cabeça do zagueiro Rondinelli. O Deus da Raça, que testou com força o escanteio cobrado por Zico para bater o goleiro Leão e impedir o bicampeonato do rival. No início do ano seguinte, em meio a incerteza sobre o Campeonato Brasileiro, a Federação do Rio decidiu organizar um campeonato que ficou conhecido como “Especial”.

Seus dois turnos foram vencidos, de forma invicta, tendo Zico como artilheiro. Dessa forma, 1979 teve dois campeonatos estaduais, mas apenas um campeão: o segundo torneio teve três turnos e novamente todos foram vencidos pelo Flamengo, de novo com Zico consagrando-se artilheiro.

1999 – 2000 – 2001: E A VIRADA DO SÉCULO

A virada do século trouxe o quarto tricampeonato carioca para o Flamengo. A partir de 1999, foram três decisões consecutivas contra o Vasco que geraram histórias inesquecíveis para uma geração de rubro-negros. No primeiro título, o Maracanã lotado assistiu o time pressionar seu adversário durante a maior parte do jogo decisivo, em uma tensão que só se aliviou quando Rodrigo Mendes cobrou falta de longa distância e viu sua bola desviar na barreira e vencer o goleiro cruzmaltino.

Já em 2000, após vencerem por 3 x 0 a primeira partida da final, os rubro-negros encheram as arquibancadas para celebrar o bicampeonato em vitória por 2 x 1, gols de Reinaldo e Tuta. Logo depois, em 2001, a emoção teve seu auge aos 43 minutos do segundo tempo da partida decisiva. Após vencer o primeiro jogo das finais por 2 x 1, o Vasco podia perder por até um gol de diferença para garantir o campeonato. Entretanto, uma cobrança perfeita de falta de Petkovic definiu o 3 x 1 que trouxe o título para a Gávea.

2007 – 2008 – 2009

O quinto tri veio com vitórias seguidas sobre o Botafogo. Dessa forma, a sequência começou em 2007; Renato Augusto, com uma bomba da intermediária, fez o golaço que igualou o placar na segunda partida; com o 2×2, resultado idêntico ao do primeiro jogo, a decisão foi para os pênaltis e o Flamengo saiu vencedor.

Em 2008, Obina marcou nas duas vitórias contra os alvinegros, por 1 x 0 e 3 x 1, e garantiu o bi. Já em 2009 o tri veio com a repetição da história de 2007: dois empates por 2 x 2 antecederam a vitória rubro-negra nos pênaltis. Dirigido por Cuca e tendo o zagueiro Fábio Luciano como capitão, o Flamengo não só conquistou o penta tri, mas também colocou-se como o maior vencedor da história do Campeonato Carioca, superando todos os seus rivais em número de conquistas.

TRICAMPEÃO DA COPA DO BRASIL

O Flamengo conquistou seu primeiro título da competição logo em sua segunda edição. Depois de bater o Bahia nas quartas de final e o Náutico na semifinal, a equipe dirigida por Jair Pereira enfrentou o Goiás na decisão. O zagueiro Fernando fez o gol da vitória no jogo de ida, em Juiz de Fora(MG), e com isso os rubro-negros jogariam pelo empate na partida decisiva, em Goiânia. Diante de mais de 45 mil pessoas no Serra Dourada, o Flamengo segurou o 0 x 0 que garantiu a conquista invicta; foram seis vitórias e quatro empates. O centroavante Gaúcho foi o artilheiro do time, com cinco gols.

O bicampeonato rubro-negro foi encaminhado na primeira partida com uma boa vitória por 2 x 0, gols de Obina e Luizão. Na segunda partida, as arquibancadas do Maracanã eram totalmente dominadas pela torcida do Flamengo. Que comemorou mais uma vitória por 1 x 0, gol feito por Juan, e o título. Contudo, Renato foi o artilheiro rubro-negro na conquista, com seis gols.

O tricampeonato da Copa do Brasil marcou o reencontro da torcida do Flamengo com o Maracanã. Após alguns anos fechado para a preparação para a Copa do Mundo de 2014, o estádio reabriu suas portas e viu o Flamengo tornar-se o primeiro campeão em sua nova fase. Contudo, no jogo de ida, em Curitiba, o volante Amaral marcou o gol do empate em 1 x 1. Na grande decisão, Elias e Hernane decidiram a vitória por 2 x 0, garantindo a conquista. Hernane, O Brocador, foi o artilheiro da campanha e da competição, com oito gols.

HEPTACAMPEÃO BRASILEIRO

1980

Depois do tricampeonato estadual conquistado entre 1978 e 1979, era o momento da geração comandada por Zico começar voos mais altos. Nesse sentido, em 1989, pela primeira vez a maior torcida do mundo pôde comemorar o título brasileiro. A conquista veio em uma emocionante final contra o Atlético-MG, que venceu a primeira partida no Mineirão por 1 x 0, mas não conseguiu segurar os rubro-negros no Maracanã. Zico e Nunes já haviam colocado o Flamengo à frente, mas viram o atleticano Reinaldo empatar por duas vezes. Com 2 x 2 no placar e o jogo se encaminhando para o fim, Nunes driblou o zagueiro Silvestre, venceu o goleiro João Leite e decidiu o título.

1982

Já em 1982, no primeiro jogo da final, no Maracanã, Zico marcou o gol do empate em 1 x 1 nos últimos minutos. O Grêmio, portanto, poderia decidir a parada no Olímpico, mas não conseguiu sair do 0 x 0. Assim, a definição ficou para a terceira partida, novamente em Porto Alegre – e aí deu Flamengo. Zico, que havia previsto a vitória por 1 x 0 na véspera, fez o passe e Nunes, cumprindo sua vocação de Artilheiro das Decisões, marcou. O 1 x 0 foi o placar final e a equipe do técnico Paulo César Carpeggiani levou o troféu para a Gávea.

1983

É claro que a torcida rubro-negra teve papel decisivo em cada conquista. Contudo, em 1983, ela alcançou uma marca histórica: o maior público pagante registrado em uma partida de Campeonato Brasileiro. Aconteceu na grande final, contra o Santos, no Maracanã; 155.523 pagantes. No entanto, a festa começou cedo, com Zico fazendo o primeiro gol logo no primeiro minuto da partida. Adílio e Leandro também marcaram, completando o 3 x 0 que definiu o título.

1987

De antemão, havia um clima de incerteza em torno da realização do Brasileiro de 1987. Com o risco da competição não acontecer por falta de recursos, os maiores clubes do país se uniram e acabaram organizando o campeonato de maior sucesso até então, com grande média de público e uma enorme repercussão entre os torcedores. Nesse sentido, o quarto título do Flamengo veio de forma emocionante.

No dia 13 de dezembro de 1987, o Flamengo entrou em campo de baixo de chuva para ser tetracampeão brasileiro com Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e Zico (Flávio); Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho. O artilheiro da campanha foi Bebeto, com seis gols.

1992

Assim como em 1987, o título de 1992 contou com um veterano campeão do Mundo como líder de uma nova geração. Desta vez, o destaque foi Júnior que retornara dois anos antes da Itália, motivado pelo desejo de ter seu filho o assistindo jogar com o Manto Sagrado. Contudo, o Vovô Garoto, que era lateral esquerdo em sua primeira passagem pela Gávea, passou a jogar no meio-campo e ser chamado de Maestro. Além da categoria em campo e da precisão nas cobranças de falta, Júnior foi importante também passando sua experiência para garotos como Júnior Baiano, Gelson, Rogério, Piá, Nélio, Marquinhos, Marcelinho, Djalminha e Paulo Nunes.

Entretanto, a final foi contra o Botafogo, que vinha de melhor campanha nas primeiras fases – mas não resistiu à grande atuação rubro-negra na primeira partida, vencida por 3 x 0. Júnior e Júlio César marcaram os gols no segundo jogo, que terminou 2 x 2 e selou a conquista.

2009

Mais uma vez, um treinador com passado de conquistas pelo rubro-negro em campo e um velho ídolo de títulos anteriores foram decisivos para que o Flamengo fosse campeão brasileiro. Em 2009, estes papéis foram de Andrade – campeão como jogador em 1980, 1982, 1983 e 1987, agora treinador – E Petkovic  – autor do inesquecível gol que decidiu o tricampeonato estadual em 2001. Contudo, a grande fase de Pet no campeonato coincidiu com o melhor momento na competição do centroavante Adriano, que terminou artilheiro com 19 gols. Os dois lideraram a arrancada que fez o time subir decisões na tabela, até assumir a primeira colocação pela primeira vez apenas na penúltima rodada.

A disputa foi emocionante e, na última rodada, quatro equipes ainda podiam sonhar com o título. Ao Flamengo bastava ganhar do Grêmio no Maracanã para não depender de qualquer outro resultado e sair campeão. E foi o que aconteceu: os zagueiros David Braz e Ronaldo Angelim marcaram e definiram a vitória por 2 x 1. No entanto, nessa última partida, disputada em 6 de dezembro de 2009, o Flamengo jogou com Bruno, Léo Moura, David Braz, Ronaldo Angelim e Juan; Aírton, Toró (Éverton), Willians, Petkovic (Fierro) e Zé Roberto (Kléberson); Adriano.

2019

O Flamengo montou um grande time em 2019. Nomes como Gabigol, Bruno Henrique, De Arrascaeta, Rafinha, Rodrigo Caio, Filipe Luís, Gerson e Pablo Marí chegaram a formar a espinha dorsal do time que chegou ao título sob o comando do espetacular técnico Jorge Jesus, que também chegou ao clube em 2019. No entanto, foi uma campanha impecável e o título chegou com várias rodadas de antecedência. Foram recordes e mais recordes atingidos por uma equipe que, sem dúvida, ficou marcada na história do clube.

Já campeão, o Flamengo não tirou o pé do acelerador em nenhum momento. Prova disso foi a grande vitória sobre o Palmeiras, terceiro colocado, na antepenúltima rodada, por 3 x 1, na casa do adversário. Foram dois gols de Gabigol e um do meia uruguaio De Arrascaeta.

LIBERTADORES 1981

Depois de ter conquistado o Rio de Janeiro e o Brasil, havia chegado a vez de um dos maiores e melhores times de toda história do futebol Mundial conquistar a América do Sul, algo que nenhum time brasileiro conseguia desde os anos 60, com o Santos de Pelé, Coutinho e cia. No entanto, o Flamengo classificou-se para disputar a sua primeira Copa Libertadores da América após se sagrar campeão Brasileiro diante do Atlético-MG no ano anterior. Contudo, na primeira fase, o rubro-negro caiu no Grupo 3, que tinha também o Galo, Olímpia e Cerro Porteño, os dois últimos sendo representantes do Paraguai.

A estreia, portanto, foi contra o mesmo adversário da final do Brasileirão de 1980, o Atlético-MG, no Mineirão, e terminou empatado por 2 × 2. Ao final das seis rodadas daquela etapa, os dois brasileiros terminaram empatados em pontos e, como não havia previsão de desempate pelo saldo de gols no regulamento e apenas o primeiro colocado passaria de fase, tiveram que disputar um jogo extra para decidir a classificação.

Na primeira partida da final, Zico marcou os dois gols da vitória por 2 x 1, no Maracanã. Contudo, o jogo de volta foi marcado pela violência da equipe chilena, não coibida pela arbitragem, e o Fla acabou sendo derrotado no Estádio Nacional de Santiago. A decisão então ficou para um jogo extra, marcado para o Estádio Centenário, em Montevidéu.

Entretanto, jogando em campo neutro, a categoria de Zico e cia fez toda diferença para o Mengão, que se sagrou campeão ao vencer os chilenos por 2 × 0, com dois gols do maior ídolo da história rubro-negra, Zico, que terminou como grande craque e artilheiro do campeonato, com 11 gols marcados na competição. Após essa importante e marcante conquista, o Flamengo começava a pensar em conquistar o Mundo.

NO RIO NÃO TEM OUTRO IGUAL, SÓ O FLAMENGO É CAMPEÃO MUNDIAL

“Em dezembro de 81 botou os ingleses na roda. 3 x 0 no Liverpool, ficou marcado na história!” 

Assim inicia um canto que ecoa pelas vozes da torcida Rubro-Negra. Canto no qual, relata a história de uma nação que após conquistar a América, decidiu conquistar o mundo. Nesse sentido, o futebol brasileiro voltava a ver um time campeão mundial desde o Santos de Pelé, em 1963.

Contudo, o time inglês, que havia conquistado a terceira Liga dos Campeões da Europa em apenas cinco anos, encontrou um adversário com toque de bola refinado e que não oferecia oportunidades ao rival. Com o placar de 3 x 0 construído ainda no primeiro tempo, os brasileiros puderam se dar ao luxo de apenas tocar a bola na etapa final e esperar o tempo passar.

Mundial do Flamengo de 81
CBF (Foto: Reprodução/Tomikoshi Photography)

LIBERTADORES 2019: A GLÓRIA ETERNA DO FLAMENGO

De antemão, não há um torcedor rubro-negro que consiga explicar a emoção de ter visto o Flamengo conquistar novamente a libertadores, após 38 anos. Em sua maior parte, a mistura de sentimentos puderam ser expressadas em lágrimas. Lágrimas essas, de uma nação apaixonada que se agarra a uma fé voltada para São Judas Tadeu.

Todavia, instruídos por Jesus, a torcida rubro-negra presenciou o milagre. Nesse sentido, artilheiro da Libertadores, Gabigol foi o nome da decisão. Dessa forma, o camisa 9 do Flamengo marcou aos 43 e aos 46 do 2º tempo, sendo o herói do bicampeonato rubro-negro.

Impossível explicar! Nem os rivais conseguiram acreditar. Um Flamengo ressurgindo das cinzas, fez a torcida vibrar. O Flamengo que não para diante da dificuldade. O Flamengo da raça, do amor e da paixão! Nada é impossível para aqueles que possuem o sangue rubro-negro correndo nas veias. Obrigada por existir e se tornar esse mito indescritível que une milhões de torcedores há 125 anos.

ACIMA DE TUDO RUBRO-NEGRO, AMOR MAIOR NÃO TEM IGUAL

Contudo, como falar de Flamengo sem mencionar a nação mais apaixonada do mundo futebolístico? 125 anos de glórias e a torcida rubro-negra lotou as redes sociais de homenagens e relatos emocionantes de um amor que não cabe no peito.

https://twitter.com/_faelfernandes/status/1328006690009194497

https://twitter.com/coutinho1895/status/1327971416977920001

https://twitter.com/MarceleCrf/status/1327836219586252801

 

Foto Destaque: Divulgação/Twitter/Flamengo

Thamirys Abreu Vieira
Sou carioca, graduada em Jornalismo pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo). Pretendo me especializar na área esportiva e vivenciar a cada dia a magia do futebol. Exigente e de temperamento forte, mas sempre disposta a aprender. Apaixonada pela leitura e o mundo futebolístico.

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