Diferente das últimas temporadas, ninguém disparou e o Brasileirão tem sido bastante disputado até aqui. Alguns se revezam no topo desde o início (Internacional, São Paulo Atlético-MG). O Flamengo sofre com a pressão pelo divórcio de Jorge Jesus e não deu liga. Grêmio e Palmeiras sentem o desgaste da maratona e ficam atrás enquanto chegam nas copas. Dessa forma, vamos tecer notas sobre a oscilação no pelotão de frente – ou seja, o G6.

A regularidade do Internacional

À primeira vista comandado por Eduardo Coudet, o Colorado despontou como concorrente ao título com uma filosofia de jogo baseada na obsessão pelo ataque. Jogava com um volante cão de guarda à frente da zaga, sufocando adversários na saída de três. Sempre municiando atacantes em velocidade. A fórmula funcionou, e o Inter foi quem mais liderou o campeonato.

Após sua saída, oscilou com Abel Braga. Perdeu a liderança para o Atlético-MG, mas a remontada veio no jogo da volta contra o Boca Juniors pela Libertadores. Desde então um sprint de oito vitórias consecutivas e retorno ao 1º lugar. Atualmente, joga sem a bola, com muita solidez defensiva. Além disso, Abel é rigoroso quanto à disposição das peças no campo. Sobretudo, gosta de espetar os rivais sem trocar tantos passes.

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Um São Paulo abatido

Eis um candidato fortíssimo ao posto de cavalo paraguaio. Embora o São Paulo esteja no G4 desde o início, só chegou a liderar no 2º turno. Em contrapartida, o futebol compacto de Fernando Diniz caiu de rendimento após a eliminação para o Grêmio na Copa do Brasil. O Tricolor Paulista está há cinco jogos sem vitória e busca o contraveneno depois do revés de 5 x 1, que lhe custou a liderança.

Nesse blecaute, perdeu o caminho das pedras e sentiu o peso do fator emocional. Afinal, a intensidade e a velocidade nas laterais tornaram-se insuficientes. Por outro lado, Luciano, Brenner e Daniel Alves se destacam em uma equipe marcada no passado recente pela oscilação negativa. Cabe ao Soberano juntar os cacos e dar uma resposta o quanto antes para o torcedor são-paulino.

A oscilação do Galo de Sampaoli

Na minha opinião, o Atlético-MG é o principal concorrente do Inter. Com um investimento próximo da casa dos R$180 milhões, ganhou o apelido de Atlético Dinheiro. Comandado por Jorge Sampaoli, o time de Minas Gerais encontrou uma maneira de jogar a partir da imposição física e tática. Entretanto, os poucos empates mostram um grupo que parte para o “tudo ou nada”.

O jogo ofensivo passa por três regrinhas: ocupação das beiradas, avanços de Arana e variação tática. Em outras palavras, o mérito do técnico é se adaptar aos oponentes através do Jogo de Posição. Definitivamente a oscilação atleticana – o time com mais derrotas (nove) no G6 – parece ser o seu maior carrasco. Talvez um inimigo ainda mais traiçoeiro que o Internacional.

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O Flamengo órfão de Jorge Jesus

A princípio, falar do desempenho do Flamengo no Brasileirão é discutir oscilação. Constantemente pressionado pelo histórico com Jorge Jesus, o Urubu patinou com Domènec Torrent. As expectativas eram altas, mas o rendimento derrubou o catalão. As goleadas para São Paulo (4 x 1) e Atlético-MG (4 x 0) botaram na berlinda a credibilidade do elenco bicampeão da América em 2019.

Não liderar nenhuma rodada é muito pouco para quem deseja uma hegemonia. e as dúvidas continuaram. Embora o futebol seja próximo do que era praticado antes, a vontade de poder flamenguista se esvaiu. Agora alterna boas atuações com jogos dignos de um melodrama mexicano. É difícil pensar essa equipe dando um salto qualitativo a curto prazo.

Grêmio: Rei de Copas e Rei do Empate 

Fiel da balança, o Grêmio é quem mais empatou (15) e menos perdeu (5). Inclusive, o excesso de resultados iguais prejudica a escalada do Tricolor Gaúcho. Portanto, é natural falar em regularidade no time de Renato Portaluppi. Apesar de ter flertado com a segunda página da tabela durante o 1º turno, o Imortal se restabeleceu na competição e alcançou o G6.

Oxigenado pelos guris da base, o elenco de Renato Gaúcho alcançou outra final de Copa do Brasil. A confiança voltou após o apagão na Libertadores. Por outro lado, o adiamento da decisão contra o Porco – caso vença o Santos pela competição continental – é o trunfo gremista no pelotão de frente. Hoje o Grêmio mescla o espírito de mata-mata, o rodízio de titulares e a posse de bola direcionada para o jogo aéreo.

Palmeiras: a máquina verde anti-oscilação

O que dizer da única equipe que permanece viva nas três competições? Treinado por um workaholic, o Palmeiras chegou a duas finais e tenta a tríplice coroa. Abel Ferreira tem como diretriz o cuidado com as joias da base e gosta de um futebol objetivo. O esquema do Porco também depende dos adversários, assim como no Galo. Passes verticais e marcação da saída de bola em velocidade são conceitos trabalhados pelo português.

Atualmente, o Palmeiras faz a transição aberta para desmontar as linhas rivais e dilatar o placar. Coleciona goleadas com uma “defesa que ninguém passa” (só levou um gol a mais que o Grêmio). Em suma Gabriel Menino, Patrick de Paula, Willian Bigode, Matías Viña, Luiz Adriano, Veron e Gustavo Gómez são as estrelas da constelação alviverde.

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Foto destaque: Divulgação/Brasileirão Assaí

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.

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