A Coluna Tática dos Campeões desta terça-feira (27), homenageia a 2ª geração dos Meninos da Vila. O Santos, liderado por Neymar e Ganso, foi um dos times mais talentosos que o Brasil já viu. Nesse período o Peixe conquistou três Paulistão, uma Copa do Brasil e o tri da Libertadores. O esquadrão alvinegro ficou conhecido pelo futebol arte e pelos momentos de genialidades. Portanto, é um time interessante de se analisar.

O COMEÇO DE UM BELO PROJETO

O Santos passava por problemas financeiros, no entanto tinha alguns jovens jogadores que iriam mudar esse cenário. A mídia já falava muito de Neymar, mas o garoto ainda era um “filé de borboleta“. O time da Vila Belmiro estava prestes a apresentar um dos melhores jogadores da atualidade para o Mundo.

Na Temporada de 2010, a diretoria santista resolveu apostar nos garotos Neymar, Paulo Henrique Ganso e André para liderarem a equipe. Além deles, apostou nos renegados Arouca e Wesly. Portanto, o Santos vinha com um investimento bem baio para esse ano. Por outro lado, deu muito certo.

Desde o começo de 2010, o até então Menino Ney e seu fiel escudeiro Ganso encantaram todo o Brasil. A imprensa discutia muito sobre qual deles era melhor e que os dois deveriam ter ido para a Copa deste ano. Para deixar o plantel ainda melhor, o Peixe contratou Robinho por empréstimo até agosto. Como resultado, estava formada a 2ª Geração dos Meninos da Vila, uma mescla de juventude com experiência. O camisa 7 esteve presente nas duas, no entanto dessa vez ele não era a cereja do bolo.

Meninos da Vila
Reprodução/Torcedores

OS MENINOS DA VILA ENCANTAVAM A TODOS

O time treinado por Dorival Junior jogava um futebol gostoso de se ver. Os jogos do Santos eram certeza de ter muitos gols. Os garotos se divertiam dentro de campo, cada tento era uma coreografia diferente. Muitos adversários se irritavam com a postura dos meninos, porque a garotada “não abaixava a cabeça” para ninguém.

O plantel era escalado em um 4-3-3, em que Arouca era o volante mais recuado, que dava qualidade na saída de bola. Wesley um pouco mais adiantado, chegava como elemento surpresa no ataque, principalmente pelo lado direito. PH Ganso jogava mais próximo dos ataques e era o “maestro da orquestra“. Robinho bagunçava pelo lado direito e Neymar pelo esquerdo. Para fechar, André era o nove do time, o “homem gol“.

Santos 2010
Reprodução/Uol

A característica mais marcante do time era a velocidade. O Santos envolvia muito fácil o adversário com seus toques rápidos. Além disso, o time tinha dois jogadores muito ousado pelas pontas. Paulo Henrique Ganso parecia um 10 a moda antiga, ele não corria muito, porque quem corria era a bola. O maestro tinha a função de abastecer os atacantes e fazia isso com muita classe.

No ano de 2010, o Alvinegro Praiano venceu o Campeonato Paulista em uma final contra o Santo André que embrulha o estômago de todo santista até hoje. Os destaques dessa final foram o poder de Decisão de Neymar, com apenas 18 anos, e a liderança de Ganso dentro de campo. Além dessa conquista, o Peixe conquistou a inédita Copa do Brasil com muitos jogos emocionantes. Os Meninos da Vila estabeleceram um novo recorde de gols em uma edição do torneio, foram 39 ao todo.

ALGUMAS PEDRAS APARECERAM NO CAMINHO

Após o brilhante 1º semestre, o Santos perdeu alguns atletas. Robinho foi transferido para o Milan, André foi contratado pelo Dynamo de Kiev e Wesley pelo Wolfsburg. O treinador Dorival Junior foi demitido, porque teve um desentendimento com Neymar e o Ganso sofreu um grave lesão, rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo. Portanto, o elenco sofreu muitas mudanças.

O protagonismo do time ficou todo para o camisa 11, que realmente era o mais talentoso de todos eles. Ney seguiu fazendo grandes apresentações e ficava cada vez mais fixo na Seleção Brasileira. O camisa 11 já era craque, no entanto ainda precisava amadurecer e melhorar o seu temperamento.

Na temporada seguinte, o Santos contratou Adilson Batista para comandar o plantel. O ex-jogador havia feito um bom trabalho com o Cruzeiro em 2009 e um contestado momento no Corinthians no ano seguinte. A diretoria alvinegra decidiu apostar no paranaense. Entretanto, com apenas quase dois meses de trabalho foi demitido.

MURICY CHEGAVA PARA COLOCAR OS PINGOS NOS IS

Adilson fracassou, com isso o Santos contratou um dos técnicos mais vitoriosos no cenário nacional. Muricy Ramalho chegou para “por ordem na casa”. O treinador mudou a forma de jogar do Peixe e foi um dos grandes responsáveis por Neymar ter se tornado o grande jogador que é hoje.

O Santos contava com um velho conhecido no elenco, Elano Blumer fechou com o time no início da temporada. Além disso, Ganso retornou a equipe. Muricy mudou o esquema da equipe para o 4-3-1-2. Quando o time estava com força máxima, Adriano atuava com o “cão de guarda” e não deixava passar nada e nem ninguém. Arouca e Elano jogavam mais avançados, o camisa 5 jogava mais pela esquerda e o 8 pela direita. Paulo Henrique atuava mais a frente para “abastecerNeymar e Zé Love. O craque santista sempre mais pela esquerda e sempre próximo da área, porque era aonde era mais perigoso. Dificilmente Ney buscava a bola no meio-campo.

Santos 2011
Reprodução/Imortais do Futebol

O técnico que tinha fama de mal-humorado, aceitou muito bem o elenco brincalhão dos Meninos da Vila, mas dentro de campo ele cobrava seriedade. Até porque, “aqui é trabalho“. Muricy montou um esquema em prol do talento de Neymar Junior. A maioria das jogadas do time aconteciam pelo lado esquerdo, onde o camisa 11 atuava. O multi-campeão Brasileiro foi um dos treinadores que melhor usufruiu da capacidade do craque.

Em meados do 1º semestre de 2011, o camisa 10 alvinegro sofreu mais uma lesão. Dessa vez não era tão grave, mas poderia custar a campanha da Libertadores. Quando Ganso se lesionou, o Santos estava na final do Campeonato Paulista e nas quartas de finais da Libertadores.

A AMÉRICA SERIA DOS MENINOS DA VILA

O Santos superou o Corinthians na final do Paulistão, com gols de Arouca e Neymar. A equipe já contava com o desfalque de Ganso, mas o forte plantel seguia “contra tudo e contra todos“. Alan Patrick teve a grande missão de substituir o camisa 10 e foi bem. No entanto, para a sequência da Libertadores, o treinador preferiu utilizar o Danilo como volante e adiantar Elano.

Nas fases seguintes da Libertadores, contra Once Caldas e Cerro Porteño, Ney e companhia deram contado do recado. Como resultado, os Meninos da Vila chegavam à final do Torneio Continental após oito anos. A joia brasileira fazia uma campanha extraordinária, com apenas 19 anos parecia um veterano dentro de campo. Além de muito bom, era decisivo e chamava a responsabilidade nos momentos mais importantes.

A finalíssima seria contra o tradicional Peñarol, pentacampeão da América. O jogo 1 foi no Uruguai e terminou empatado em 0 x 0. A equipe paulista marcou muito bem e sofreu bastante com as fortes faltas do adversário, mas o resultado foi positivo. A volta seria no Pacaembu e o mar branco estaria presente em peso. O Peixão contava com o retornou de Ganso para o jogo decisivo. E o jogo de volta foi o esperado, com tentos de Neymar e Danilo os Meninos da Vila conquistaram a América.

Meninos da Vila
Divulgação/Santos FC

THE LAST DANCE

O ciclo do time que encantava a todos estava preste a chegar ao fim. O ano de 2012 foi muito especial para o Santos, porque era o centenário do clube. O peixe lançou até um uniforme alternativo para celebrar a grande marca de 100 anos, 36.525 dias, 876.600 horas de vida.

Em uma campanha muito boa, o Peixe foi superior aos seus adversário e foi campeão Paulista. Na 1ª fase, o plantel de Muricy Ramalho teve a 3ª melhor campanha. Com isso, iria encarar o São Paulo na semifinal em jogo único no Morumbi. Entretanto, jogar no grande Cícero Pompeu de Toledo nunca foi problema para Neymar e companhia. Existia uma grande expectativa com o confronto, mas o Santos aplicou um 3 x 1 com hat-trick do camisa 11.

A final foi contra o tradicional Guarani, no entanto o Bugre não foi páreo para os Meninos da Vila. O time de Muricy era praticamente o mesmo de 2011, a diferença que contava com o volante Henrique no lugar de Danilo na lateral direita, Juan no lugar de Léo e Alan Kardec substituiu Ze Love. O plantel seguia atuando com alta velocidade pelos lados, principalmente pelo esquerdo. Como resultado, seguia sendo um plantel muito forte.

O ano de 2012 se encerrou com apenas essa boa conquista e um boa campanha na Libertadores. Na temporada seguinte, o time da Vila Belmiro já não contava mais com Ganso, que se transferiu para o São Paulo após problemas com a diretoria. No meio do ano, Neymar fechou com o Barcelona e foi brilhar na Europa. Portanto, a 2ª geração dos Meninos da Vila chegava ao fim.

Meninos da Vila
Reprodução/Getty Images

Foto Destaque:Reprodução/Torcedores

Leonardo Pinheiro
Leonardo Pinheiro
Escolhi jornalismo porque para mim é prazeroso informar as pessoas, e além disso, a paixão pelo futebol me encorajou a seguir essa carreira. Meu principalmente objetivo na profissão é trabalhar com esportes, principalmente o futebol.

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