Clube tradicional na Série B, o alagoano CRB tenta voltar à primeira divisão após 37 anos. A última vez que o Galo da Pajuçara disputou a Série A foi na temporada de 1984. Naquela ocasião a equipe foi eliminada na 2ª fase e foi lanterna de um grupo que tinha potências como Santos, Fortaleza e Palmeiras. Por outro lado, o acesso do rival CSA em 2018 pressionou o CRB por uma resposta mais contundente. Desse modo, vejo que o principal fator de complicação é o psicológico. Contudo, o técnico Allan Aal parece controlar bem o aspecto emocional dos seus comandados até o presente momento. Afinal, chegou a hora de tornar realidade o sonho antigo do CRB?

O perfil do comandante do CRB

Allan Aal é um dos treinadores da nova safra. Jovem de 42 anos que ostenta um acesso para a Série A – com o Cuiabá, em 2020. Aplicado, já declarou-se apaixonado pelo estudo da ciência do futebol. Muito exigente durante os treinamentos, Aal procura sempre corrigir detalhes que fazem toda a diferença. A partir daí, o CRB aprofunda as jogadas ensaiadas. O posicionamento das linhas e a bola parada são pontos exercitados à exaustão. Seu objetivo é extrair o máximo do plantel para obter a promoção. O perfil tático do CRB carrega componentes como intensidade e marcação por pressão alta. É um time ativo que rouba a bola de modo veloz para brecar o poder de fogo adversário.

A campanha do CRB até agora

O ano do CRB traz um saldo positivo. Apesar de ter perdido o Campeonato Alagoano para o CSA nos pênaltis, a equipe surpreendeu ao eliminar o Palmeiras na Copa do Brasil – destaque para a atuação de Diogo Silva. Já em relação a Série B, o Galo da Pajuçara só merece elogios. A equipe não perde desde o confronto com o Guarani de Campinas (1 x 0), no dia 13 de julho. Nesse sentido, são 11 partidas de invencibilidade – se descontarmos as duas derrotas para o Fortaleza na Copa do Brasil. O CRB vem forte para a disputa do returno. Em tese, precisa de oito vitórias nas 16 partidas que restam até o final do campeonato. Isso garantiria a marca confortável de 64 pontos.

O esquema tático usado pelo CRB

Allan Aal utilizou o 4-2-3-1 em todas as partidas do CRB na Série B, exceto na derrota diante do Vasco da Gama (3 x 0). O gol é protegido pelo brilhante Diogo Silva. A linha de quatro conta com Reginaldo, Gum, Caetano e Guilherme Romão. Além disso, a dupla titular de volantes é Jean Patrick e Marthã. Nas últimas partidas há uma dificuldade de repetir a escalação no meio-campo. Isso se reflete na linha de três. Ela é responsável por subir a marcação e acelerar o contra-ataque do CRB. O armador é o argentino Diego Torres, municiado pelos alas Pablo Dyego e Jajá. Por fim, o homem de referência na frente pode ser Juninho Brandão ou Nicolas Careca.

As modificações e o futuro da equipe

Antes de mais nada, é normal alterar peças no time titular durante o transcorrer do campeonato. Porém, a decisão de mexer na equipe principal pode afetar o rendimento do CRB no médio a longo prazo. No início da Série B, os alas que apoiavam o camisa 10 eram Ewandro e Alisson. Erik também entrou em algumas oportunidades. No que se refere ao ataque, podemos dizer que Hyuri perdeu espaço ao longo do 1º turno. Na ausência de um dos volantes ou mesmo da dupla, Wesley e Claudinei são acionados. Em síntese, o CRB vai rodando o time sempre que é preciso. Enquanto isso, segue consolidando sua vaga no G4. Vai subir? Aí é outra história.

Foto destaque: Divulgação/ Blog do Arivaldo Maia

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.

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