Palmeiras

Não há dúvidas de que o Palmeiras se tornou protagonista. Desde 2015, considerado por muitos, um renascimento para o clube, o verdão figura entre os campeões nos principais campeonatos.

Neste mesmo ano citado, o clube ficou na 9ª colocação do Brasileirão – lugar bem diferente do terrível ano anterior. No entanto, ganhou a Copa do Brasil em cima do Santos, um dos principais rivais da equipe.  Já em 2016, o Verdão foi campeão, repetindo o feito em 2018.

Em 2017 e 2019 alguns problemas atrapalharam a campanha alviverde. No entanto, a equipe ficou na ponta da tabela (2º e 3º lugar respectivamente) podendo brigar pela Libertadores nos anos subsequentes.

Já em 2020, o calendário nacional sofreu com a paralisação causada pelo coronavírus, e as competições tiveram seu reinício apenas em agosto. E o Palmeiras já garantiu a sua taça. Conquistou o Campeonato Paulista de 2020 em cima do maior rival – o Corinthians – de forma histórica e com um sabor de vingança para os torcedores.

E a coluna Rasgando o Verbo de hoje irá falar sobre a organização do Verdão.

*Há quem conte a campanha da Florida Cup, mas ela não entrará nas contas para compor esse texto.

ELIMINAÇÕES DOLOROSAS

Apesar disso, o clube carrega em sua conta algumas eliminações que doem no coração palmeirense. As competições de mata-mata fazem da equipe alviverde uma vítima constante de erros pontuais ou apagões em campo. E esse tipo de derrota abala a equipe e faz com que os técnicos balancem em seus postos – apesar de não ter derrubado nenhum comandante diretamente.

Exemplos disso: Libertadores de 2018 e 2019. Em 18, o verdão fazia uma campanha consistente e bem regular, primeiro com Róger Machado e depois com Felipão comandando a equipe. Até que, Benedetto entrou em campo, naquele jogo contra o Boca Juniors, na Bombonera e marcou dois gols.

Na volta, a partida terminou empatada e o Palmeiras caiu na semifinal da competição. E vale ressaltar que a equipe havia vencido o mesmo Boca na Bombonera alguns jogos antes, com dois gols de Lucas Lima – um dos placares mais elásticos de brasileiros no solo argentino do Boca.

Já em 19, a coisa foi um pouco pior. O adversário era o Grêmio, com a partida de volta marcada para o Pacaembu. O Palmeiras saiu na frente na ida, com um belíssimo gol de falta de Gustavo Scarpa. E aqui me arrisco a dizer que foi um dos mais bonitos que o Palmeiras fez nos últimos tempos.

Entretanto, nem tudo são flores. O Alviverde Paulista até saiu à frente no placar, mas momentos de apagão e sem poder contar com Felipe Melo (expulso na partida anterior) o Tricolor gaúcho conseguiu reverter o placar e venceu a partida por 2 x 1, levando a classificação para casa através dos critérios de desempate.

Além disso, algumas outras eliminações entram para o currículo palmeirense como fatos para se esquecer, mas seguem na história.

DERROTAS QUE MEXEM NO BOLSO

Neste cenário, alguns dados financeiros chamam atenção para o fato de o clube não mudar sua postura. Em 2017, por exemplo, o Verdão deixou de ganhar R$ 22.800.000,00 apenas com as eliminações da Copa do Brasil e da Libertadores. Com o segundo lugar no BR, ganhou R$ 6.696.270,00 a menos que o campeão, Corinthians.

Já em 2019, que o Verdão passou em branco, os cofres palmeirenses “choraram” ao ver o valor que poderiam ter ganhado. Com o primeiro lugar na Libertadores, o vencedor Flamengo levou para casa R$ 85 milhões de reais (convertido do dólar para a cotação da época).

Contudo, garantindo a 3ª colocação, o Palmeiras levou para a casa R$29,7 milhões de reais, com quase R$1,6 milhão a menos que o Santos, que ficou em segundo lugar. Sem vencer a Copa do Brasil e o Paulista do ano, o Palmeiras deixou de acumular R$ 55 milhões. (Dados do portal Chuteira F.C).

No entanto, apesar dos dados de premiação, vale ressaltar que o Palmeiras ainda é um dos poucos clubes no Brasil que conseguem se segurar economicamente. E se engana quem pensa que o clube depende da patrocinadora comandada por Leila Pereira.

 PALMEIRAS E CREFISA: É AMOR?

Atualmente, a Crefisa representa 16% da receita alviverde, ou o equivalente a R$102,8 milhões. Uma matéria publicada pelo portal Palmeiras Online.com descreve os dados de receitas financeiras do Palmeiras. Dados que podem ser revisados no Índice PLACAR/Itaú BBA de gestão esportiva.

Os direitos sobre a transmissão de jogos – fomentador de disputas com a Rede Globo em 2019 – é uma das principais fontes de rende somando cerca de 33% do patrimônio. Lá embaixo, com a representatividade de 3% estão os dados de premiação.

Outro dado que é importante deixar claro é que 2020 foi um ano atípico no cenário financeiro para muitos clubes. Demissões e reduções salariais, além de atrasos, foram pautas constantes em equipes de diversas séries no Brasil. Porém, o Palmeiras conseguiu lidar com a pandemia e garantir a permanência de 100% dos seus funcionários, além de ajudas de custos e outros benefícios.

PALMEIRAS: ENTRE A PRESSÃO E O SPA

Um clube com a grandiosidade do Palmeiras e com a o elenco que tem não pode e não deve sofrer com a falta de peças e não pode sofrer com tantas eliminações. Hoje o que se vê na equipe são jogadores que são vitoriosos e tecnicamente bons.

Um exemplo claro: Bruno Henrique. O camisa 19 foi o capitão na campanha do decacampeonato em 2018 e tem mais de 164 jogos vestindo a camisa alviverde. Viveu com o Verdão a melhor fase de sua carreira, se tornando o dono de muitas premiações individuais, como os troféus Bola de Prata, Craque do Brasileirão e Melhor jogador.

Porém o desempenho do volante não foi o mesmo, e vem desagradando (sim, os torcedores, não tem como deixar de falar deles). Fato é que, Bruno Henrique não se adaptou ao esquema ágil que Luxemburgo propõe e conta com atuações inconsistentes.

Lucas Lima, uma peça cara no elenco alviverde e também um dos meias mais técnicos que o Palmeiras tem atualmente. O camisa 20, tem uma visão diferenciada de jogo e isso é inegável. Porém, suas atuações destoam de partida em partida.

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O PROBLEMA CRIATIVO DO PALMEIRAS

Indo para termos práticos, o meio campo alviverde é um dos setores que mais está defasado, e um meia como Lucas Lima poderia mudar isso. O jogo contra o Santos, por exemplo, foi uma das melhores partidas do meia e do Palmeiras no ano.

Muitos pensaram que seria o momento agora vai do camisa 20. Mas não foi! No jogo seguinte contra o Bahia, L.Lima fez uma partida apática e o Palmeiras pouco agrediu o adversário. Roteiro que tem sido comum nas últimas partidas.

Gustavo Scarpa outra peça que compõe o meio campo palmeirense. Me arrisco a dizer que o camisa 14 seria titular em muitos clubes da série A, atualmente. Teve boas atuações no Fluminense sendo o responsável por 26 gols e 41 assistências em seus 152 jogos.

Contudo, no Palmeiras, balançou as redes 18 vezes e deu 9 assistências nos 81 jogos em que esteve presente. Uma queda expressiva no protagonismo e na titularidade. Scarpa é mais um dos jogadores que poderiam preencher o meio de campo alviverde e resolver o pontual problema de 2020: criatividade.

CASOS EXTRA

Além deles, existem casos no Verdão quem nem Freud explica. Como Rony, que tem muita vontade, mas ainda não desencantou e não mostrou a que veio.

O caso de Ivan Ângulo é um dos que mais efetivam a falta de tato da diretoria. O atacante colombiano pertence ao Palmeiras, mas estava emprestado ao Cruzeiro.

No entanto, o técnico Vanderlei Luxemburgo solicitou o atleta de volta, pois teria que lidar com lesões de Gabriel Veron e Luan, além de uma possível suspensão de Rony.  Totalizou menos de 15 minutos de jogo vestindo a camisa alviverde.

E quem se lembra de Guerra? O Venezuelano que chegou ao Alviverde imponente junto com Borja, já foi emprestado ao Bahia e hoje está literalmente encostado no clube, sem sequer uma chance. O meio-campista treina separado dos companheiros e é provável que saia do clube de graça.

OPINIÃO: O PALMEIRAS PRECISA SE ORGANIZAR

Não, esse texto não é uma análise tática dos problemas do Palmeiras. Pode passar por isso, mas precisa de muito mais para tal. Também não é uma crítica desconstruída a todos os problemas que – a meu ver – podem atrapalhar o desempenho do clube.

Do mesmo modo, não é um elogio, nem à Crefisa e muito menos à diretoria do Palmeiras. Também não é um desabafo. O Palmeiras tem problemas pontuais que precisam ser resolvidos, mas está longe de ser o pior clube da Série A.

No dia de hoje, o clube se encontra na 6ª colocação do Campeonato Brasileiro, em uma série invicta. Contudo vale ressaltar também a falta de vitórias, principalmente diante clubes da série A.

No Brasileiro são apenas três vitórias em sete confrontos, quatro empates e nenhuma derrota. Ai que está. A equipe que segue sendo um dos postulantes ao título, empata muito e leva gol por se acanhar demais em campo. Seus problemas passam pela ala de criação e a bola não chega em Luiz Adriano, um atacante goleador.

O clube com uma das melhores defesas do campeonato não consegue agredir o seu adversário no ataque e conta com a individualidade dos seus jogadores. O atacante que veste a camisa 10, o zagueiro que faz cruzamento para gol no finalzinho do jogo. O Menino improvisado.

Não dá para ficar jogando toda a responsabilidade para a base. Os garotos que são uns dos bons frutos do Palmeiras e de Luxemburgo em 2020, não podem ser os “Salvadores da Pátria”. São jovens e devem ter o direito de errar e amadurecer, sem sofrer represálias por parte da torcida – deixem os meninos no Tik Tok.

DÁ PARA CHEGAR!

Uma equipe precisa ter as suas funções definidas para que um possa ajudar o outro e fazer a organização trabalhar. Funções jogadas, que caem no colo dos componentes atrapalham e a falta de ordem e acúmulo de tarefas faz com que o trabalho saia abaixo do que poderia, entendem?

O Palmeiras já sofreu e muito com as eliminações. E o fato de sua renda de prêmios, atualmente, ser uma das menores é preocupante. É bom que o clube não dependa só disso, mas também mostra o quanto falta disso.

Com a grandiosidade e estrutura dá para chegar nas principais competições, basta se organizar.

Foto: Divulgação / Palmeiras

Valéria Contado
Eu sou a Val Contado, finalmente jornalista (uhul!), apaixonada por futebol há 24 anos, desde quando meu pai colocou em mim o uniforme do nosso time do coração. Adepta da arte da resenha, falar e respirar futebol é o que eu mais gosto de fazer.

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